NUPPRE
  • Ciclo de Diálogos – Auditório CFH UFSC

    Publicado em 22/05/2018 às 12:03


  • Rede Ibero-americana de Universidades Promotoras da Saúde (Riups)

    Publicado em 22/05/2018 às 11:59

    A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é, agora, integrante da Rede Ibero-americana de Universidades Promotoras da Saúde (Riups). O certificado de adesão foi entregue durante o I Encontro da Rede Brasileira de Universidades Promotoras da Saúde (Rebraups), realizado na Universidade de Brasília (UnB), de 25 a 27 de abril.

    Paulo Eduardo Botelho, diretor do Departamento de Atenção à Saúde (DAS), vinculado à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Prodegesp/UFSC), enfatiza que o certificado ratifica a disposição da universidade de fixar um compromisso com as ações de saúde dentro da instituição, fortalecendo aquelas que já são desenvolvidas.

    Essas ações, acrescenta Paulo Botelho, são a base de um conceito ampliado de saúde e envolvem a preocupação com o cuidado nutricional, o projeto pedagógico dos cursos ou as licitações, para citar alguns exemplos. “Temos, como universidade, uma grande responsabilidade em definir políticas públicas que ajudem a promover a saúde e a qualidade de vida das comunidades interna e externa”.

    A proposta da Rede Brasileira de Universidades Promotoras de Saúde é integrar as instituições de ensino superior do país que atuem promoção da saúde, articular entidades, compartilhar experiências e identificar potencialidades nessa área.

    “Trata-se de uma visão mais holística sobre a promoção da saúde nessas instituições”, argumenta Marcela Boro Veiros, chefe do Departamento de Nutrição da UFSC. “Essa é uma questão que envolve toda a comunidade universitária e é uma construção coletiva”, completa a médica do trabalho, Andréa Benincá de Almeida.

    O encontro em Brasília reuniu representantes de Instituições de Ensino Superior de várias regiões do Brasil e outros países para discutir sobre caracterização, gestão e integração de Universidades Promotoras de Saúde por meio da Rede Rebraups.

    Já a Mostra de Experiências Promotoras de Saúde, que fez parte da agenda do evento, exibiu trabalhos, produtos e experiências em torno do tema “Equidade, Sustentabilidade, Inovação e Participação Social”, na perspectiva da promoção da saúde, principalmente no contexto das universidades.

    Equipe Agecom/UFSC


  • VIII Congreso Iberoamericano de Investigação Qualitativa na Saúde

    Publicado em 22/05/2018 às 11:37

    O VIII Congresso Iberoamericano de Pesquisa Qualitativa em Saúde será realizado em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil de 04 a 07 de setembro de 2018.

    O objetivo deste congresso é promover a investigação qualitativa em saúde na Ibero-América como aconteceu nos eventos anteriores realizados no México (2003), na Espanha (2005), em Porto Rico (2008), no Brasil (2010), em Portugal (2012), na Colômbia (2014) e na Espanha (2016).

    Agora, de volta ao Brasil, é a vez da Ilha da Magia se encher de alegria para receber pesquisadoras e pesquisadores da Iberoamerica, comprometidos com o fortalecimento e a difusão da pesquisa qualitativa em saúde. Será realizado em Florianópolis, capital de Santa Catarina, situada em uma ilha – a Ilha da Magia, no sul do Brasil.

    Nosso desejo é que possamos fortalecer a identidade e as redes de colaboração ibero-americanas. Esse é o tema central do nosso Congresso.

    Por isso, sua logo é uma mandala. A mandala, cujo termo em sânscrito significa “círculo” ou “completude”, simboliza o Universo, bem como representa a procura pela paz interior, procura essa que é representada pelos padrões entrelaçados; expressão de nossa incompletude; nosso desejo de ser-mais, de ser-no-mundo; de busca pela conscientização. Por isso, eternos aprendizes. Aprender é conscientizar-se de si-no-mundo e para aprender é preciso estar-no-mundo.

    Como diz Paulo Freire, ninguém muda o mundo sozinho. É preciso estar junto, construir parcerias, trabalhar em rede. E rede se constrói tecendo fios – de relações, de respeito, de tolerância, de compreensão, de empatia.

    Esperamos por vocês em setembro de 2018, para juntos, tecermos fios de colaboração e parcerias

    As inscrições estão disponíveis com preço promocional até: 30/05/2018

    O prazo do terceiro lote para envio de trabalhos é até: 30/05/2018.

    Mais informações, visite  http://www.ciics2018.com

     

     


  • MDS amplia rede de entidades que podem receber produtos da agricultura familiar

    Publicado em 22/05/2018 às 11:28

    Brasília – Os alimentos comprados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) poderão chegar a um maior número de entidades que atendem a população em vulnerabilidade social e em insegurança alimentar. A partir de agora, as instituições que estiverem cadastradas nos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Pessoa Idosa poderão receber os produtos adquiridos nas modalidades executadas com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). É o que determina a Resolução 81 publicada no Diário Oficial da União.

    Anteriormente, só as unidades da rede privada e pública da Assistência Social e cadastradas nos conselhos municipais – além de escolas, hospitais, restaurantes e cozinhas comunitárias – que poderiam receber os produtos da agricultura familiar. A diretora substituta do Departamento de Apoio à Aquisição e à Comercialização da Produção Familiar do MDS, Andressa Jordão, explica que a resolução tem o objetivo de ampliar o público atendido e garantir uma alimentação de qualidade para a população.

    “O PAA é um programa de fomento à agricultura familiar e também um programa de segurança alimentar. A resolução deixa claras as regras para as entidades receberem os produtos adquiridos por meio do PAA. Ampliamos a quantidade de conselhos que podem cadastrar as entidades para que estes produtos cheguem a um maior número de famílias”, afirmou. Em 2017, o Programa de Aquisição de Alimentos investiu mais de R$ 357,5 milhões na compra de alimentos, leite e sementes da agricultura familiar em todo o país.

    A nova resolução também fortalece a Rede Brasileira de Bancos de Alimentos, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Ao solicitar que as unidades que distribuem os alimentos se cadastrem na rede, os Bancos de Alimentos ganham em gestão e acompanhamento das ações das entidades que recebem os alimentos – o governo federal pode avaliar onde há demanda por alimentos e onde deve ser investido na construção e modernização dos bancos. A partir de agora os Bancos de Alimentos também poderão cadastrar novas unidades para recebimento dos produtos.

    No Brasil, 218 bancos estão em funcionamento e compõem a rede nacional – desses, 107 unidades são coordenadas pelos governos estaduais e municipais.

     

    *Por André Gomes

    Informações sobre os programas do MDS:
    0800 707 2003

    Informações para a imprensa:
    Ascom/MDS
    (61) 2030-1505
    www.mds.gov.br/area-de-imprensa


  • A internacionalização na prática no Programa de Pós-Graduação em Nutrição: Projeto VEG+

    Publicado em 02/05/2018 às 17:24

    Na última semana, o Centro de Ciências da Saúde (CCS) recebeu comitiva da  Bournemouth University (Reino Unido), composta pelos professores Heather Hartwell e Jeffery  Bray, bem como pela secretária executiva Natalia Lavrushkina.

    As atividades com docentes e alunos do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) e do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) estão relacionadas à política de internacionalização, no âmbito do projeto de pesquisa “VEG+: Aumentando o consumo de vegetais entre jovens adultos por meio de cadeias curtas de comercialização, estímulo de habilidades culinárias e arquitetura de escolha em restaurantes”.

    Dentre as atividades realizadas, destacam-se:

    – Ministração de palestras para mais de 60 pessoas no 1º Ciclo de Palestras do Projeto VEG+, realizado dia 26 de abril de 2018 no Auditório do CCS-UFSC.

    – Participação em aula da disciplina “Brasilian Cuisine” ministrada para estudantes de graduação de universidades estadunidenses no âmbito do University Studies Abroad Consortium (USAC).

    – Participação de reuniões de discussão científica com a equipe do projeto VEG+,

    – Visita de reconhecimento a estruturas brasileiras produtoras e comercializadoras de alimentos e refeições: Direto do Campo, Célula de Consumo Responsável, Feira Agroecológica do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, Restaurante Universitário da UFSC, Sítio Flor de Ouro, restaurantes vizinhos ao Campus Universitário da UFSC – Trindade.

    Resultado de parceria iniciada em 2012, o projeto conta com suporte financeiro do British Council/Newton Funds Institutional Links e Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), destacando-se que a internacionalização é um dos itens avaliados nos programas de pós-graduação pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

     


  • Shoyu produzido no Brasil é feito à base de milho

    Publicado em 02/05/2018 às 17:19

    Boa parte do shoyu produzido no Brasil tem alto teor de milho

    Amostras analisadas tinham, em média, menos de 20% de soja em sua composição

    No mundo todo, o principal componente do shoyu, condimento fundamental da culinária asiática, é a soja. No Brasil, é diferente. Aqui, muitas empresas substituem, ou trocam, a soja pelo milho. A conclusão é de um grupo de pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ambos da Universidade de São Paulo (USP), que analisou a composição química de 70 amostras de shoyu de marcas comercializadas no país.

    Em países como Japão, China e Coreia do Sul, o molho shoyu é feito de soja com proporções pequenas de outros cereais como trigo ou cevada. “O que a indústria brasileira oferece ao consumidor não é shoyu propriamente dito, é um molho escuro e salgado elaborado a partir de milho, que deveria ter outro nome”, destaca a bióloga Maristela Morais, uma das coordenadoras do grupo, ao lado do engenheiro agrônomo Luiz Antonio Martinelli. Ambos são do Cena-USP.

    Para identificar os ingredientes usados na elaboração do molho, os pesquisadores mediram a proporção de duas variantes do elemento químico carbono encontradas nas amostras. Soja, arroz e trigo são plantas que absorvem o gás carbônico da atmosfera e, sob a luz solar, realizam reações químicas que geram moléculas de açúcar contendo três átomos de carbono – é o chamado sistema de fotossíntese C3. Já o milho é uma planta de via fotossintética C4, por produzir açúcares com quatro carbonos. Esses açúcares continuam a existir nos alimentos, mesmo depois de os grãos serem processados, e funcionam como uma assinatura química de sua origem.

    Ao analisar as amostras, os pesquisadores verificaram que o milho era o principal componente do shoyu comercializado no Brasil (Journal of Food Composition and Analysis, 3 de abril). Em média, as amostras analisadas tinham menos de 20% de soja em sua composição. Acredita-se que o uso de milho na produção do condimento esteja relacionado ao preço do grão, consideravelmente mais barato que o da soja. Entre 2007 e 2017, o preço médio da soja foi o dobro do preço médio do milho no Brasil. “O uso de milho na produção de shoyu não é ilegal, já que a legislação brasileira não especifica qual deve ser a proporção de cereais usados na sua fabricação”, afirma Maristela.

    Artigo científico
    MORAIS, M.C. et alStable carbon isotopic composition indicates large presence of maize in Brazilian soy sauces (shoyu). Journal of Food Composition and Analysis. v. 70, p. 18-21. abr. 2018.

    FONTE: Revista Fapesp


  • Entidades enviam a senadores carta contra projeto que limita rotulagem de transgênicos

    Publicado em 02/05/2018 às 17:14

    Proposta que tramita no Senado desobriga indústrias de estamparem na embalagem de alimentos que contenham mais de 1% de ingredientes transgênicos uma letra T

    Organizações ligadas à alimentação saudável, ao meio ambiente e à saúde encaminham nesta terça-feira, 24, carta a senadores solicitando a rejeição do projeto que limita a rotulagem de transgênicos no País.

    O documento, que conta com mais de 100 assinaturas, incluindo da Fundação Oswaldo Cruz (ligada ao Ministério da Saúde), classifica a proposta como um retrocesso do ponto de vista ambiental, de saúde pública e dos direitos dos consumidores.

    Entidades enviam a senadores carta contra projeto que limita rotulagem de transgênicos
    Selo que identifica ingrediente transgênico no produto   Foto: Divulgação

    Na carta, entidades argumentam ainda que o Brasil é signatário de um acordo que proíbe poderes públicos de retrocederem em relação à proteção da alimentação adequada. Justamente por isso, afirma a nota: “A aprovação desse PL viola as obrigações do Estado Brasileiro.”

    A proposta que tramita no Senado desobriga indústrias de estamparem na embalagem de alimentos que contenham mais de 1% de ingredientes transgênicos uma letra T.

    A regra, que está em vigor desde 2003, é considerada essencial por grupos ligados ao direito do consumidor e  à alimentação saudável. “O alerta é um direito à informação”, resume a diretora do ACT Promoção à Saúde, Paula Johns. “Se for retirada a obrigação, o Brasil dará um passo para trás no seu protagonismo de informação aos consumidores”, avalia o advogado do Idec, Igor Britto.

    O texto  foi aprovado na semana passada na Comissão de Meio Ambiente do Senado, numa sala com poucos parlamentares. O relator do projeto, Cidinho Santos (MT), aproveitando a ausência de colegas contrários à mudança, tentou apressar a tramitação, sugerindo regime de urgência. Com esse recurso, não há necessidade de o projeto passar em outras comissões. Bastaria a aprovação com maioria simples para o projeto ir à sanção.

    Santos não escondeu ter adotado a estratégia de aguardar a ausência de opositores para apressar a votação do projeto. “Há uma espécie de ideologia, de religião contra transgênico. Isso só faz mal ao País, à exportação”, argumentou semana passada.

    O senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou um requerimento para que o projeto seja avaliado em outras comissões antes de ir ao plenário. “Não estamos aqui falando de saúde, porque não há nada que indique que produtos são ou não prejudiciais para o organismo. Estamos falando de um direito de escolha”, completou. Apesar da defesa da regra atual, Costa,  avalia ser grande a probabilidade de o projeto ser aprovado a toque de caixa. É isso que entidades querem evitar.

    Para justificar a proibição da inscrição, Cidinho Santos afirma que nenhum país no mundo adota uma advertência semelhante. “Isso acaba afugentando consumidores. Seria o mesmo que ter um S para produtos com sódio ou G para produto com gordura”, completou.

    Na carta, associações que defendem o alerta observam que o “T” de transgênico não faz alusão ao perigo, mas apenas contribui para fácil visualização. O relator do projeto argumenta ainda que, embora a proposta indique a retirada da letra T, a informação sobre a presença do transgênico estará mantida. “Ela estará na tabela com a composição, disse. “Quem quiser, basta procurar.”

    Entidades contrárias à medida, no entanto, observam que as inscrições na tabela nutricional são confusas e de difícil identificação. O advogado do Idec observa que com a proposta poucos produtos necessitarão inscrever a presença de transgênico na tabela nutricional.   Isso porque uma regra da proposta determina que a análise da existência de produto transgênico deverá ser feita com produto final. “A obrigação atual da indústria é fazer uma análise de toda cadeia produtiva. Se em algum momento tiver o uso de transgênico, isso deve ser apontado.”

    É justamente isso que o texto quer evitar. O relator argumenta: “Não faz sentido. Uma vaca se alimenta com uma ração que tem transgênico e seu leite também deve ser considerado como tal?”

    Durante a tramitação, mais de 15 mil pessoas enviaram mensagem ao Senado, manifestando-se contrárias à proposta. O projeto foi alvo ainda de 30 moções de repúdio. Na carta, entidades dizem ainda que o Brasil é o País que mais possui variedades transgênicas liberadas para o plantio ou consumo. São 38 de milho, 13 de soja, uma de feição, 15 de algodão e uma de eucalipto.

    Fonte: Estadão


  • Diploma à brasileira

    Publicado em 02/05/2018 às 17:07

    Certificados de graduação e pós-graduação obtidos no exterior precisam ser revalidados no país

    A perspectiva de fazer graduação ou pós-graduação no exterior costuma ser bastante valorizada, seja por propiciar o acesso a instituições internacionais, pelo aprendizado ou aperfeiçoamento de mais um idioma, pela construção de uma rede de contatos global ou pelo convívio com novas culturas, entre outros fatores. Antes de se matricular em uma universidade fora, no entanto, é preciso considerar que nenhum diploma estrangeiro é reconhecido automaticamente no Brasil. Quem obtém um título de graduação, mestrado ou doutorado no exterior, obrigatoriamente terá de revalidá-lo ao voltar ao país.

    No caso dos cursos de graduação, a revalidação só pode ser feita por universidades públicas reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC) e que ofereçam cursos iguais ou similares ao frequentado no exterior. Já o reconhecimento de um diploma de pós-graduação pode ser feito também por instituições privadas, desde que sejam reconhecidas pelo ministério. Em ambos os casos, o processo é de competência das instituições credenciadas, que definem os próprios requisitos de avaliação. “A exceção são os cursos de medicina, para os quais existe o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos [Revalida]”, explica Ruane Santos, porta-voz do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pelo Revalida.

    O exame avalia as competências e habilidades dos médicos formados no exterior no âmbito de cinco áreas de exercício: cirurgia, medicina de família e comunidade, pediatria, ginecologia-obstetrícia e clínica médica. Desde 2011, o Revalida recebeu solicitações de 7.821 médicos – a maioria brasileiros, argentinos, bolivianos, colombianos e peruanos –, sendo que 47,4% deles foram reprovados em pelo menos uma edição do exame, que tem duas etapas. Na primeira, o candidato responde a questões de múltipla escolha e faz uma prova discursiva. Na segunda, executa tarefas para uma banca, que examina suas habilidades para o exercício da medicina. Sem o Revalida, os formados no exterior não podem exercer o ofício no país. Para todos os outros cursos de graduação, recomenda-se que os candidatos avaliem a grade curricular do curso no exterior e a comparem com os conteúdos ministrados pela universidade em que pretendem ingressar com o requerimento de revalidação.

    Lançado em fins de 2016, o Portal Carolina Bori hoje unifica todos os pedidos de validação de diploma de graduação e pós-graduação emitidos no exterior. Não há um percentual de similaridade ou parâmetro quantitativo de análise para deferimento dos diplomas. A revalidação costuma se basear na análise do mérito e das condições acadêmicas do programa cursado no exterior, levando em conta as diferenças entre os sistemas educacionais, as instituições e os cursos oferecidos em cada país.

    São exigidos pelo menos 10 documentos. As universidades credenciadas costumam divulgar a lista completa em suas páginas na internet. Ao ingressar com a solicitação, o candidato deve apresentar uma cópia do diploma e documentos referentes à instituição que o expediu, à duração e ao currículo do curso, com o conteúdo programático, a bibliografia e o histórico escolar. A decisão sobre a validação do diploma não pode demorar mais de 180 dias, a contar da data de emissão do protocolo na instituição revalidadora.

    Além da documentação, também é necessário pagar uma taxa que pode variar entre R$ 400 e R$ 2 mil. Desde março, refugiados domiciliados no estado de São Paulo estão isentos do pagamento das taxas de revalidação de seus diplomas nas universidades estaduais paulistas. Após receber a solicitação, a universidade nomeia uma comissão para analisá-la. Cada comissão é composta por professores da universidade escolhida que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado. Se for o caso, a instituição pode solicitar a participação de especialistas de fora de seu quadro de professores e pesquisadores para compor a comissão. Também poderão ser solicitadas informações adicionais, como traduções juramentadas, conforme esclarece a diretoria acadêmica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    Concluída a análise, a comissão poderá decidir pela equivalência integral ou parcial do diploma. No primeiro caso, não há necessidade de cursar disciplinas ou realizar provas. No segundo, a revalidação fica condicionada à aprovação do candidato em exames ou estudos complementares. Finalizado o processo, produz-se um termo de revalidação que é anexado ao diploma original. Esse registro deve ser apresentado sempre que o candidato precisar comprovar a titulação no Brasil, para efeitos de trabalho ou concurso, por exemplo.

    No caso dos diplomas de pós-graduação, a revalidação costuma ser mais rápida. Isso porque os cursos de mestrado e doutorado são específicos e geram dissertação ou tese, documentos mais fáceis de serem avaliados. Para reconhecer um diploma de pós-graduação, a universidade precisa ter um programa de nível igual ou superior na mesma área do conhecimento, mas não necessariamente ter um programa similar ao do exterior.

    A revalidação pode ser federal, válida para todo o país, ou interna, aceita apenas na universidade revalidadora e eventualmente gratuita. Foi o que aconteceu com o título do arqueólogo André Strauss. Em 2016, ele concluiu o doutorado em arqueologia na Universidade de Tübingen, na Alemanha. No ano seguinte, para prestar concurso para professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), precisou revalidar seu diploma de doutor. “Como ia prestar concurso na USP, optei pela revalidação interna, mais rápida e gratuita”, diz.

    O mesmo fez a arquiteta Vanessa Grossman. Em 2008, ela concluiu o mestrado em história da arquitetura na Universidade de Paris 1, na França. À época, pensava em fazer o doutorado na USP. “Por isso, optei por validar meu diploma apenas no âmbito da universidade”, conta. O processo foi concluído em quatro meses, segundo ela.

    Seja como for, a revalidação dos diplomas de graduação e pós-graduação não supõe um novo diploma nem iguala a formação obtida no exterior à formação oferecida pela instituição revalidadora. Apenas garante que a formação que o candidato recebeu é equivalente a que se supõe necessária para o mesmo nível de formação no Brasil.

    Fonte: Pesquisa Fapesp


  • Projeto de lei obriga informações sobre agrotóxicos nos rótulos dos alimentos — Rede Brasil Atual

    Publicado em 02/05/2018 às 17:06

    De autoria do deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), PL veta a utilização de agrotóxicos proibidos em países que importam produtos brasileiros

    por Redação RBA publicado 22/04/2018 20h42
    ROMULO PENA SCORZA JR/EMBRAPA
    veneno nos alimentos

    Maior consumidor de agrotóxicos do mundo, o Brasil permite o uso de produtos proibidos em outros países. E testes da Anvisa encontram nos alimentos resíduos em quantidades muito acima do limite permitido

    São Paulo – Enquanto a bancada ruralista defende a supressão do símbolo dos transgênicos em rótulos de alimentos – o conhecido T preto dentro do triângulo amarelo –, dificultando assim a informação à qual o consumidor tem por direito, um projeto de lei defende que as embalagens passem a informar sobre os agrotóxicos utilizados no alimento processado e in natura. E mais: veta a utilização no Brasil de produtos proibidos em países aos quais se destinam as exportações agropecuárias brasileiras.

    Protocolado nesta quinta-feira (19) pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), o PL estabelece que os fornecedores deverão informar nas embalagens, de forma clara e adequada, os agrotóxicos que foram utilizados no cultivo dos grãos, frutas, legumes e verduras que entraram no preparo. E que, em caso de produtos in natura, essas informações deverão estar em local visível, próximo ao de exposição no ponto de venda.

    Se a proposta for aprovada pelos deputados e senadores, qualquer pessoa, física ou jurídica, poderá solicitar análise de alimentos para aferir os níveis de resíduos de agrotóxicos em laboratórios a serem credenciados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    No caso de alimentos que contenham resíduos em níveis acima do limite estabelecido pela agência ou de produtos de uso proibido ou não recomendados para o cultivo, o fornecedor deverá retirá-los do mercado.

    O poder público, conforme o projeto, deverá garantir aos consumidores brasileiros a mesma proteção contra os agrotóxicos conferidas pelas autoridades de saúde estrangeiras à sua população.

    Perigos

    A proposta de Ivan Valente é respalda pelo fato de o Brasil ser o campeão mundial no consumo de agrotóxicos ao mesmo tempo em que a população em geral desconhece os perigos à sua saúde e do meio ambiente.

    “O modelo de produção de alimentos em escala industrial, sem preocupação com o equilíbrio ambiental e com a saúde pública, tem levado à concentração de terras, monoculturas e uso de agrotóxicos em quantidades que colocam em risco a vida dos brasileiros”, justifica o parlamentar, que destaca ainda a correlação entre a exposição a esses produtos e ao consumo de alimentos com eles cultivados e os graves problemas de saúde. São distúrbios que afetam diversos sistemas do organismo, causando vários tipos de câncer, alterações reprodutivas e malformações, além de quadros agudos, geralmente respiratórios e alérgicos.

    Em seu projeto, Valente destaca ainda a insuficiência das informações ao consumidor sobre os riscos presentes nos relatórios da Anvisa acerca dos resultados das análises de resíduos desses venenos nos alimentos.

    “É possível que a grande maioria dos consumidores sequer sabe da existência dessas informações, de maneira que estão consumindo às escuras sem conhecer os riscos que determinados alimentos podem representar à sua saúde em razão da forma em que foram cultivados”, destaca.

    Fonte: Rede Brasil atual


  • Publicado em 25/04/2018 às 20:01


  • Ciclo de Palestras VEG+

    Publicado em 23/04/2018 às 8:43


  • Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira

    Publicado em 23/04/2018 às 8:29

    USANDO A BIODIVERSIDADE

    A biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza e fonte de imenso potencial de uso econômico. Representa a base das atividades agrícolas, pecuárias e pesqueiras, sendo também essencial para as indústrias de biotecnologia, insumos alimentícios e farmacêuticos. No entanto, a degradação dos recursos naturais, incluindo a perda da biodiversidade e a erosão da diversidade genética, é um dos maiores desafios à produção de alimentos na atualidade. Soma-se a isso a tendência global de simplificação da dieta, com impactos negativos na segurança alimentar e saúde humana. A diversificação da oferta de alimentos é crucial no fornecimento dos nutrientes necessários para o crescimento e vida saudáveis e podem proporcionar soluções locais para as condições de saúde relacionadas à dieta, a exemplo de deficiências nutricionais e obesidade.

    Apesar de o Brasil abrigar a maior biodiversidade do planeta, com 15 a 20% do total mundial, esta riqueza permanece subutilizada, pois grande parte de nossas atividades agrícolas está baseada em espécies exóticas. A ampliação do uso de plantas nativas, incluindo aquelas já conhecidas e comercializadas por populações locais e regionais, porém com pouca penetração no mercado nacional ou internacional, é uma grande oportunidade a ser promovida. Para que isso seja possível, é preciso conservar, conhecer, coletar, documentar e divulgar informações acerca da biodiversidade nativa.

    Com esse objetivo, foi criada a ferramenta Biodiversidade & Nutrição, que possui um banco de dados de composição nutricional e um banco de receitas com espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial, com ênfase para frutíferas e hortaliças priorizadas pela iniciativa “Plantas para o Futuro”, do Ministério do Meio Ambiente. A ferramenta é o resultado de um esforço conjunto do Projeto “Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade para Melhoria da Nutrição e do Bem-Estar Humano” (Biodiversidade para Alimentação e Nutrição – BFN, sigla em inglês), Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, universidades e institutos de pesquisa1 em todo o Brasil.

    Espera-se que essa ferramenta seja uma referência nacional para a composição de alimentos derivados de espécies nativas brasileiras, integrando a biodiversidade em projetos científicos, programas, políticas públicas e aconselhamento nutricional, tanto em iniciativas públicas quanto privadas. Deverá contribuir ainda para disseminar informações sobre o uso das espécies, por meio da divulgação de receitas culinárias desenvolvidas especialmente para ressaltar e demonstrar a versatilidade da biodiversidade brasileira. A ferramenta continuará a ser fomentada pelas instituições parceiras, com a inclusão de novas espécies e alimentos, de forma a tornar mais abrangente esta ferramenta essencial à promoção do uso sustentável da biodiversidade para a alimentação e nutrição.

    Fonte: SIBBr


  • Brasileiro gosta de ciência, mas não conhece seu impacto

    Publicado em 15/04/2018 às 18:23

    RIO- O brasileiro é maravilhado com a ciência, tem vontade de conhecer melhor as pesquisas e é otimista com as próximas descobertas. Acredita que a cura do câncer, por exemplo, pode chegar nas próximas décadas, e uma parcela significativa garante que os carros voadores também não devem demorar tanto assim. Por outro lado, ainda tem dificuldade em reconhecer, no dia a dia, aquilo que é produzido nos laboratórios: dois em cada três acreditam que a ciência tem pouco ou nenhum impacto no cotidiano.

    O panorama acima foi traçado pela primeira edição do Índice Anual da Situação da Ciência, organizado pelo Instituto 3M em 14 países desenvolvidos (EUA e Alemanha, por exemplo) e emergentes (como Índia e China), entre junho e agosto do ano passado. Cerca de mil pessoas foram entrevistadas em cada um deles. Além da curiosidade pelo tema, os brasileiros também admitiram frustrações: pouco mais da metade (52%) se arrepende por não seguir uma carreira científica, e 84% acreditam que o Brasil não valoriza tanto o assunto quanto outras nações.

    A visão geral é de que, se houvesse mais investimento, estaríamos na vanguarda — explica Camila Cruz, diretora de pesquisa e desenvolvimento do Instituto 3M no Brasil. — Por outro lado, sabemos que a destinação de verbas para a ciência não é uma medida de curto prazo. Precisamos de segurança jurídica para que este processo se estenda pelo tempo necessário. Não devemos apenas importar conhecimento. É preciso produzi-lo aqui também.

    O interesse pela ciência é nítido: 52% dos brasileiros gostariam de saber mais sobre o tema, um índice muito superior à média mundial (34%), inclusive entre os mais jovens. Mas o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro Moreira, considera que esta disposição para o aprendizado é mal explorada no sistema educacional.

    — Às vezes a ciência não é apresentada como uma construção social e coletiva. Pelo contrário, costuma ser erroneamente retratada nos meios de comunicação como algo feito exclusivamente por gênios. Então, a maioria das pessoas pensa que este mundo não é para elas — lamenta. — Apesar de admirarem os cientistas, 90% dos brasileiros não sabem o citar o nome de sequer um desses profissionais. Isso é decorrente da falta de um aparato que divulgue nossas descobertas para a população, como filmes educativos e documentários, que são comuns em países desenvolvidos.

    Camila concorda: o Brasil não conta com cientistas com status de celebridades, como medalhões como Bill Gates, Stephen Hawking e Elon Musk, fundador da empresa de transporte espacial SpaceX. Mas os brasileiros estão dispostos a buscar ídolos dentro de laboratórios. No questionário, o instituto apresentou duas personalidades, o jogador Neymar e o astronauta Marcos Pontes, e perguntou com quem os entrevistados gostariam de jantar. Pontes angariou quase metade (49%) dos votos. Entre as mulheres, a epidemiologista Celina Turchi, que descobriu a relação entre zika e microcefalia, também teve um desempenho expressivo — 42% a convidariam para um evento, enquanto 58% prefeririam a companhia da cantora Ivete Sangalo.

    No futuro, Celina, Pontes e outros tantos podem ser ainda mais requisitados, já que 66% dos brasileiros estimam que os melhores dias da ciência ainda estão por vir. Três em cada quatro (76%) entrevistados pensam que verão a cura do câncer em vida. E 51% têm a esperança de testemunhar carros voadores riscando o céu.

     — Mais de 80% dos pais gostariam que os filhos conhecessem melhor a ciência — conta Camila. — As famílias, o poder público e as instituições de ensino devem, em conjunto, oferecer oportunidades para os estudantes, principalmente a partir do final do ensino fundamental. Precisam mostrar como aquilo que estudam na sala de aula pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade.

    Por enquanto, porém, o país está levando nota vermelha — 74% acreditam que o Brasil está ficando para trás de outras nações quando se trata de avanços científicos. Para 42%, o financiamento inadequado é o maior obstáculo.

    — A população sabe que o atraso da ciência brasileira está vinculado à decadência de nosso processo político — observa Ildeu. — Durante a crise econômica, vemos que as pesquisas estão entre as primeiras áreas a perder recursos públicos, que são destinados para outras áreas. A maioria das pessoas discorda dessa medida.

    Fonte: O Globo

     


  • Assessor da Opas diz que Anvisa errou em debate sobre rotulagem de alimentos – O Joio e o Trigo

    Publicado em 15/04/2018 às 18:11

    O brasileiro Fabio Gomes, da Organização Panamericana de Saúde, considera que agência se abriu ao diálogo com as empresas sem ter clareza do objetivo a ser alcançado

    A Anvisa colocou o time em campo sem estudar o adversário? Na opinião de Fabio Gomes, assessor regional em Nutrição e Atividade Física da Organização Panamericana de Saúde (Opas), sim. Ele entende que a agência não treinou o suficiente antes de iniciar o debate público sobre rotulagem frontal de alimentos. E, agora, está perdida dentro das quatro linhas, sem saber se vai na base do chutão ou se tenta algo mais refinado.

    “Os países que obtiveram sucesso em formular sua proposta foram países que, sim, ofereceram espaço para a indústria opinar, mas que desde o princípio formularam suas propostas de saúde pública e que estavam preparados para o debate com os atores que não têm como interesse primário a saúde pública”, ele lamenta.

    Gomes está há dois anos vivendo entre Washington e o aeroporto. Ele circula as Américas tentando oferecer respostas para a epidemia de obesidade que se espalhou dos Estados Unidos pelo continente abaixo. Impostos sobre bebidas açucaradas e alertas em rótulos de produtos ultraprocessados são duas inovações latino-americanas que acabaram sendo adotadas por outros países, estados e municípios.

    No Brasil, a Anvisa estuda qual sistema de rotulagem adotar. A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável encampa uma proposta baseada no modelo chileno, de advertências sobre excesso de sal, gordura e açúcar. A Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) quer um semáforo com cores verde, amarelo e vermelho para cada nutriente. Um dos criadores desse sistema, Mike Rayner, da Universidade de Oxford, não só admite que ele não funciona a contento, como figura em abaixo-assinado que pede que a Anvisa adote o sistema do Chile.

    A agência segue em dúvida. E coloca no mesmo patamar de respeitabilidade as evidências científicas apresentadas pela sociedade e pela indústria. Recentemente, o órgão regulador anunciou que estuda também a adoção do NutriScore, modelo desenvolvido na França. No Brasil, esse sistema foi inscrito depois do prazo e por uma associação com laços fortes com as empresas.

    Ex-presidente da Associação Mundial de Nutrição e Saúde Pública e pesquisador do Instituto Nacional de Câncer, o carioca Fabio Gomes estuda como o conflito de interesses entre saúde pública e lucro afeta a elaboração de políticas efetivas.

    Ele conversou conosco durante uma passagem por São Paulo, em março. Confira a seguir.

    Como surgiu seu interesse por estudar o conflito de interesses?

    A interferência da indústria nos processos de políticas públicas é a principal razão para essas políticas existirem ou não existirem, serem mais fortes ou mais fracas, serem implementadas de forma mais rápida ou mais lenta. Qualquer que seja a política, se for efetiva, a indústria vai tentar impedir ou atrasar. E vai usar todas as armas que tem. Distorcer a evidência científica que vai servir para guiar a política. E interferir na formulação da política.

    A ideia de que a indústria tem que participar da formulação obviamente tenta defender seus interesses, mas vem com o discurso de que tem uma contribuição técnica a fazer.

    Depois, na implementação. Se você não se valeu de evidências independentes, se não excluiu evidências enviesadas… Se você separou no processo de formulação e fez uma política independente dessa influência, ainda assim na implementação vão tentar impedir para que não chegue a ser implementada.

    Depois, mesmo que consiga sucesso na implementação, muitas vezes é mais barato para a indústria violar a lei do que cumprir. Podem se usar da fragilidade das sanções para simplesmente ignorar a política.

    As políticas que são necessárias de ser implementadas dão às pessoas a condição de livrá-las dessa pressão para que realmente possam tomar decisões autônomas. Posso desenhar as melhores políticas, mas elas vão ficar estacionadas se eu não conseguir proteger esse espaço de formulação.

    Circulando pelo continente, você consegue enxergar padrões repetidos dessa interferência?

    Isso se dá de diferentes formas. Os países também estão em diferentes estágios de formulação. Mas em todas as etapas os fabricantes têm uma entrada para interferir. Do ponto de vista da formação profissional e da distorção da evidência que vai servir como base para a formulação da política, isso se dá com todo mundo, em todas as esferas. Em todos os países há um grupo de pesquisadores que é capturado e utilizado para defender os interesses de determinada corporação.

    Em alguns casos você tem essa interferência nos parlamentos, no Executivo, nos vários níveis de governo.

    Outra coisa que a gente percebe é que existe uma conexão. Não são empresas que estão atuando isoladamente num país. Especialmente na América Latina, essas empresas, por mais que exista uma certa competição, no momento em que uma política regulatória restringe a operação ou a capacidade de expandir, elas se juntam. Isso constitui uma ameaça para todas elas.

    Outra coisa bem peculiar da América Latina é que elas se escondem atrás de associações de indústrias. Em geral, não é tornado visível quais empresas estão se opondo. A grande estratégia é se opor sem ser percebida como opositora. Em todos os países se posicionam como atores que estão contribuindo para o processo. A forma de se posicionar nesse processo não é a de um ator que está atrasando. É quem está aportando evidência, contribuindo para o país.

    Outra coisa que acontece é a duplicidade de discursos. Isso sempre vai acontecer. Existe um discurso para os acionistas, um discurso para a população e um discurso para os governos. Quando estão falando para a população ou se opondo a alguma coisa, você não enxerga as marcas dessas empresas. Isso vale mais do que qualquer coisa para eles. Em alguns países isso foi utilizado no sentido contrário, para tentar frear essa pressão. Expor a imagem deles foi algo que aconteceu nos países que conseguiram avançar.

    Outra coisa que aconteceu nos países que conseguiram avançar foi que se prepararam antes de abrir o diálogo com a indústria. Então, a exigência da indústria de que deve fazer parte do processo é uma exigência que deve ser atendida, mas de forma apropriada. Ouvir o setor que será regulado faz parte, mas esse momento tem que ser aberto quando você está preparado para ouvir e discutir. Quando você tem clareza do que quer.

    Se você vai para esse diálogo sem ter certeza do que quer como governo, como poder público, você nunca vai sair do lugar. Você sempre vai partir de um zero e a indústria sempre vai tentar gerar a dúvida. Aumentar a falta de certeza que o regulador tem. Se você não tem clareza do que quer fazer como governo, é um prato cheio para eles.

    Nesse sentido, como você enxerga o debate sobre rotulagem frontal no Brasil?

    Isso é um cuidado que deveria ter sido tomado. Os países que obtiveram sucesso em formular sua proposta foram países que, sim, ofereceram espaço para a indústria opinar, mas que desde o princípio formularam suas propostas de saúde pública e que estavam preparados para o debate com os atores que não têm como interesse primário a saúde pública.

    Se meu interesse primário é a saúde pública, minha proposta tem que estar preparada nesse sentido. Eu preciso ouvir os outros setores sobre o impacto, mas com clareza sobre o que vou fazer.

    Essa é uma lição que o Brasil deve levar em relação a outros temas que foram discutidos. Como o tabaco. Você tem uma definição clara do seu objetivo e dos beneficiários desse objetivo.

    Se você desde o princípio envolve aqueles que não têm como interesse primário a saúde pública, não vai bem. É isso que está acontecendo. Eu entendo a agência reguladora envolver a indústria na discussão, mas é o momento errado, antes de ter uma proposta concreta.

    Todos os países que conseguiram avançar em um bom tempo dialogaram com a indústria, mas trabalharam com uma produção de evidências independente, com uma proposta focada em atender os interesses da saúde pública para que então pudessem discutir isso com os outros setores que sofreriam o impacto.

    Os sinais de advertência têm o objetivo declarado de desestimular o consumo de ultraprocessados. Como garantir que ocorra isso, e não um simples ranqueamento de ultraprocessados?

    A rotulagem frontal de advertência nutricional não resolve todos os problemas.

    Essa advertência tem que competir com outros elementos de promoção dos produtos que são muito mais poderosos. Isso não significa que a advertência não tenha que existir. Significa que precisa ser combinada com outras políticas públicas que possam permitir que essa competição seja mais equilibrada. Boa parte dos estudos feitos no Uruguai apontaram a advertência como um sistema que funciona melhor porque compete de forma mais eficiente com outros elementos persuasivos.

    Esses outros elementos são poderosos para induzir a compra, assim como a publicidade. São poderosos de maneira tal que podem fazer com que as pessoas consumam esses produtos. A advertência nutricional, entre os sistemas existentes, é o que permite diminuir esse efeito persuasivo dos elementos, mas não é um super-herói.

    Para reduzir a demanda de ultraprocessados precisa combinar essa advertência com restrições mais rigorosas. Como as políticas fiscais. Precisamos aplicar os impostos de maneira coerente com a saúde pública.

    A outra coisa é a regulação da publicidade. Se a gente continuar tendo o estímulo irrestrito a esses produtos, a possibilidade da advertência frontal será mais limitada.

    E outra política é a restrição nos ambientes. Escolas, prédios públicos, universidades, outros espaços que a gente possa restringir a oferta e a promoção desses produtos.

    Voltando à sua pergunta, os dados que temos do Chile mostram dois movimentos. Um movimento das pessoas que compram produtos com menos selos. E um movimento das pessoas que deixam de comprar esses produtos. Agora, obviamente que a advertência frontal nos fecha no mundo dos processados e ultraprocessados, e a maior parte da alimentação não deve vir desses alimentos. Então, como a gente preserva o sistema alimentar? A rotulagem frontal é um elemento de restrição da demanda da parte do sistema que a gente precisa reduzir.

    A mensagem que a gente deve trazer é de consumir menos produtos ultraprocessados, não importa quantos selos ele tem. No Chile há uma estratégia para promover a culinária, a alimentação. Isso é muito importante. O Guia Alimentar do Brasil existe para dar conta disso.

    Quais as políticas mais efetivas para estimular a alimentação saudável? Na América Latina, um cidadão da periferia pode ter dificuldade de acesso a produtos frescos, ou pode perder cinco horas por dia em transporte.

    Uma questão é o abastecimento das cidades. A gente vê um processo de monopolização da produção e da distribuição. Obviamente isso dificulta a capilaridade desse sistema.

    Mas, pensando no lado positivo, as feiras livres, a ideia de fechar uma rua de todo bairro pelo menos uma vez por semana para dar acesso a produtos frescos, são um grande aliado.

    É bem diferente do modelo europeu ou americano, que elitizou muito a feira. No Brasil, a feira torna o produto acessível, tanto do ponto de vista físico como econômico. Isso foi degradado nos últimos anos pela concentração nos mercados, assim como os Ceasas e os mercados municipais foram degradados. Era uma forma de se pensar a distribuição de alimentos e o abastecimento da cidade de forma que pudesse chegar a todo mundo. Os carrinhos de frutas são um exemplo de tecnologia tradicional. Alguns países que não tinham isso começaram a importar, algo que a gente tem na América Latina há muitos anos.

    Mas a gente também precisa resgatar o tempo que as pessoas dedicam à alimentação. A gente pode pensar em formas de facilitar isso considerando que o tempo não vai mudar, mas isso também cola com outras agendas. Como a gente se move na cidade. É pensar a mobilidade aliada ao abastecimento, à melhor chegada dos alimentos. Pensar a saúde urbana conectada a transporte e sistema alimentar.

    Em relação à culinária, ela tem ganho mais espaço. Tem havido mais interesse. Mas tenho a percepção de que muitas vezes entra mais como entretenimento do que como uma ação cotidiana. Tudo o que se faz em relação ao ato de cozinhar é importante e fundamental, mas a gente precisa criar condições para que esse estímulo possa refletir uma ação concreta no dia a dia.

    Em alguns países, por conta de situações emergenciais, criaram cozinhas coletivas. Algumas se mantiveram como espaço coletivo de preparo e de partilha do alimento. Isso não é algo simples de pensar. Precisa pensar em equipamentos urbanos que facilitem a culinária. Mas hoje, pra começar, a gente pode pensar nas escolas, especialmente no Brasil, que tem um exemplo de alimentação escolar. A gente já teve no Brasil a culinária no currículo escolar. Isso se perdeu. A gente pode pensar em políticas públicas para induzir ações nas escolas. Garantir aulas de culinária.

    Temos visto a indústria e setores acadêmicos ligados a ela dizerem que o Guia Alimentar e a classificação NOVA carecem de fundamentação científica. Como você vê essa crítica?

    Todos os modelos de classificação de alimentos que definem uma alimentação saudável sempre chegam no mesmo lugar. É no processamento. Alguns países e alguns cientistas criticam é o conceito em si. Mas, do ponto de vista da evidência científica, todo padrão de alimentação saudável chega à mesma conclusão: quanto menos processado o que você come, melhor.

    A classificação tem fundamento científico. Já foi usada em vários países. Ajuda a explicar a má alimentação em países com uma alimentação muito diferente, mas com um elemento em comum: o ultraprocessamento.

    A crítica vem muito em relação a que você pode ter um alimento ultraprocessado com um perfil de nutrientes adequado. Mas, quando a gente está falando de obesidade e de alimentação não saudável, a gente está falando de nutrientes e de modos de comer.

    A gente precisa olhar o perfil nutricional e o perfil não nutricional. O perfil não nutricional dos alimentos é aquele que promove um consumo excessivo, promove a compulsão alimentar. Isso não tem a ver só com nutrientes. Posso promover um consumo excessivo de um produto que é baixo em sal e açúcar se eu adicionar um realçador de sabor.

    Tenho usado muito o conceito do perfil não nutricional. Um alimento desenhado para provocar um consumo excessivo e para desarmar todas as armas que a gente tem para controlar o consumo.

    Algumas pessoas criticam no sentido de que o grupo de ultraprocessados é muito heterogêneo. Mas você ainda pode classificar os ultraprocessados.

    Um dos motivos mais subjacentes dessa crítica… os países do Norte têm uma quantidade de ultraprocessados muito grande. Então, aceitar que o ultraprocessado é um problema é muito frustrante. Eu sinto uma resistência de certos pesquisadores. O ultraprocessado é a maior conquista que a indústria teve. Nesse momento, não consigo fazer uma pessoa que vive num ambiente em que 60% do que ela come são ultraprocessados não enxergar aquilo como alimento. É muito difícil. Porque isso foi conquistado.

    Um outro fator, não sei se é uma percepção minha. Em várias ocasiões, algumas pessoas comentaram comigo que essa classificação é uma invenção de um grupo de pesquisadores brasileiros e que não é baseado em evidências. Qual o problema de ter sido inventado por um brasileiro? Se tivesse sido inventado por um grupo de ingleses, essa crítica não existiria. Essa crítica aparece várias vezes. E aparece mais na América Latina. Mas lá no Norte eu sinto que aparece também. Há um preconceito porque não foi inventado nos EUA, na Europa, na Austrália e no Canadá. Inventado, não: alguém encontrou uma forma de classificar o que está acontecendo.

    Todas as pessoas que dizem que não há evidência deveriam apresentar a evidência de que isso não se aplica. Ninguém provou que comer mais ultraprocessados é melhor para a saúde. Ninguém.

    Foto em destaque: arquivo da World Public Health Nutrition Association.

  • Nota de repúdio Abrasco com a Exoneração da professora Rita Barata Barradas

    Publicado em 15/04/2018 às 18:10


  • Notícia de Capa: CGAN participa de reunião da Comissão Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional do Mercosul

    Publicado em 15/04/2018 às 17:54

    Notícia de Capa: CGAN participa de reunião da Comissão Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional do Mercosul

    Entre os dias 03 e 04 de abril, em Assunção, Paraguai, a CGAN participou da reunião Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional preparatória de Ministros de Saúde do Mercosul.

    Com presença também de representantes dos Ministérios da Saúde da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, e também de representantes da Organização Panamericana de Saúde, o grupo discutiu temas e ações conjuntas para avançar na agenda de enfrentamento da obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis, um dos principais problemas na agenda de nutrição no bloco. Merece destaque o debate em torno da necessidade de avanço na rotulagem de alimentos acerca de nutrientes críticos (gorduras, açúcares e sódio), como estratégia para possibilitar o consumidor a realizar uma escolha crítica e melhor informada sobre o produto que estará consumindo. (…)

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1778; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

    Nesta edição:

    • CGAN participa de reunião da Comissão Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional do Mercosul
    • Lançamento do ‘Caderno Legislativo: publicidade infantil’ – 2018
    • Bons hábitos e planejamento ajudam na alimentação saudável
    • Espaço dos estados: Bujari (AC) recebe oficina de conhecimento alimentar em alusão ao Dia Nacional da Saúde e Nutrição
    • Espaço dos estados: Exercícios para uma melhor gestação são oferecidos na Academia da Saúde
    • De Olho na Evidência: Coca-Cola usa tática de empresas de cigarros, diz estudo
    • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
    • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira: Vida de adulto – o que comer?
    • Saiu na Mídia

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

    Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

    Departamento de Atenção Básica

    Secretaria de Atenção à Saúde

    Ministério da Saúde


  • Oficinas de capacitação para uso do Sisvan – Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional

    Publicado em 09/04/2018 às 14:07

    Oficinas de capacitação para uso do Sisvan – Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional

    Nos dias 26 e 27 de março, a Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição – CGAN/DAB realizou duas oficinas de capacitação para uso do Sisvan – Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. Esse momento de formação teve como objetivo capacitar os usuários do Sisvan sobre as suas funcionalidades, considerando que esse sistema tem o papel fundamental na gestão das informações da Vigilância Alimentar e Nutricional e sua interface com (…)

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1777; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

    Nesta edição:

    • Oficinas de capacitação para uso do Sisvan
    • Curso de Educação a Distância do PBF na Saúde
    • Videoconferência – Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade
    • Nota de pesar pelo falecimento – Prof. Dra. Dirce Maria Sigulem e Ana Fonseca
    • Seleção de consultores externos para SESAN/MDS – FAO
    • Espaço dos estados
    • De Olho na Evidência
    • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
    • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira
    • Saiu na Mídia

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

    Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

    Departamento de Atenção Básica

    Secretaria de Atenção à Saúde

    Ministério da Saúde

    Portal do Departamento de Atenção Básica: http://dab.saude.gov.br/portaldab/

    Comunidade de Práticas: https://www.facebook.com/comunidadedepraticas

    RedeNutri: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php


  • Seleção de Bolsista de Graduação

    Publicado em 06/04/2018 às 10:54


  • Alimentação e Nutrição no INTERCONGREPICS 2018

    Publicado em 02/04/2018 às 16:18

    Alimentação e Nutrição foi tema presente no 1º Congresso Internacional de práticas integrativas e complementares no SUS, realizado durante os dias 12 a 15 de março, no Rio de Janeiro. Além de ser citada como um dos elementos fundamentais para o cuidado e a promoção da saúde em apresentações de palestrantes nacionais e internacionais, esteve como ponto central em quatro mesas de atividades paralelas no congresso (…)

     

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1776 ; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

     

    Nesta edição:

    • Alimentação e Nutrição no INTERCONGREPICS 2018
    • Lançamento do livro ‘Autorregulação da Publicidade Infantil no Brasil e no Mundo’
    • Inscrições abertas para o curso EAD Amamenta e Alimenta Brasil!
    • # anuncia para mim
    • A Pastoral da Criança apoia o conteúdo da Carta Aberta à Anvisa
    • Monitoramento Semanal dos programas estratégicos da CGAN
    • Espaço dos estados
    • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira
    • De Olho na Evidência
    • Saiu na Mídia

     

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.


  • Larissa Mies Bombardi – geógrafa e professora da USP reflete sobre agricultura, com ênfase no uso de agrotóxicos

    Publicado em 02/04/2018 às 16:17

    A sugestão para um blog me foi dada há alguns anos atrás por um amigo. Naquele momento achei que não caberia. Depois, conforme o tempo foi passando, achei que seria bacana ter um canal direto para disponibilizar alguns escritos.

    Quando a sugestão me foi dada, estava vinculada aos escritos de geografia. Entretanto, me encantou a ideia de poder também ter um canal para expressar algumas reflexões sobre a questão do feminino.

     Para os que não conhecem a autora deste blog: sou geógrafa, formada na Universidade de São Paulo. Fiz mestrado e doutorado no Programa de Pós Graduação em Geografia Humana – USP. Atualmente sou Professora do Departamento de Geografia da USP.

     Sempre, desde a graduação, após uma viagem conduzida pelo Prof. Ariovaldo Umbelino de Oliveira, que mais tarde veio a se tornar meu orientador, enveredei pelo estudo da Geografia Agrária.

     Boa parte dos escritos disponibilizados neste blog, bem como os que ainda aqui não estão, mas que fazem parte de minha produção bibliográfica, estão vinculados à Geografia Agrária.

     No começo de minha trajetória acadêmica mergulhei no estudo e compreensão do campesinato. Fiz trabalhos de campo inesquecíveis, que me proporcionaram o contato com esta classe sui generis, da qual fazem parte aquelas entre as pessoas mais generosas e sábias que já conheci.

     Posteriormente, há alguns anos, passei a estudar também a questão dos agrotóxicos, o seu uso no Brasil, o desdobramento deste uso e a compreensão desta lógica, inserida que está no capitalismo mundializado.

     Finalmente, nos últimos anos, tenho também me permitido refletir sobre a questão do feminino e, neste caminho, “por dentro”, tenho buscado ver também a geografia, a questão agrária e a questão da Terra (em seu sentido latto).

     Para mais detalhes da minha formação e atuação profissional, segue o link do Lattes: http://lattes.cnpq.br/8866149305832269

    O blog pode ser acessado pelo seguinte link: https://www.larissabombardi.blog.br


  • Confirmação de Conflitos de Interesses em Estudos de Nutrição

    Publicado em 02/04/2018 às 16:12

    Source of bias in sugar-sweetened beverage research: a systematic review

    Abstract

    Objective

    Financial conflicts of interest involving the food industry have been reported to bias nutrition studies. However, some have hypothesized that independently funded studies may be biased if the authors have strong a priori beliefs about the healthfulness of a food product (‘white hat bias’). The extent to which each source of bias may affect the scientific literature has not been examined. We aimed to explore this question with research involving sugar-sweetened beverages (SSB) as a test case, focusing on a period during which scientific consensus about the adverse health effects of SSB emerged from uncertainty.

    Design

    PubMed search of worldwide literature was used to identify articles related to SSB and health risks published between 2001 and 2013. Financial relationships and article conclusions were classified by independent groups of co-investigators. Associations were explored by Fischer’s exact tests and regression analyses, controlling for covariates.

    Results

    A total of 133 articles published in English met inclusion criteria. The proportion of industry-related scientific studies decreased significantly with time, from approximately 30 % at the beginning of the study period to <5 % towards the end (P=0·003). A ‘strong’ or ‘qualified’ scientific conclusion was reached in 82 % of independent v. 7 % of industry-related SSB studies (P<0·001). Industry-related studies were overwhelmingly more likely to reach ‘weak/null’ conclusions compared with independent studies regarding the adverse effects of SSB consumption on health (OR=57·30, 95 % CI 7·12, 461·56).

    Conclusion

    Industry-related research during a critical period appears biased to underestimate the adverse health effects of SSB, potentially delaying corrective public health action.

    O artigo pode ser acessado no seguinte link: https://www.cambridge.org/core/journals/public-health-nutrition/article/source-of-bias-in-sugarsweetened-beverage-research-a-systematic-review/DCF130110F4E7DB8E0B30FD03F3AC018


  • Pesquisadores da UFSC participam de missão em Minas Gerais com foco nos produtos locais

    Publicado em 02/04/2018 às 16:05

    O mestrando Leandro Guimarães, vinculado ao Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e do Território (Lemate), e o professor Aparecido Lima da Silva, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias (CCA), da UFSC, participaram de uma missão de estudo no estado de Minas Gerais. Juntamente com uma equipe interinstitucional e representantes de agricultores da Serra Catarinense, eles estiveram, entre 2 e 7 de março, nos municípios mineiros de Tiradentes, São Roque de Minas e Patrocínio.

    O objetivo da missão foi vivenciar as experiências de indicação geográfica e valorização de produtos e serviços locais. Assim, os integrantes da “Missão MG” conheceram as novas tecnologias, tendências, boas práticas e as ações de cooperação empreendidas nos municípios visitados, que podem ser adaptadas à região serrana de Santa Catarina.

    A missão foi organizada pelo Sebrae-SC e contou com participação de representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Associação de Municípios da Região Serrana, Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Associação Empresarial de Lages, Câmara de Dirigentes Lojistas de Lages, Associação Brasileira de Produtores da Maçã, produtores de maçã e de mel de melato e pesquisadores da UFSC.

    O primeiro destino da atividade foi Tiradentes, onde o grupo pôde presenciar iniciativas da valorização dos produtos e serviços locais por meio da gastronomia e a realização de uma feira municipal, que integra um roteiro turístico nos produtores da região, denominado “Rota do Sabor de Tiradentes”. Além disso, os envolvidos dialogaram com duas representantes da Associação Empresarial de Tiradentes, organização que promove diferentes ações, como eventos e capacitações, além de atuar junto ao poder legislativo municipal.

    Na sequência, foi realizada uma visita a São Roque de Minas, situado na Serra da Canastra. Neste município foi possível conhecer a história do queijo mineiro artesanal canastra e a atuação da Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan). A Associação possui a certificação de registro de Identificação Geográfica do Queijo Minas Artesanal Canastra, que garante aos seus associados a agregação de valor, reconhecimento da notoriedade do produto e uma maior proteção do queijo produzido na região frente ao mercado nacional.

    Por fim, o grupo conheceu algumas experiências em Patrocínio. Na Federação dos Cafeicultores do Cerrado foi assistida uma palestra sobre a história da indicação geográfica do café do Cerrado Mineiro e da Denominação de Origem, que foi a primeira denominação de origem de café no Brasil. Hoje, a federação é formada por representantes de 55 municípios e contém sete associações e nove cooperativas de produtores de café da região. Todos os produtores que participam dessas organizações passam por um processo de certificação da origem de qualidade da região, através de um sistema de rastreabilidade e de um selo de origem que certifica a origem e o laudo da qualidade do café.

    A partir das experiências vivenciadas, os participantes discutiram as potencialidades da região serrana no que se refere à valorização dos recursos territoriais e, especificamente, a implantação da Indicação Geográfica para maçã fugi, o mel de melato e os vinhos finos de altitude da serra catarinense. Nesse sentido, foi reiterada a importância de um projeto de maior abrangência voltado à adaptação da metodologia da “Cesta de bens e serviços territoriais” formulada originalmente na França. A adequação dessa metodologia para a realidade catarinense teve início no fim do ano passado, por uma equipe interinstitucional, na qual incluem membros da UFSC, Sebrae, Mapa, Udesc, Epagri e Secretaria do Estado de Planejamento.

    A “Missão MG” representa mais um passo no sentido de fortalecer parcerias institucionais e estimular novas ideias, que promovam o desenvolvimento rural. As iniciativas de indicação geográfica ou de denominação de origem são ferramentas de valorização de produtos específicos, mas também de desenvolvimento territorial sustentável.


  • Seleção Pós-doutorado PPGN-UFSC

    Publicado em 02/04/2018 às 16:02

    Está aberto o edital para seleção de aluno bolsista de Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC

    O edital pode ser acessado nesse link: http://ppgn.ufsc.br/sobre-o-curso/pos-doutorado-no-ppgn/

     


  • #Os100Mais Comentados

    Publicado em 01/03/2018 às 9:33

    Empresa divulga o ranking com artigos científicos que chamaram a atenção dos leitores nas mídias sociais em 2017

    Reduzir o consumo de gorduras pode não ser a melhor alternativa para diminuir o risco de doenças cardiovasculares e de morte, segundo a principal conclusão do estudo mais comentado nas mídias sociais em 2017. O paper, que recomenda cortar carboidratos, está no topo do ranking dos 100 artigos científicos de maior impacto na internet elaborado pela Altmetric, empresa do Reino Unido que monitora a influência da produção científica por meio não da citação em artigos, mas da análise de menções em sites, redes sociais, Wikipedia, portais de notícia e blogs. Grande parte das pesquisas mais discutidas no ano passado trata de assuntos como estereótipos de gênero, estigmas em torno de doenças mentais e efeitos das mudanças climáticas. Outras abordam tópicos como planetas capazes de sustentar a vida e o risco de robôs roubarem o emprego de seres humanos. O ranking completo está disponível em altmetric.com/top100/2017/.

    paper que lidera o ranking de 2017 foi publicado em agosto na revista The Lancet por pesquisadores de vários países, inclusive do Brasil, e avaliou a dieta de aproximadamente 130 mil pessoas em 18 nações nos últimos 10 anos. Segundo a base de dados Scopus, da editora Elsevier, o trabalho recebeu, por enquanto, apenas 10 citações em outros artigos. Mas teve impacto importante entre públicos variados: foi citado em mais de 7.400 posts no Twitter, 422 páginas no Facebook e 130 sites de notícias. “Graças aos dados da Altmetric é possível ter um quadro mais completo do alcance imediato da pesquisa na sociedade”, observa o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da Divisão de Pesquisa do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, e um dos autores do artigo. O número de citações, ele diz, é um parâmetro consagrado para avaliar a relevância da produção científica, mas não fornece pistas de como seus resultados são recebidos pela população.

    O ranking da Altmetric é divulgado anualmente desde 2013 (ver Pesquisa FAPESP nº 250). No ano passado, os 100 artigos da lista renderam, no total, mais de 200 mil menções. A maioria foi feita no Twitter (165 mil), seguido de sites de notícias (25 mil) e do Facebook (6.164). “As mídias sociais são as fontes mais importantes para avaliar o engajamento das pessoas ao compartilhar ou comentar posts em que os artigos científicos são divulgados”, explica o especialista britânico em bioinformática Euan Adie, fundador da Altmetric. “Já para analisar o alcance dos papers, é mais interessante considerar a repercussão em veículos da imprensa”, completa.

    Um artigo publicado em maio na revista Research Policy ficou na segunda posição do ranking ao repercutir não só em mais de 7.300 tuítes, mas também em importantes jornais e portais de notícias, como o espanhol El País e o norte-americano Yahoo. O estudo mostrou que um terço dos 3.659 estudantes de doutorado das universidades da região de Flanders, na Bélgica, corria o risco de desenvolver algum tipo de doença psiquiátrica. “Embora seja um problema do ambiente universitário, a discussão sobre as pressões enfrentadas por quem opta por seguir a carreira acadêmica e os distúrbios psicológicos relacionados à vida na pós-graduação está em evidência no mundo. Isso justifica o interesse do público por esse tema”, comenta o biólogo Atila Iamarino, um dos criadores da rede ScienceBlogs Brasil.

    Na terceira posição, ficou um paper do Journal of American Medical Association(Jama), assinado por pesquisadores de várias instituições dos Estados Unidos. O estudo examinou dados do Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo norte-americano, entre 2011 e 2014, e descobriu que os pacientes com idade igual ou superior a 65 anos tratados por médicas apresentaram taxas de mortalidade significativamente menores em comparação com aqueles que foram atendidos por profissionais do sexo masculino no mesmo hospital. O estudo sugere que as diferenças de gênero nos padrões de prática médica pode ter implicações clínicas no tratamento dos pacientes.

    “Como se percebe, muitos assuntos estão relacionados à saúde humana e à aptidão física”, salienta Euan Adie. Pouco mais da metade da lista (53%) é de artigos publicados em revistas médicas ou que se dirigem a quem atua em medicina. “Trata-se de um campo do conhecimento cujos avanços científicos e as descobertas afetam diretamente a vida das pessoas, diferentemente, por exemplo, da física quântica.” Um dos artigos que mais fez sucesso em 2017 propôs uma metodologia controversa para diagnosticar depressão com base em fotos do Instagram. O estudo, publicado na revista EPJ Data Science por pesquisadores das universidades Harvard e de Vermont, nos Estados Unidos, coletou 43.950 fotos publicadas no aplicativo por 166 participantes. As imagens foram analisadas por um software. Ele ajudou a identificar que indivíduos deprimidos na amostra tendiam a publicar fotos que eram, em média, mais azuis, mais escuras e mais cinzas do que aquelas publicadas por usuários saudáveis.

    Para o epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), a lista da Altmetric serve de alerta para que a comunidade científica tome cuidado na forma como os resultados de pesquisa estão sendo difundidos para o público. “Muitos estudos em saúde e medicina são divulgados nas mídias sociais como definitivos, mas nem sempre os resultados apresentados espelham um consenso dentro da comunidade científica”, afirma Monteiro. É o caso, ele diz, da pesquisa que ficou na primeira posição no ranking da Altmetric. “Apesar de ter ganho as manchetes, o estudo publicado na Lancet tem conclusões muito taxativas, como a de que as orientações sobre alimentação devem ser alteradas, e tem sido alvo de críticas de epidemiologistas de todo o mundo, por adotar metodologias questionáveis.”

    O nome do farmacêutico Anderson Martino-Andrade, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi parar na lista da Altmetric ao assinar, junto com pesquisadores de outros países, um artigo que identificou um declínio de mais de 50% na concentração de espermatozoides em homens ocidentais. O trabalho teve ampla repercussão principalmente em sites de notícia, sendo citado em 396 reportagens em vários países. “Analisamos 185 estudos publicados sobre o assunto entre 1981 e 2013, que analisaram um total de 42 mil amostras de sêmen. Algumas hipóteses para explicar a baixa concentração de espermatozoides é o aumento da obesidade, o tabagismo, o estresse e a crescente exposição a agrotóxicos”, explica Martino-Andrade. “Trata-se de um tema controverso entre pesquisadores, porque há grupos que contestam que haja um declínio na concentração de espermatozoides e que isso possa afetar a reprodutibilidade humana. O público também deveria ser informado sobre esse tipo de conflito, muito comum, que existe na ciência”, diz.

    Euan Adie, da Altmetric, chama a atenção para o fato de que nem sempre os artigos ganham notoriedade na internet exatamente por suas contribuições científicas. “Muitos papers caem na boca do povo nas mídias sociais devido a erros detectados após a publicação ou porque o assunto tratado é polêmico por si só”, diz. Ele conta que nessa última edição do ranking não houve casos de erros ou fraudes, mas recorda de situações incomuns registradas em anos anteriores. “Houve uma vez que o artigo estava no top 100 porque o autor havia escrito um pedido de casamento na seção de agradecimentos.” Em 2014, um trabalho foi muito comentado nas mídias sociais por causa de um descuido dos autores e dos editores do Journal of Ethology. O artigo, que tratava da variação de nível de melanina, pigmento que dá cor à pele, em diferentes ambientes, foi publicado com um comentário inusitado sobre uma das referências que eram citadas no texto: “Devemos citar a porcaria do artigo de Gabor aqui”. O paper foi substituído por uma nova versão, mas isso não foi suficiente para evitar a enxurrada de comentários na internet, quase todos zombando do deslize cometido pelos autores.

    Tweets, posts e zika

    Para avaliar a importância nacional e internacional da divulgação de artigos nas mídias sociais, pesquisadores do Brasil, Canadá e Estados Unidos investigaram como papers sobre o vírus zika foram compartilhados por usuários do Facebook e do Twitter no primeiro semestre de 2016, quando a doença foi declarada emergência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    O trabalho, publicado em janeiro na revista PLOS ONE, mostrou que, apesar de a língua inglesa prevalecer nos posts das duas redes sociais, no Facebook cerca de 24% das postagens foram feitas em outros idiomas, com destaque para o português e o espanhol.

    No estudo, observou-se também que posts comentando artigos com pelo menos um autor brasileiro tiveram 13% mais chance de serem escritos em português no Facebook do que no Twitter. “Os resultados indicaram que a comunicação científica sobre zika nas mídias sociais foi dominada pelo inglês, embora o Brasil seja considerado o epicentro da epidemia”, comenta Germana Barata, pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp) e autora principal do estudo.

    “No Twitter, pesquisadores publicam mais em inglês e, com isso, alcançam audiências mais globais. Já no Facebook, o impacto dos posts escritos em línguas não inglesas é local”, explica Germana, que faz estágio de pós-doutorado na Universidade Simon Fraser, no Canadá, na área de ciências da informação.

    Segundo ela, a análise indica que as informações científicas seriam mais bem difundidas para as populações atingidas se os editores considerassem divulgar resultados em português ou espanhol via Facebook.


  • Radiografia das retratações no mundo

    Publicado em 01/03/2018 às 9:30

    Estudo utiliza acervo de notícias publicadas no site Retraction Watch para traçar um panorama dos deslizes éticos em publicações científicas

    Lançado em 2010 pelos jornalistas norte-americanos especializados em ciência Adam Marcus e Ivan Oransky, o site Retraction Watch tornou-se uma fonte de informação sobre a ocorrência de casos de má conduta científica no mundo. Sua especialidade são as retratações de artigos científicos, ou seja, o cancelamento de papers após a publicação devido à descoberta de fraudes ou erros. A novidade é que o acervo de informações do site começa a abastecer estudos sobre a correção da literatura científica. Um artigo publicado em janeiro na revista Scientometrics analisou 1.623 retratações divulgadas entre 2013 e 2015 com base em parâmetros como país de origem, área do conhecimento e causa da retratação. O trabalho foi coordenado por Sonia Vasconcelos, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em coautoria com sua aluna de mestrado Mariana Ribeiro no Programa de Educação, Gestão e Difusão em Biociências do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis.

    Observou-se que as retratações divulgadas no site estavam distribuídas por 71 países, mas a análise teve como foco as 15 nações responsáveis pela maior parte (85%) dos casos (ver quadro). Em comum, são países bastante produtivos em termos de publicações científicas. O Brasil não figura nessa lista, apesar de em 2015 ter ficado em 13º lugar no ranking das nações com maior número de artigos indexados na base de dados SCImago Journal Country Rank. Segundo Sonia Vasconcelos, a ausência do país provavelmente se deve ao fato de a quantidade de artigos brasileiros no PubMed, banco de dados com a literatura da área biomédica, ser mais baixa que a de outros países.

    A pesquisa mostra que as ciências biomédicas, médicas e clínicas responderam por mais de 60% do total de retratações entre 2013 e 2015. As chamadas ciências duras, como a física, representaram 17% das retratações; áreas multidisciplinares, 12%, e ciências humanas e sociais, 8%. Sonia chama a atenção para o fato de que o Retraction Watch tende a publicar mais notícias sobre casos nas ciências biomédicas pela maior familiaridade dos criadores do site com essas áreas. “Também não podemos ignorar que, historicamente, as áreas biomédicas vêm sendo as mais ativas no âmbito das ações em integridade científica e ética em pesquisa”, diz. As ciências humanas e sociais tiveram uma quantidade de retratações (118) menor que a de outros campos. Mas 58% delas se referiram a casos de má conduta científica, uma proporção superior à observada nas demais disciplinas. Segundo Sonia Vasconcelos, isso pode ser parcialmente explicado pela existência de pesquisadores de ciências humanas e sociais reincidentes, cada um deles com vários artigos retratados por deslizes éticos.

    Cada paper retratado discutido no Retraction Watch foi creditado a apenas um país, aquele a que pertence o autor correspondente, em geral responsável pelo conjunto dos resultados. Juntos, Estados Unidos e China representaram cerca de 41% do total de retratações, com 376 e 283 artigos cancelados, respectivamente. Os Estados Unidos também tiveram o maior número de retratações por má conduta (225), seguidos por Japão (75) e Índia (61). Um caso peculiar foi observado no Japão: apenas dois autores, o endocrinologista Shigeaki Kato, ex-pesquisador da Universidade de Tóquio, e o cirurgião Yoshitaka Fujii, da Universidade de Toho, foram responsáveis por 28 e 20 retratações, respectivamente – isso representa 48% de todos os casos japoneses no período analisado.

    Sonia observa que o Retraction Watch exibe apenas uma fração das retratações, aquelas relacionadas a periódicos de maior prestígio, indexados em bancos de dados internacionais. Para ampliar seu alcance, o site criou no ano passado um banco de dados abrangente, com uma cobertura mais ampla que a oferecida pelo acervo de notícias. “Essa base ajudará a ampliar a compreensão sobre o cenário de correção da literatura científica e permitirá um aprofundamento das considerações que fizemos no artigo publicado em janeiro”, afirma Sonia. Em nota publicada em agosto de 2017, a equipe do Retraction Watch informou que o banco de dados já havia catalogado aproximadamente 8 mil retratações. Estima-se que esse número chegue a 15 mil nos próximos meses.

    Práticas questionáveis 
    No estudo publicado na Scientometrics, as autoras identificaram que 47% das retratações foram causadas por formas mais graves de má conduta científica, como fraudes e manipulação de dados. Já erros em que não há indícios de má-fé dos autores foram responsáveis por 11% dos cancelamentos. Também houve registro de práticas questionáveis que nem sempre caracterizam má conduta. “Mas algumas delas colocam em risco a confiabilidade do artigo, como, por exemplo, distorções na atribuição de autoria e conflitos de interesse não declarados”, explica Mariana Ribeiro.

    As autoras alertam que os resultados podem ter vieses. “A predominância de casos de má conduta pode significar que o Retraction Watch discute muito mais episódios motivados por falhas graves ou intencionais, porque isso atrai maior atenção dos leitores”, explica Sonia. Mesmo assim, diz ela, o estudo reflete um cenário já indicado em trabalhos anteriores. Outro estudo, publicado na Scientometrics em 2013, mostrou que a porcentagem de todas as retratações envolvendo alegações de má conduta cresceu de 55%, do total em 2007, para 71%, em 2010.

    Embora o Brasil não tenha sido contemplado na análise, em um estudo publicado em 2016 na revista Science and Engineering Ethics, Sonia e outros autores mostraram que houve crescimento no número de casos de má conduta científica detectados envolvendo autores brasileiros nos últimos anos (ver Pesquisa FAPESP nº 240). O trabalho analisou mais de 2 mil papers indexados na biblioteca virtual brasileira SciELO e na base de dados latino-americana de informações em ciências da saúde (Lilacs) entre 2009 e 2014. Ele indicou que as retratações estão em ascensão nas duas bases de dados: entre 2004 e 2009, foram identificadas de uma a duas retratações por ano; já entre 2011 e 2012, a média subiu para sete. O plágio foi a principal razão para as retratações dos artigos brasileiros, sendo responsável por 46% do total.

    Fonte: Pesquisa Fapesp


  • Publicado em 20/02/2018 às 19:26


  • Levantamento revela que cereais matinais produzidos no Brasil têm excesso de açúcar

    Publicado em 15/02/2018 às 10:51

    As pesquisadoras Eliana Bistriche Giuntini e Kristy Soraya Coelho, nutricionistas e membros do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), realizaram levantamento de teor de sal e açúcar em 29 tipos de cereais matinais vendidos no Brasil, e descobriram que somente seis apresentam pouco açúcar (menos de 5 g/100 g): as aveias e um mix de cereais. Outros cinco revelam teor um pouco acima do recomendado e 18 estão bem acima, apresentando mais de 22,5 g de açúcar por 100 g de produto.

    “Vários estão com 40 g de açúcar por 100 g de produto, incluindo as granolas, produtos que têm apelo saudável, pois são ricos em fibra alimentar e fontes de proteína. Segundo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está estabelecido apenas o baixo conteúdo de açúcar, que é, no máximo, 5 g por 100 g de produto. E este não é um problema só do Brasil”, explica Eliana. Os dados foram colhidos entre julho e agosto e as marcas pesquisadas foram Kellogg’s, Nestlé e Quaker.

    O levantamento foi realizado como parte da pesquisa da World Action on Salt and Health (WASH) sobre o teor de açúcar e sal em cereais matinais em 29 países. Os resultados foram divulgados nesta terça, 29 de novembro.

    Entre os cinco cereais com mais açúcar encontrados nos países pesquisados, figura o Kellogg’s Froot Loops vendido no Brasil e no México, com espantosos 40 g de açúcar para cada 100 g do produto. O Brasil também figura na lista dos cinco menos açucarados, com o Kellogg’s Corn Flakes. Confira nas tabelas abaixo, publicadas pelo site da WASH:

    tabela cereais
    tabela cereais menos

    “Enviamos dados de 29 cereais de três grandes empresas, porque o solicitado era que mandássemos informação sobre produtos vendidos também em outros países, para efeito de comparação”, diz a nutricionista, chamando a atenção, ainda, para a ausência de dados sobre o açúcar adicionado aos alimentos nos rótulos de produtos alimentícios no Brasil.

    “Nossa legislação não exige que a rotulagem traga o quanto de açúcar foi adicionado ao produto. O que temos nos rótulos são dados de açúcar total. Mas, em determinados produtos, a matéria prima já traz um pouco de açúcar. Então seria interessante e prudente que nossa legislação exigisse que fosse acrescentada, no rótulo, a informação sobre o açúcar adicionado ao alimento. Apenas alguns poucos produtos trazem essa informação, no geral aqueles direcionados ao consumo infantil.”

    Quanto ao sal, 16 dos cereais pesquisados continham quantidades consideradas adequadas, e 13 já apresentavam teor um pouco acima do recomendado. “Mas esse tipo de produto não é salgado. Mesmo assim, uma boa parcela ainda tem conteúdo um pouco elevado de sal. Agora, definitivamente, o maior problema é o açúcar. Segundo a Organização Mundial de Saúde a recomendação é de que o consumo de açúcar não exceda a 10% da ingestão diária de energia, aproximadamente 50 g por dia, para um adulto”, diz Kristy.

    Sobre a pesquisa WASH

    A pesquisa WASH analisou a composição nutricional (açúcar e sal), cereais matinais em 29 países, a fim de estabelecer comparações internacionais, com foco em 19 produtos encontrados em um grande número de países participantes. Entre as principais descobertas do levantamento constam:

    • Mais metade dos cereais matinais pesquisados (58%) contém altos níveis de açúcar (acima de 22,5 g/100 g) – cerca de seis colheres de chá de açúcar por 100 g;
    • O cereal que encabeça a lista dos cinco mais açucarados é o Kellogg’s Honey Smacks vendido no México, que tem 57 g de açúcar para cada 100 g de produto; o Kellogg’s Froot Loops vendido no Brasil e no México ocupa o terceiro lugar;
    • Nenhum produto pesquisado contém níveis baixos de açúcar;
    • Dos 291 cereais matinais pesquisados, 98 (34%) apresentaram sal acima das metas estabelecidas pelo Reino Unido para 2017.

    Fonte: Forc – Centro de Pesquisa em Alimentos


  • Minidocumentário sobre Rotulagem Nutricional

    Publicado em 15/02/2018 às 10:45

    Minidocumentário produzido pela Francine Lime (Canal do Campo à Mesa) sobre a rotulagem nutricional frontal na América Latina, com participação da Professora Dra. Ana Carolina Fernandes, membro do NUPPRE

    Link para o documentário: https://youtu.be/bLVMocEcsU0


  • Publicado em 07/02/2018 às 14:06


  • Carta aberta Abrasco sobre a Febre Amarela no Brasil

    Publicado em 01/02/2018 às 16:24

    Exatamente há um ano a Associação Brasileira de Saúde Coletiva divulgou a Carta aberta Abrasco sobre a Febre Amarela no Brasil  assinada por mais seis instituições do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira onde apelava para que o Ministério da Saúde, dentro de seu papel constitucional, organizasse e coordenasse o combate à Febre Amarela, mobilizando e integrando ações dos estados, municípios, centros de pesquisa, universidades e meios de comunicação. 12 meses depois, a Abrasco dirigi-se novamente às autoridades sanitárias do Ministério da Saúde, das Secretarias Estaduais e Municipais de saúde e à sociedade brasileira para fazer o alerta: a ameaça da urbanização da Febre Amarela nos obriga a definir políticas de curto e médio prazo para prevenir futuros surtos. Leia a carta na íntegra:

    O aumento do número de casos e de mortes por Febre Amarela registrado nas últimas semanas em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Distrito Federal está preocupando e causando insegurança na sociedade devido à gravidade desta doença e do risco de sua urbanização.

    Sabe-se que uma extensa epizootia, epidemia em macacos suscetíveis a doença, vem acontecendo, simultaneamente, em vários estados brasileiros, em áreas próximas a cidades densamente populosas. Os atuais surtos de Febre Amarela têm sido atribuídos a pessoas picadas por mosquitos que vivem em áreas de mata, a Febre Amarela silvestre.

    A Febre Amarela é uma doença imunoprevenível, ou seja, pode ser evitada desde que se adote medidas de prevenção adequadas, o que inclui elevadas coberturas vacinais e informações e ações de educação em saúde para que as pessoas não adentrem as matas ou permaneçam nas áreas consideradas de risco sem estarem imunizadas.

    Estas ações, que devem ser contínuas e intensificadas quando se detecta epizootias, evitariam a crise pela qual estamos passando com dezenas de mortes até o momento. Em área urbana, a Febre Amarela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que tanto dano causa aos brasileiros, ao transmitir a Zika, a Dengue e o Chikungunya. As dificuldades de controlar este vetor são conhecidas. No ritmo em que vem aumentando o número de casos de Febre Amarela silvestre em humanos, torna-se assustadora a possibilidade de haver uma epidemia urbana da doença, na medida em que mais de 90% das cidades do país encontram-se infestadas por este vetor. Caso haja transmissão pelo Aedes aegypti em áreas urbanas, além das mortes que fatalmente ocorreriam até se detectar o problema e realizar um amplo bloqueio vacinal, o real controle da situação exigiria um enorme esforço e imenso quantitativo de vacinas para se proteger as populações residentes nas áreas urbanas infestadas.

    Atualmente, o controle da doença depende primariamente da imunização da população de risco, a qual, neste momento, vem se estendendo rapidamente para mais municípios. Consideramos que não se pode mais afirmar com segurança que ainda não existe transmissão urbana da doença.

    Preocupadas com a gravidade do atual surto de Febre Amarela silvestre em diversos estados brasileiros, as entidades integrantes do Fórum da Reforma Sanitária Brasileira abaixo assinadas reconhecem a necessidade de unir esforços para contê-lo o mais rapidamente possível.

    A ameaça da urbanização da Febre Amarela nos obriga a definir políticas de curto e médio prazo para prevenir futuros surtos.

    Prioritariamente, faz-se necessária a vacinação seletiva, imediata e abrangente das populações residentes ou que visitam as áreas onde estão ocorrendo casos de Febre Amarela. Isto somente será possível com um reforço da produção e da distribuição de vacinas, bem como da rede de frio. Ademais, deve-se considerar a importância de ampliar o quantitativo de recursos humanos treinados para indicar com segurança (vacinação seletiva) e aplicar o imunógeno em cada posto de vacinação. A disponibilidade de vacinas e a capacidade atual de realizar rapidamente estas ações estão aquém das necessidades das secretarias de saúde dos municípios afetados.

    É urgente que o Ministério da Saúde atualize a lista de todos os municípios considerados de risco à luz do novo momento, tanto para planejar a ampliação e o fortalecimento destas medidas de vacinação para bloquear a ocorrência de casos e, consequentemente, impedir o avanço dos surtos, como para orientar a população que se desloca, por trabalho ou lazer, para estas localidades.

    Cabe também ao Ministério da Saúde tornar pública a disponibilidade de vacinas e os planos de contingência para aumentar nossa capacidade de produção, distribuição e aplicação de vacinas.

    É imperativo que protocolos de atenção clínica aos casos suspeitos sejam prontamente disponibilizados aos profissionais de saúde da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e que sistemas de alerta precoce sejam adotados pelos serviços de vigilância em saúde. É também necessário que se fortaleça a rede de laboratórios para que os diagnósticos dos casos suspeitos sejam realizados oportunamente.

    Estas ações devem ser seguidas de uma análise criteriosa da cobertura vacinal atual e de uma política agressiva de imunização de toda a população em áreas de risco. Desta forma será possível reduzir o risco de uma epidemia urbana de Febre Amarela e deter a sucessão de mortes evitáveis.

    Como política de longo prazo, urge reforçar a capacidade de produção de vacinas mais seguras, ou seja, menos reatogênicas à Febre Amarela.

    Urge vigiar, investigar e adotar todos os meios para que não ocorra transmissão urbana da Febre Amarela no Brasil. Vale enfatizar que o combate à Febre Amarela, além de todas as medicas citadas, depende do investimento em saneamento básico e na preservação do meio ambiente.

    Apelamos para que o Ministério da Saúde, dentro de seu papel constitucional, organize e coordene o combate à Febre Amarela, mobilizando e integrando ações dos estados, municípios, centros de pesquisa, universidades e meios de comunicação.

    Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2018

    Associação Brasileira de Saúde Coletiva