NUPPRE
  • Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira

    Publicado em 23/04/2018 às 8:29

    USANDO A BIODIVERSIDADE

    A biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza e fonte de imenso potencial de uso econômico. Representa a base das atividades agrícolas, pecuárias e pesqueiras, sendo também essencial para as indústrias de biotecnologia, insumos alimentícios e farmacêuticos. No entanto, a degradação dos recursos naturais, incluindo a perda da biodiversidade e a erosão da diversidade genética, é um dos maiores desafios à produção de alimentos na atualidade. Soma-se a isso a tendência global de simplificação da dieta, com impactos negativos na segurança alimentar e saúde humana. A diversificação da oferta de alimentos é crucial no fornecimento dos nutrientes necessários para o crescimento e vida saudáveis e podem proporcionar soluções locais para as condições de saúde relacionadas à dieta, a exemplo de deficiências nutricionais e obesidade.

    Apesar de o Brasil abrigar a maior biodiversidade do planeta, com 15 a 20% do total mundial, esta riqueza permanece subutilizada, pois grande parte de nossas atividades agrícolas está baseada em espécies exóticas. A ampliação do uso de plantas nativas, incluindo aquelas já conhecidas e comercializadas por populações locais e regionais, porém com pouca penetração no mercado nacional ou internacional, é uma grande oportunidade a ser promovida. Para que isso seja possível, é preciso conservar, conhecer, coletar, documentar e divulgar informações acerca da biodiversidade nativa.

    Com esse objetivo, foi criada a ferramenta Biodiversidade & Nutrição, que possui um banco de dados de composição nutricional e um banco de receitas com espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial, com ênfase para frutíferas e hortaliças priorizadas pela iniciativa “Plantas para o Futuro”, do Ministério do Meio Ambiente. A ferramenta é o resultado de um esforço conjunto do Projeto “Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade para Melhoria da Nutrição e do Bem-Estar Humano” (Biodiversidade para Alimentação e Nutrição – BFN, sigla em inglês), Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, universidades e institutos de pesquisa1 em todo o Brasil.

    Espera-se que essa ferramenta seja uma referência nacional para a composição de alimentos derivados de espécies nativas brasileiras, integrando a biodiversidade em projetos científicos, programas, políticas públicas e aconselhamento nutricional, tanto em iniciativas públicas quanto privadas. Deverá contribuir ainda para disseminar informações sobre o uso das espécies, por meio da divulgação de receitas culinárias desenvolvidas especialmente para ressaltar e demonstrar a versatilidade da biodiversidade brasileira. A ferramenta continuará a ser fomentada pelas instituições parceiras, com a inclusão de novas espécies e alimentos, de forma a tornar mais abrangente esta ferramenta essencial à promoção do uso sustentável da biodiversidade para a alimentação e nutrição.

    Fonte: SIBBr


  • Brasileiro gosta de ciência, mas não conhece seu impacto

    Publicado em 15/04/2018 às 18:23

    RIO- O brasileiro é maravilhado com a ciência, tem vontade de conhecer melhor as pesquisas e é otimista com as próximas descobertas. Acredita que a cura do câncer, por exemplo, pode chegar nas próximas décadas, e uma parcela significativa garante que os carros voadores também não devem demorar tanto assim. Por outro lado, ainda tem dificuldade em reconhecer, no dia a dia, aquilo que é produzido nos laboratórios: dois em cada três acreditam que a ciência tem pouco ou nenhum impacto no cotidiano.

    O panorama acima foi traçado pela primeira edição do Índice Anual da Situação da Ciência, organizado pelo Instituto 3M em 14 países desenvolvidos (EUA e Alemanha, por exemplo) e emergentes (como Índia e China), entre junho e agosto do ano passado. Cerca de mil pessoas foram entrevistadas em cada um deles. Além da curiosidade pelo tema, os brasileiros também admitiram frustrações: pouco mais da metade (52%) se arrepende por não seguir uma carreira científica, e 84% acreditam que o Brasil não valoriza tanto o assunto quanto outras nações.

    A visão geral é de que, se houvesse mais investimento, estaríamos na vanguarda — explica Camila Cruz, diretora de pesquisa e desenvolvimento do Instituto 3M no Brasil. — Por outro lado, sabemos que a destinação de verbas para a ciência não é uma medida de curto prazo. Precisamos de segurança jurídica para que este processo se estenda pelo tempo necessário. Não devemos apenas importar conhecimento. É preciso produzi-lo aqui também.

    O interesse pela ciência é nítido: 52% dos brasileiros gostariam de saber mais sobre o tema, um índice muito superior à média mundial (34%), inclusive entre os mais jovens. Mas o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro Moreira, considera que esta disposição para o aprendizado é mal explorada no sistema educacional.

    — Às vezes a ciência não é apresentada como uma construção social e coletiva. Pelo contrário, costuma ser erroneamente retratada nos meios de comunicação como algo feito exclusivamente por gênios. Então, a maioria das pessoas pensa que este mundo não é para elas — lamenta. — Apesar de admirarem os cientistas, 90% dos brasileiros não sabem o citar o nome de sequer um desses profissionais. Isso é decorrente da falta de um aparato que divulgue nossas descobertas para a população, como filmes educativos e documentários, que são comuns em países desenvolvidos.

    Camila concorda: o Brasil não conta com cientistas com status de celebridades, como medalhões como Bill Gates, Stephen Hawking e Elon Musk, fundador da empresa de transporte espacial SpaceX. Mas os brasileiros estão dispostos a buscar ídolos dentro de laboratórios. No questionário, o instituto apresentou duas personalidades, o jogador Neymar e o astronauta Marcos Pontes, e perguntou com quem os entrevistados gostariam de jantar. Pontes angariou quase metade (49%) dos votos. Entre as mulheres, a epidemiologista Celina Turchi, que descobriu a relação entre zika e microcefalia, também teve um desempenho expressivo — 42% a convidariam para um evento, enquanto 58% prefeririam a companhia da cantora Ivete Sangalo.

    No futuro, Celina, Pontes e outros tantos podem ser ainda mais requisitados, já que 66% dos brasileiros estimam que os melhores dias da ciência ainda estão por vir. Três em cada quatro (76%) entrevistados pensam que verão a cura do câncer em vida. E 51% têm a esperança de testemunhar carros voadores riscando o céu.

     — Mais de 80% dos pais gostariam que os filhos conhecessem melhor a ciência — conta Camila. — As famílias, o poder público e as instituições de ensino devem, em conjunto, oferecer oportunidades para os estudantes, principalmente a partir do final do ensino fundamental. Precisam mostrar como aquilo que estudam na sala de aula pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade.

    Por enquanto, porém, o país está levando nota vermelha — 74% acreditam que o Brasil está ficando para trás de outras nações quando se trata de avanços científicos. Para 42%, o financiamento inadequado é o maior obstáculo.

    — A população sabe que o atraso da ciência brasileira está vinculado à decadência de nosso processo político — observa Ildeu. — Durante a crise econômica, vemos que as pesquisas estão entre as primeiras áreas a perder recursos públicos, que são destinados para outras áreas. A maioria das pessoas discorda dessa medida.

    Fonte: O Globo

     


  • Assessor da Opas diz que Anvisa errou em debate sobre rotulagem de alimentos – O Joio e o Trigo

    Publicado em 15/04/2018 às 18:11

    O brasileiro Fabio Gomes, da Organização Panamericana de Saúde, considera que agência se abriu ao diálogo com as empresas sem ter clareza do objetivo a ser alcançado

    A Anvisa colocou o time em campo sem estudar o adversário? Na opinião de Fabio Gomes, assessor regional em Nutrição e Atividade Física da Organização Panamericana de Saúde (Opas), sim. Ele entende que a agência não treinou o suficiente antes de iniciar o debate público sobre rotulagem frontal de alimentos. E, agora, está perdida dentro das quatro linhas, sem saber se vai na base do chutão ou se tenta algo mais refinado.

    “Os países que obtiveram sucesso em formular sua proposta foram países que, sim, ofereceram espaço para a indústria opinar, mas que desde o princípio formularam suas propostas de saúde pública e que estavam preparados para o debate com os atores que não têm como interesse primário a saúde pública”, ele lamenta.

    Gomes está há dois anos vivendo entre Washington e o aeroporto. Ele circula as Américas tentando oferecer respostas para a epidemia de obesidade que se espalhou dos Estados Unidos pelo continente abaixo. Impostos sobre bebidas açucaradas e alertas em rótulos de produtos ultraprocessados são duas inovações latino-americanas que acabaram sendo adotadas por outros países, estados e municípios.

    No Brasil, a Anvisa estuda qual sistema de rotulagem adotar. A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável encampa uma proposta baseada no modelo chileno, de advertências sobre excesso de sal, gordura e açúcar. A Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) quer um semáforo com cores verde, amarelo e vermelho para cada nutriente. Um dos criadores desse sistema, Mike Rayner, da Universidade de Oxford, não só admite que ele não funciona a contento, como figura em abaixo-assinado que pede que a Anvisa adote o sistema do Chile.

    A agência segue em dúvida. E coloca no mesmo patamar de respeitabilidade as evidências científicas apresentadas pela sociedade e pela indústria. Recentemente, o órgão regulador anunciou que estuda também a adoção do NutriScore, modelo desenvolvido na França. No Brasil, esse sistema foi inscrito depois do prazo e por uma associação com laços fortes com as empresas.

    Ex-presidente da Associação Mundial de Nutrição e Saúde Pública e pesquisador do Instituto Nacional de Câncer, o carioca Fabio Gomes estuda como o conflito de interesses entre saúde pública e lucro afeta a elaboração de políticas efetivas.

    Ele conversou conosco durante uma passagem por São Paulo, em março. Confira a seguir.

    Como surgiu seu interesse por estudar o conflito de interesses?

    A interferência da indústria nos processos de políticas públicas é a principal razão para essas políticas existirem ou não existirem, serem mais fortes ou mais fracas, serem implementadas de forma mais rápida ou mais lenta. Qualquer que seja a política, se for efetiva, a indústria vai tentar impedir ou atrasar. E vai usar todas as armas que tem. Distorcer a evidência científica que vai servir para guiar a política. E interferir na formulação da política.

    A ideia de que a indústria tem que participar da formulação obviamente tenta defender seus interesses, mas vem com o discurso de que tem uma contribuição técnica a fazer.

    Depois, na implementação. Se você não se valeu de evidências independentes, se não excluiu evidências enviesadas… Se você separou no processo de formulação e fez uma política independente dessa influência, ainda assim na implementação vão tentar impedir para que não chegue a ser implementada.

    Depois, mesmo que consiga sucesso na implementação, muitas vezes é mais barato para a indústria violar a lei do que cumprir. Podem se usar da fragilidade das sanções para simplesmente ignorar a política.

    As políticas que são necessárias de ser implementadas dão às pessoas a condição de livrá-las dessa pressão para que realmente possam tomar decisões autônomas. Posso desenhar as melhores políticas, mas elas vão ficar estacionadas se eu não conseguir proteger esse espaço de formulação.

    Circulando pelo continente, você consegue enxergar padrões repetidos dessa interferência?

    Isso se dá de diferentes formas. Os países também estão em diferentes estágios de formulação. Mas em todas as etapas os fabricantes têm uma entrada para interferir. Do ponto de vista da formação profissional e da distorção da evidência que vai servir como base para a formulação da política, isso se dá com todo mundo, em todas as esferas. Em todos os países há um grupo de pesquisadores que é capturado e utilizado para defender os interesses de determinada corporação.

    Em alguns casos você tem essa interferência nos parlamentos, no Executivo, nos vários níveis de governo.

    Outra coisa que a gente percebe é que existe uma conexão. Não são empresas que estão atuando isoladamente num país. Especialmente na América Latina, essas empresas, por mais que exista uma certa competição, no momento em que uma política regulatória restringe a operação ou a capacidade de expandir, elas se juntam. Isso constitui uma ameaça para todas elas.

    Outra coisa bem peculiar da América Latina é que elas se escondem atrás de associações de indústrias. Em geral, não é tornado visível quais empresas estão se opondo. A grande estratégia é se opor sem ser percebida como opositora. Em todos os países se posicionam como atores que estão contribuindo para o processo. A forma de se posicionar nesse processo não é a de um ator que está atrasando. É quem está aportando evidência, contribuindo para o país.

    Outra coisa que acontece é a duplicidade de discursos. Isso sempre vai acontecer. Existe um discurso para os acionistas, um discurso para a população e um discurso para os governos. Quando estão falando para a população ou se opondo a alguma coisa, você não enxerga as marcas dessas empresas. Isso vale mais do que qualquer coisa para eles. Em alguns países isso foi utilizado no sentido contrário, para tentar frear essa pressão. Expor a imagem deles foi algo que aconteceu nos países que conseguiram avançar.

    Outra coisa que aconteceu nos países que conseguiram avançar foi que se prepararam antes de abrir o diálogo com a indústria. Então, a exigência da indústria de que deve fazer parte do processo é uma exigência que deve ser atendida, mas de forma apropriada. Ouvir o setor que será regulado faz parte, mas esse momento tem que ser aberto quando você está preparado para ouvir e discutir. Quando você tem clareza do que quer.

    Se você vai para esse diálogo sem ter certeza do que quer como governo, como poder público, você nunca vai sair do lugar. Você sempre vai partir de um zero e a indústria sempre vai tentar gerar a dúvida. Aumentar a falta de certeza que o regulador tem. Se você não tem clareza do que quer fazer como governo, é um prato cheio para eles.

    Nesse sentido, como você enxerga o debate sobre rotulagem frontal no Brasil?

    Isso é um cuidado que deveria ter sido tomado. Os países que obtiveram sucesso em formular sua proposta foram países que, sim, ofereceram espaço para a indústria opinar, mas que desde o princípio formularam suas propostas de saúde pública e que estavam preparados para o debate com os atores que não têm como interesse primário a saúde pública.

    Se meu interesse primário é a saúde pública, minha proposta tem que estar preparada nesse sentido. Eu preciso ouvir os outros setores sobre o impacto, mas com clareza sobre o que vou fazer.

    Essa é uma lição que o Brasil deve levar em relação a outros temas que foram discutidos. Como o tabaco. Você tem uma definição clara do seu objetivo e dos beneficiários desse objetivo.

    Se você desde o princípio envolve aqueles que não têm como interesse primário a saúde pública, não vai bem. É isso que está acontecendo. Eu entendo a agência reguladora envolver a indústria na discussão, mas é o momento errado, antes de ter uma proposta concreta.

    Todos os países que conseguiram avançar em um bom tempo dialogaram com a indústria, mas trabalharam com uma produção de evidências independente, com uma proposta focada em atender os interesses da saúde pública para que então pudessem discutir isso com os outros setores que sofreriam o impacto.

    Os sinais de advertência têm o objetivo declarado de desestimular o consumo de ultraprocessados. Como garantir que ocorra isso, e não um simples ranqueamento de ultraprocessados?

    A rotulagem frontal de advertência nutricional não resolve todos os problemas.

    Essa advertência tem que competir com outros elementos de promoção dos produtos que são muito mais poderosos. Isso não significa que a advertência não tenha que existir. Significa que precisa ser combinada com outras políticas públicas que possam permitir que essa competição seja mais equilibrada. Boa parte dos estudos feitos no Uruguai apontaram a advertência como um sistema que funciona melhor porque compete de forma mais eficiente com outros elementos persuasivos.

    Esses outros elementos são poderosos para induzir a compra, assim como a publicidade. São poderosos de maneira tal que podem fazer com que as pessoas consumam esses produtos. A advertência nutricional, entre os sistemas existentes, é o que permite diminuir esse efeito persuasivo dos elementos, mas não é um super-herói.

    Para reduzir a demanda de ultraprocessados precisa combinar essa advertência com restrições mais rigorosas. Como as políticas fiscais. Precisamos aplicar os impostos de maneira coerente com a saúde pública.

    A outra coisa é a regulação da publicidade. Se a gente continuar tendo o estímulo irrestrito a esses produtos, a possibilidade da advertência frontal será mais limitada.

    E outra política é a restrição nos ambientes. Escolas, prédios públicos, universidades, outros espaços que a gente possa restringir a oferta e a promoção desses produtos.

    Voltando à sua pergunta, os dados que temos do Chile mostram dois movimentos. Um movimento das pessoas que compram produtos com menos selos. E um movimento das pessoas que deixam de comprar esses produtos. Agora, obviamente que a advertência frontal nos fecha no mundo dos processados e ultraprocessados, e a maior parte da alimentação não deve vir desses alimentos. Então, como a gente preserva o sistema alimentar? A rotulagem frontal é um elemento de restrição da demanda da parte do sistema que a gente precisa reduzir.

    A mensagem que a gente deve trazer é de consumir menos produtos ultraprocessados, não importa quantos selos ele tem. No Chile há uma estratégia para promover a culinária, a alimentação. Isso é muito importante. O Guia Alimentar do Brasil existe para dar conta disso.

    Quais as políticas mais efetivas para estimular a alimentação saudável? Na América Latina, um cidadão da periferia pode ter dificuldade de acesso a produtos frescos, ou pode perder cinco horas por dia em transporte.

    Uma questão é o abastecimento das cidades. A gente vê um processo de monopolização da produção e da distribuição. Obviamente isso dificulta a capilaridade desse sistema.

    Mas, pensando no lado positivo, as feiras livres, a ideia de fechar uma rua de todo bairro pelo menos uma vez por semana para dar acesso a produtos frescos, são um grande aliado.

    É bem diferente do modelo europeu ou americano, que elitizou muito a feira. No Brasil, a feira torna o produto acessível, tanto do ponto de vista físico como econômico. Isso foi degradado nos últimos anos pela concentração nos mercados, assim como os Ceasas e os mercados municipais foram degradados. Era uma forma de se pensar a distribuição de alimentos e o abastecimento da cidade de forma que pudesse chegar a todo mundo. Os carrinhos de frutas são um exemplo de tecnologia tradicional. Alguns países que não tinham isso começaram a importar, algo que a gente tem na América Latina há muitos anos.

    Mas a gente também precisa resgatar o tempo que as pessoas dedicam à alimentação. A gente pode pensar em formas de facilitar isso considerando que o tempo não vai mudar, mas isso também cola com outras agendas. Como a gente se move na cidade. É pensar a mobilidade aliada ao abastecimento, à melhor chegada dos alimentos. Pensar a saúde urbana conectada a transporte e sistema alimentar.

    Em relação à culinária, ela tem ganho mais espaço. Tem havido mais interesse. Mas tenho a percepção de que muitas vezes entra mais como entretenimento do que como uma ação cotidiana. Tudo o que se faz em relação ao ato de cozinhar é importante e fundamental, mas a gente precisa criar condições para que esse estímulo possa refletir uma ação concreta no dia a dia.

    Em alguns países, por conta de situações emergenciais, criaram cozinhas coletivas. Algumas se mantiveram como espaço coletivo de preparo e de partilha do alimento. Isso não é algo simples de pensar. Precisa pensar em equipamentos urbanos que facilitem a culinária. Mas hoje, pra começar, a gente pode pensar nas escolas, especialmente no Brasil, que tem um exemplo de alimentação escolar. A gente já teve no Brasil a culinária no currículo escolar. Isso se perdeu. A gente pode pensar em políticas públicas para induzir ações nas escolas. Garantir aulas de culinária.

    Temos visto a indústria e setores acadêmicos ligados a ela dizerem que o Guia Alimentar e a classificação NOVA carecem de fundamentação científica. Como você vê essa crítica?

    Todos os modelos de classificação de alimentos que definem uma alimentação saudável sempre chegam no mesmo lugar. É no processamento. Alguns países e alguns cientistas criticam é o conceito em si. Mas, do ponto de vista da evidência científica, todo padrão de alimentação saudável chega à mesma conclusão: quanto menos processado o que você come, melhor.

    A classificação tem fundamento científico. Já foi usada em vários países. Ajuda a explicar a má alimentação em países com uma alimentação muito diferente, mas com um elemento em comum: o ultraprocessamento.

    A crítica vem muito em relação a que você pode ter um alimento ultraprocessado com um perfil de nutrientes adequado. Mas, quando a gente está falando de obesidade e de alimentação não saudável, a gente está falando de nutrientes e de modos de comer.

    A gente precisa olhar o perfil nutricional e o perfil não nutricional. O perfil não nutricional dos alimentos é aquele que promove um consumo excessivo, promove a compulsão alimentar. Isso não tem a ver só com nutrientes. Posso promover um consumo excessivo de um produto que é baixo em sal e açúcar se eu adicionar um realçador de sabor.

    Tenho usado muito o conceito do perfil não nutricional. Um alimento desenhado para provocar um consumo excessivo e para desarmar todas as armas que a gente tem para controlar o consumo.

    Algumas pessoas criticam no sentido de que o grupo de ultraprocessados é muito heterogêneo. Mas você ainda pode classificar os ultraprocessados.

    Um dos motivos mais subjacentes dessa crítica… os países do Norte têm uma quantidade de ultraprocessados muito grande. Então, aceitar que o ultraprocessado é um problema é muito frustrante. Eu sinto uma resistência de certos pesquisadores. O ultraprocessado é a maior conquista que a indústria teve. Nesse momento, não consigo fazer uma pessoa que vive num ambiente em que 60% do que ela come são ultraprocessados não enxergar aquilo como alimento. É muito difícil. Porque isso foi conquistado.

    Um outro fator, não sei se é uma percepção minha. Em várias ocasiões, algumas pessoas comentaram comigo que essa classificação é uma invenção de um grupo de pesquisadores brasileiros e que não é baseado em evidências. Qual o problema de ter sido inventado por um brasileiro? Se tivesse sido inventado por um grupo de ingleses, essa crítica não existiria. Essa crítica aparece várias vezes. E aparece mais na América Latina. Mas lá no Norte eu sinto que aparece também. Há um preconceito porque não foi inventado nos EUA, na Europa, na Austrália e no Canadá. Inventado, não: alguém encontrou uma forma de classificar o que está acontecendo.

    Todas as pessoas que dizem que não há evidência deveriam apresentar a evidência de que isso não se aplica. Ninguém provou que comer mais ultraprocessados é melhor para a saúde. Ninguém.

    Foto em destaque: arquivo da World Public Health Nutrition Association.

  • Nota de repúdio Abrasco com a Exoneração da professora Rita Barata Barradas

    Publicado em 15/04/2018 às 18:10


  • Notícia de Capa: CGAN participa de reunião da Comissão Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional do Mercosul

    Publicado em 15/04/2018 às 17:54

    Notícia de Capa: CGAN participa de reunião da Comissão Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional do Mercosul

    Entre os dias 03 e 04 de abril, em Assunção, Paraguai, a CGAN participou da reunião Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional preparatória de Ministros de Saúde do Mercosul.

    Com presença também de representantes dos Ministérios da Saúde da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, e também de representantes da Organização Panamericana de Saúde, o grupo discutiu temas e ações conjuntas para avançar na agenda de enfrentamento da obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis, um dos principais problemas na agenda de nutrição no bloco. Merece destaque o debate em torno da necessidade de avanço na rotulagem de alimentos acerca de nutrientes críticos (gorduras, açúcares e sódio), como estratégia para possibilitar o consumidor a realizar uma escolha crítica e melhor informada sobre o produto que estará consumindo. (…)

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1778; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

    Nesta edição:

    • CGAN participa de reunião da Comissão Intergovernamental de Segurança Alimentar e Nutricional do Mercosul
    • Lançamento do ‘Caderno Legislativo: publicidade infantil’ – 2018
    • Bons hábitos e planejamento ajudam na alimentação saudável
    • Espaço dos estados: Bujari (AC) recebe oficina de conhecimento alimentar em alusão ao Dia Nacional da Saúde e Nutrição
    • Espaço dos estados: Exercícios para uma melhor gestação são oferecidos na Academia da Saúde
    • De Olho na Evidência: Coca-Cola usa tática de empresas de cigarros, diz estudo
    • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
    • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira: Vida de adulto – o que comer?
    • Saiu na Mídia

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

    Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

    Departamento de Atenção Básica

    Secretaria de Atenção à Saúde

    Ministério da Saúde


  • Oficinas de capacitação para uso do Sisvan – Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional

    Publicado em 09/04/2018 às 14:07

    Oficinas de capacitação para uso do Sisvan – Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional

    Nos dias 26 e 27 de março, a Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição – CGAN/DAB realizou duas oficinas de capacitação para uso do Sisvan – Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. Esse momento de formação teve como objetivo capacitar os usuários do Sisvan sobre as suas funcionalidades, considerando que esse sistema tem o papel fundamental na gestão das informações da Vigilância Alimentar e Nutricional e sua interface com (…)

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1777; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

    Nesta edição:

    • Oficinas de capacitação para uso do Sisvan
    • Curso de Educação a Distância do PBF na Saúde
    • Videoconferência – Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade
    • Nota de pesar pelo falecimento – Prof. Dra. Dirce Maria Sigulem e Ana Fonseca
    • Seleção de consultores externos para SESAN/MDS – FAO
    • Espaço dos estados
    • De Olho na Evidência
    • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
    • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira
    • Saiu na Mídia

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

    Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

    Departamento de Atenção Básica

    Secretaria de Atenção à Saúde

    Ministério da Saúde

    Portal do Departamento de Atenção Básica: http://dab.saude.gov.br/portaldab/

    Comunidade de Práticas: https://www.facebook.com/comunidadedepraticas

    RedeNutri: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php


  • Seleção de Bolsista de Graduação

    Publicado em 06/04/2018 às 10:54


  • Alimentação e Nutrição no INTERCONGREPICS 2018

    Publicado em 02/04/2018 às 16:18

    Alimentação e Nutrição foi tema presente no 1º Congresso Internacional de práticas integrativas e complementares no SUS, realizado durante os dias 12 a 15 de março, no Rio de Janeiro. Além de ser citada como um dos elementos fundamentais para o cuidado e a promoção da saúde em apresentações de palestrantes nacionais e internacionais, esteve como ponto central em quatro mesas de atividades paralelas no congresso (…)

     

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1776 ; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

     

    Nesta edição:

    • Alimentação e Nutrição no INTERCONGREPICS 2018
    • Lançamento do livro ‘Autorregulação da Publicidade Infantil no Brasil e no Mundo’
    • Inscrições abertas para o curso EAD Amamenta e Alimenta Brasil!
    • # anuncia para mim
    • A Pastoral da Criança apoia o conteúdo da Carta Aberta à Anvisa
    • Monitoramento Semanal dos programas estratégicos da CGAN
    • Espaço dos estados
    • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira
    • De Olho na Evidência
    • Saiu na Mídia

     

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.


  • Larissa Mies Bombardi – geógrafa e professora da USP reflete sobre agricultura, com ênfase no uso de agrotóxicos

    Publicado em 02/04/2018 às 16:17

    A sugestão para um blog me foi dada há alguns anos atrás por um amigo. Naquele momento achei que não caberia. Depois, conforme o tempo foi passando, achei que seria bacana ter um canal direto para disponibilizar alguns escritos.

    Quando a sugestão me foi dada, estava vinculada aos escritos de geografia. Entretanto, me encantou a ideia de poder também ter um canal para expressar algumas reflexões sobre a questão do feminino.

     Para os que não conhecem a autora deste blog: sou geógrafa, formada na Universidade de São Paulo. Fiz mestrado e doutorado no Programa de Pós Graduação em Geografia Humana – USP. Atualmente sou Professora do Departamento de Geografia da USP.

     Sempre, desde a graduação, após uma viagem conduzida pelo Prof. Ariovaldo Umbelino de Oliveira, que mais tarde veio a se tornar meu orientador, enveredei pelo estudo da Geografia Agrária.

     Boa parte dos escritos disponibilizados neste blog, bem como os que ainda aqui não estão, mas que fazem parte de minha produção bibliográfica, estão vinculados à Geografia Agrária.

     No começo de minha trajetória acadêmica mergulhei no estudo e compreensão do campesinato. Fiz trabalhos de campo inesquecíveis, que me proporcionaram o contato com esta classe sui generis, da qual fazem parte aquelas entre as pessoas mais generosas e sábias que já conheci.

     Posteriormente, há alguns anos, passei a estudar também a questão dos agrotóxicos, o seu uso no Brasil, o desdobramento deste uso e a compreensão desta lógica, inserida que está no capitalismo mundializado.

     Finalmente, nos últimos anos, tenho também me permitido refletir sobre a questão do feminino e, neste caminho, “por dentro”, tenho buscado ver também a geografia, a questão agrária e a questão da Terra (em seu sentido latto).

     Para mais detalhes da minha formação e atuação profissional, segue o link do Lattes: http://lattes.cnpq.br/8866149305832269

    O blog pode ser acessado pelo seguinte link: https://www.larissabombardi.blog.br


  • Confirmação de Conflitos de Interesses em Estudos de Nutrição

    Publicado em 02/04/2018 às 16:12

    Source of bias in sugar-sweetened beverage research: a systematic review

    Abstract

    Objective

    Financial conflicts of interest involving the food industry have been reported to bias nutrition studies. However, some have hypothesized that independently funded studies may be biased if the authors have strong a priori beliefs about the healthfulness of a food product (‘white hat bias’). The extent to which each source of bias may affect the scientific literature has not been examined. We aimed to explore this question with research involving sugar-sweetened beverages (SSB) as a test case, focusing on a period during which scientific consensus about the adverse health effects of SSB emerged from uncertainty.

    Design

    PubMed search of worldwide literature was used to identify articles related to SSB and health risks published between 2001 and 2013. Financial relationships and article conclusions were classified by independent groups of co-investigators. Associations were explored by Fischer’s exact tests and regression analyses, controlling for covariates.

    Results

    A total of 133 articles published in English met inclusion criteria. The proportion of industry-related scientific studies decreased significantly with time, from approximately 30 % at the beginning of the study period to <5 % towards the end (P=0·003). A ‘strong’ or ‘qualified’ scientific conclusion was reached in 82 % of independent v. 7 % of industry-related SSB studies (P<0·001). Industry-related studies were overwhelmingly more likely to reach ‘weak/null’ conclusions compared with independent studies regarding the adverse effects of SSB consumption on health (OR=57·30, 95 % CI 7·12, 461·56).

    Conclusion

    Industry-related research during a critical period appears biased to underestimate the adverse health effects of SSB, potentially delaying corrective public health action.

    O artigo pode ser acessado no seguinte link: https://www.cambridge.org/core/journals/public-health-nutrition/article/source-of-bias-in-sugarsweetened-beverage-research-a-systematic-review/DCF130110F4E7DB8E0B30FD03F3AC018


  • Pesquisadores da UFSC participam de missão em Minas Gerais com foco nos produtos locais

    Publicado em 02/04/2018 às 16:05

    O mestrando Leandro Guimarães, vinculado ao Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e do Território (Lemate), e o professor Aparecido Lima da Silva, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias (CCA), da UFSC, participaram de uma missão de estudo no estado de Minas Gerais. Juntamente com uma equipe interinstitucional e representantes de agricultores da Serra Catarinense, eles estiveram, entre 2 e 7 de março, nos municípios mineiros de Tiradentes, São Roque de Minas e Patrocínio.

    O objetivo da missão foi vivenciar as experiências de indicação geográfica e valorização de produtos e serviços locais. Assim, os integrantes da “Missão MG” conheceram as novas tecnologias, tendências, boas práticas e as ações de cooperação empreendidas nos municípios visitados, que podem ser adaptadas à região serrana de Santa Catarina.

    A missão foi organizada pelo Sebrae-SC e contou com participação de representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Associação de Municípios da Região Serrana, Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Associação Empresarial de Lages, Câmara de Dirigentes Lojistas de Lages, Associação Brasileira de Produtores da Maçã, produtores de maçã e de mel de melato e pesquisadores da UFSC.

    O primeiro destino da atividade foi Tiradentes, onde o grupo pôde presenciar iniciativas da valorização dos produtos e serviços locais por meio da gastronomia e a realização de uma feira municipal, que integra um roteiro turístico nos produtores da região, denominado “Rota do Sabor de Tiradentes”. Além disso, os envolvidos dialogaram com duas representantes da Associação Empresarial de Tiradentes, organização que promove diferentes ações, como eventos e capacitações, além de atuar junto ao poder legislativo municipal.

    Na sequência, foi realizada uma visita a São Roque de Minas, situado na Serra da Canastra. Neste município foi possível conhecer a história do queijo mineiro artesanal canastra e a atuação da Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan). A Associação possui a certificação de registro de Identificação Geográfica do Queijo Minas Artesanal Canastra, que garante aos seus associados a agregação de valor, reconhecimento da notoriedade do produto e uma maior proteção do queijo produzido na região frente ao mercado nacional.

    Por fim, o grupo conheceu algumas experiências em Patrocínio. Na Federação dos Cafeicultores do Cerrado foi assistida uma palestra sobre a história da indicação geográfica do café do Cerrado Mineiro e da Denominação de Origem, que foi a primeira denominação de origem de café no Brasil. Hoje, a federação é formada por representantes de 55 municípios e contém sete associações e nove cooperativas de produtores de café da região. Todos os produtores que participam dessas organizações passam por um processo de certificação da origem de qualidade da região, através de um sistema de rastreabilidade e de um selo de origem que certifica a origem e o laudo da qualidade do café.

    A partir das experiências vivenciadas, os participantes discutiram as potencialidades da região serrana no que se refere à valorização dos recursos territoriais e, especificamente, a implantação da Indicação Geográfica para maçã fugi, o mel de melato e os vinhos finos de altitude da serra catarinense. Nesse sentido, foi reiterada a importância de um projeto de maior abrangência voltado à adaptação da metodologia da “Cesta de bens e serviços territoriais” formulada originalmente na França. A adequação dessa metodologia para a realidade catarinense teve início no fim do ano passado, por uma equipe interinstitucional, na qual incluem membros da UFSC, Sebrae, Mapa, Udesc, Epagri e Secretaria do Estado de Planejamento.

    A “Missão MG” representa mais um passo no sentido de fortalecer parcerias institucionais e estimular novas ideias, que promovam o desenvolvimento rural. As iniciativas de indicação geográfica ou de denominação de origem são ferramentas de valorização de produtos específicos, mas também de desenvolvimento territorial sustentável.


  • Seleção Pós-doutorado PPGN-UFSC

    Publicado em 02/04/2018 às 16:02

    Está aberto o edital para seleção de aluno bolsista de Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC

    O edital pode ser acessado nesse link: http://ppgn.ufsc.br/sobre-o-curso/pos-doutorado-no-ppgn/

     


  • #Os100Mais Comentados

    Publicado em 01/03/2018 às 9:33

    Empresa divulga o ranking com artigos científicos que chamaram a atenção dos leitores nas mídias sociais em 2017

    Reduzir o consumo de gorduras pode não ser a melhor alternativa para diminuir o risco de doenças cardiovasculares e de morte, segundo a principal conclusão do estudo mais comentado nas mídias sociais em 2017. O paper, que recomenda cortar carboidratos, está no topo do ranking dos 100 artigos científicos de maior impacto na internet elaborado pela Altmetric, empresa do Reino Unido que monitora a influência da produção científica por meio não da citação em artigos, mas da análise de menções em sites, redes sociais, Wikipedia, portais de notícia e blogs. Grande parte das pesquisas mais discutidas no ano passado trata de assuntos como estereótipos de gênero, estigmas em torno de doenças mentais e efeitos das mudanças climáticas. Outras abordam tópicos como planetas capazes de sustentar a vida e o risco de robôs roubarem o emprego de seres humanos. O ranking completo está disponível em altmetric.com/top100/2017/.

    paper que lidera o ranking de 2017 foi publicado em agosto na revista The Lancet por pesquisadores de vários países, inclusive do Brasil, e avaliou a dieta de aproximadamente 130 mil pessoas em 18 nações nos últimos 10 anos. Segundo a base de dados Scopus, da editora Elsevier, o trabalho recebeu, por enquanto, apenas 10 citações em outros artigos. Mas teve impacto importante entre públicos variados: foi citado em mais de 7.400 posts no Twitter, 422 páginas no Facebook e 130 sites de notícias. “Graças aos dados da Altmetric é possível ter um quadro mais completo do alcance imediato da pesquisa na sociedade”, observa o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da Divisão de Pesquisa do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, e um dos autores do artigo. O número de citações, ele diz, é um parâmetro consagrado para avaliar a relevância da produção científica, mas não fornece pistas de como seus resultados são recebidos pela população.

    O ranking da Altmetric é divulgado anualmente desde 2013 (ver Pesquisa FAPESP nº 250). No ano passado, os 100 artigos da lista renderam, no total, mais de 200 mil menções. A maioria foi feita no Twitter (165 mil), seguido de sites de notícias (25 mil) e do Facebook (6.164). “As mídias sociais são as fontes mais importantes para avaliar o engajamento das pessoas ao compartilhar ou comentar posts em que os artigos científicos são divulgados”, explica o especialista britânico em bioinformática Euan Adie, fundador da Altmetric. “Já para analisar o alcance dos papers, é mais interessante considerar a repercussão em veículos da imprensa”, completa.

    Um artigo publicado em maio na revista Research Policy ficou na segunda posição do ranking ao repercutir não só em mais de 7.300 tuítes, mas também em importantes jornais e portais de notícias, como o espanhol El País e o norte-americano Yahoo. O estudo mostrou que um terço dos 3.659 estudantes de doutorado das universidades da região de Flanders, na Bélgica, corria o risco de desenvolver algum tipo de doença psiquiátrica. “Embora seja um problema do ambiente universitário, a discussão sobre as pressões enfrentadas por quem opta por seguir a carreira acadêmica e os distúrbios psicológicos relacionados à vida na pós-graduação está em evidência no mundo. Isso justifica o interesse do público por esse tema”, comenta o biólogo Atila Iamarino, um dos criadores da rede ScienceBlogs Brasil.

    Na terceira posição, ficou um paper do Journal of American Medical Association(Jama), assinado por pesquisadores de várias instituições dos Estados Unidos. O estudo examinou dados do Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo norte-americano, entre 2011 e 2014, e descobriu que os pacientes com idade igual ou superior a 65 anos tratados por médicas apresentaram taxas de mortalidade significativamente menores em comparação com aqueles que foram atendidos por profissionais do sexo masculino no mesmo hospital. O estudo sugere que as diferenças de gênero nos padrões de prática médica pode ter implicações clínicas no tratamento dos pacientes.

    “Como se percebe, muitos assuntos estão relacionados à saúde humana e à aptidão física”, salienta Euan Adie. Pouco mais da metade da lista (53%) é de artigos publicados em revistas médicas ou que se dirigem a quem atua em medicina. “Trata-se de um campo do conhecimento cujos avanços científicos e as descobertas afetam diretamente a vida das pessoas, diferentemente, por exemplo, da física quântica.” Um dos artigos que mais fez sucesso em 2017 propôs uma metodologia controversa para diagnosticar depressão com base em fotos do Instagram. O estudo, publicado na revista EPJ Data Science por pesquisadores das universidades Harvard e de Vermont, nos Estados Unidos, coletou 43.950 fotos publicadas no aplicativo por 166 participantes. As imagens foram analisadas por um software. Ele ajudou a identificar que indivíduos deprimidos na amostra tendiam a publicar fotos que eram, em média, mais azuis, mais escuras e mais cinzas do que aquelas publicadas por usuários saudáveis.

    Para o epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), a lista da Altmetric serve de alerta para que a comunidade científica tome cuidado na forma como os resultados de pesquisa estão sendo difundidos para o público. “Muitos estudos em saúde e medicina são divulgados nas mídias sociais como definitivos, mas nem sempre os resultados apresentados espelham um consenso dentro da comunidade científica”, afirma Monteiro. É o caso, ele diz, da pesquisa que ficou na primeira posição no ranking da Altmetric. “Apesar de ter ganho as manchetes, o estudo publicado na Lancet tem conclusões muito taxativas, como a de que as orientações sobre alimentação devem ser alteradas, e tem sido alvo de críticas de epidemiologistas de todo o mundo, por adotar metodologias questionáveis.”

    O nome do farmacêutico Anderson Martino-Andrade, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi parar na lista da Altmetric ao assinar, junto com pesquisadores de outros países, um artigo que identificou um declínio de mais de 50% na concentração de espermatozoides em homens ocidentais. O trabalho teve ampla repercussão principalmente em sites de notícia, sendo citado em 396 reportagens em vários países. “Analisamos 185 estudos publicados sobre o assunto entre 1981 e 2013, que analisaram um total de 42 mil amostras de sêmen. Algumas hipóteses para explicar a baixa concentração de espermatozoides é o aumento da obesidade, o tabagismo, o estresse e a crescente exposição a agrotóxicos”, explica Martino-Andrade. “Trata-se de um tema controverso entre pesquisadores, porque há grupos que contestam que haja um declínio na concentração de espermatozoides e que isso possa afetar a reprodutibilidade humana. O público também deveria ser informado sobre esse tipo de conflito, muito comum, que existe na ciência”, diz.

    Euan Adie, da Altmetric, chama a atenção para o fato de que nem sempre os artigos ganham notoriedade na internet exatamente por suas contribuições científicas. “Muitos papers caem na boca do povo nas mídias sociais devido a erros detectados após a publicação ou porque o assunto tratado é polêmico por si só”, diz. Ele conta que nessa última edição do ranking não houve casos de erros ou fraudes, mas recorda de situações incomuns registradas em anos anteriores. “Houve uma vez que o artigo estava no top 100 porque o autor havia escrito um pedido de casamento na seção de agradecimentos.” Em 2014, um trabalho foi muito comentado nas mídias sociais por causa de um descuido dos autores e dos editores do Journal of Ethology. O artigo, que tratava da variação de nível de melanina, pigmento que dá cor à pele, em diferentes ambientes, foi publicado com um comentário inusitado sobre uma das referências que eram citadas no texto: “Devemos citar a porcaria do artigo de Gabor aqui”. O paper foi substituído por uma nova versão, mas isso não foi suficiente para evitar a enxurrada de comentários na internet, quase todos zombando do deslize cometido pelos autores.

    Tweets, posts e zika

    Para avaliar a importância nacional e internacional da divulgação de artigos nas mídias sociais, pesquisadores do Brasil, Canadá e Estados Unidos investigaram como papers sobre o vírus zika foram compartilhados por usuários do Facebook e do Twitter no primeiro semestre de 2016, quando a doença foi declarada emergência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    O trabalho, publicado em janeiro na revista PLOS ONE, mostrou que, apesar de a língua inglesa prevalecer nos posts das duas redes sociais, no Facebook cerca de 24% das postagens foram feitas em outros idiomas, com destaque para o português e o espanhol.

    No estudo, observou-se também que posts comentando artigos com pelo menos um autor brasileiro tiveram 13% mais chance de serem escritos em português no Facebook do que no Twitter. “Os resultados indicaram que a comunicação científica sobre zika nas mídias sociais foi dominada pelo inglês, embora o Brasil seja considerado o epicentro da epidemia”, comenta Germana Barata, pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp) e autora principal do estudo.

    “No Twitter, pesquisadores publicam mais em inglês e, com isso, alcançam audiências mais globais. Já no Facebook, o impacto dos posts escritos em línguas não inglesas é local”, explica Germana, que faz estágio de pós-doutorado na Universidade Simon Fraser, no Canadá, na área de ciências da informação.

    Segundo ela, a análise indica que as informações científicas seriam mais bem difundidas para as populações atingidas se os editores considerassem divulgar resultados em português ou espanhol via Facebook.


  • Radiografia das retratações no mundo

    Publicado em 01/03/2018 às 9:30

    Estudo utiliza acervo de notícias publicadas no site Retraction Watch para traçar um panorama dos deslizes éticos em publicações científicas

    Lançado em 2010 pelos jornalistas norte-americanos especializados em ciência Adam Marcus e Ivan Oransky, o site Retraction Watch tornou-se uma fonte de informação sobre a ocorrência de casos de má conduta científica no mundo. Sua especialidade são as retratações de artigos científicos, ou seja, o cancelamento de papers após a publicação devido à descoberta de fraudes ou erros. A novidade é que o acervo de informações do site começa a abastecer estudos sobre a correção da literatura científica. Um artigo publicado em janeiro na revista Scientometrics analisou 1.623 retratações divulgadas entre 2013 e 2015 com base em parâmetros como país de origem, área do conhecimento e causa da retratação. O trabalho foi coordenado por Sonia Vasconcelos, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em coautoria com sua aluna de mestrado Mariana Ribeiro no Programa de Educação, Gestão e Difusão em Biociências do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis.

    Observou-se que as retratações divulgadas no site estavam distribuídas por 71 países, mas a análise teve como foco as 15 nações responsáveis pela maior parte (85%) dos casos (ver quadro). Em comum, são países bastante produtivos em termos de publicações científicas. O Brasil não figura nessa lista, apesar de em 2015 ter ficado em 13º lugar no ranking das nações com maior número de artigos indexados na base de dados SCImago Journal Country Rank. Segundo Sonia Vasconcelos, a ausência do país provavelmente se deve ao fato de a quantidade de artigos brasileiros no PubMed, banco de dados com a literatura da área biomédica, ser mais baixa que a de outros países.

    A pesquisa mostra que as ciências biomédicas, médicas e clínicas responderam por mais de 60% do total de retratações entre 2013 e 2015. As chamadas ciências duras, como a física, representaram 17% das retratações; áreas multidisciplinares, 12%, e ciências humanas e sociais, 8%. Sonia chama a atenção para o fato de que o Retraction Watch tende a publicar mais notícias sobre casos nas ciências biomédicas pela maior familiaridade dos criadores do site com essas áreas. “Também não podemos ignorar que, historicamente, as áreas biomédicas vêm sendo as mais ativas no âmbito das ações em integridade científica e ética em pesquisa”, diz. As ciências humanas e sociais tiveram uma quantidade de retratações (118) menor que a de outros campos. Mas 58% delas se referiram a casos de má conduta científica, uma proporção superior à observada nas demais disciplinas. Segundo Sonia Vasconcelos, isso pode ser parcialmente explicado pela existência de pesquisadores de ciências humanas e sociais reincidentes, cada um deles com vários artigos retratados por deslizes éticos.

    Cada paper retratado discutido no Retraction Watch foi creditado a apenas um país, aquele a que pertence o autor correspondente, em geral responsável pelo conjunto dos resultados. Juntos, Estados Unidos e China representaram cerca de 41% do total de retratações, com 376 e 283 artigos cancelados, respectivamente. Os Estados Unidos também tiveram o maior número de retratações por má conduta (225), seguidos por Japão (75) e Índia (61). Um caso peculiar foi observado no Japão: apenas dois autores, o endocrinologista Shigeaki Kato, ex-pesquisador da Universidade de Tóquio, e o cirurgião Yoshitaka Fujii, da Universidade de Toho, foram responsáveis por 28 e 20 retratações, respectivamente – isso representa 48% de todos os casos japoneses no período analisado.

    Sonia observa que o Retraction Watch exibe apenas uma fração das retratações, aquelas relacionadas a periódicos de maior prestígio, indexados em bancos de dados internacionais. Para ampliar seu alcance, o site criou no ano passado um banco de dados abrangente, com uma cobertura mais ampla que a oferecida pelo acervo de notícias. “Essa base ajudará a ampliar a compreensão sobre o cenário de correção da literatura científica e permitirá um aprofundamento das considerações que fizemos no artigo publicado em janeiro”, afirma Sonia. Em nota publicada em agosto de 2017, a equipe do Retraction Watch informou que o banco de dados já havia catalogado aproximadamente 8 mil retratações. Estima-se que esse número chegue a 15 mil nos próximos meses.

    Práticas questionáveis 
    No estudo publicado na Scientometrics, as autoras identificaram que 47% das retratações foram causadas por formas mais graves de má conduta científica, como fraudes e manipulação de dados. Já erros em que não há indícios de má-fé dos autores foram responsáveis por 11% dos cancelamentos. Também houve registro de práticas questionáveis que nem sempre caracterizam má conduta. “Mas algumas delas colocam em risco a confiabilidade do artigo, como, por exemplo, distorções na atribuição de autoria e conflitos de interesse não declarados”, explica Mariana Ribeiro.

    As autoras alertam que os resultados podem ter vieses. “A predominância de casos de má conduta pode significar que o Retraction Watch discute muito mais episódios motivados por falhas graves ou intencionais, porque isso atrai maior atenção dos leitores”, explica Sonia. Mesmo assim, diz ela, o estudo reflete um cenário já indicado em trabalhos anteriores. Outro estudo, publicado na Scientometrics em 2013, mostrou que a porcentagem de todas as retratações envolvendo alegações de má conduta cresceu de 55%, do total em 2007, para 71%, em 2010.

    Embora o Brasil não tenha sido contemplado na análise, em um estudo publicado em 2016 na revista Science and Engineering Ethics, Sonia e outros autores mostraram que houve crescimento no número de casos de má conduta científica detectados envolvendo autores brasileiros nos últimos anos (ver Pesquisa FAPESP nº 240). O trabalho analisou mais de 2 mil papers indexados na biblioteca virtual brasileira SciELO e na base de dados latino-americana de informações em ciências da saúde (Lilacs) entre 2009 e 2014. Ele indicou que as retratações estão em ascensão nas duas bases de dados: entre 2004 e 2009, foram identificadas de uma a duas retratações por ano; já entre 2011 e 2012, a média subiu para sete. O plágio foi a principal razão para as retratações dos artigos brasileiros, sendo responsável por 46% do total.

    Fonte: Pesquisa Fapesp


  • Publicado em 20/02/2018 às 19:26


  • Levantamento revela que cereais matinais produzidos no Brasil têm excesso de açúcar

    Publicado em 15/02/2018 às 10:51

    As pesquisadoras Eliana Bistriche Giuntini e Kristy Soraya Coelho, nutricionistas e membros do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), realizaram levantamento de teor de sal e açúcar em 29 tipos de cereais matinais vendidos no Brasil, e descobriram que somente seis apresentam pouco açúcar (menos de 5 g/100 g): as aveias e um mix de cereais. Outros cinco revelam teor um pouco acima do recomendado e 18 estão bem acima, apresentando mais de 22,5 g de açúcar por 100 g de produto.

    “Vários estão com 40 g de açúcar por 100 g de produto, incluindo as granolas, produtos que têm apelo saudável, pois são ricos em fibra alimentar e fontes de proteína. Segundo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está estabelecido apenas o baixo conteúdo de açúcar, que é, no máximo, 5 g por 100 g de produto. E este não é um problema só do Brasil”, explica Eliana. Os dados foram colhidos entre julho e agosto e as marcas pesquisadas foram Kellogg’s, Nestlé e Quaker.

    O levantamento foi realizado como parte da pesquisa da World Action on Salt and Health (WASH) sobre o teor de açúcar e sal em cereais matinais em 29 países. Os resultados foram divulgados nesta terça, 29 de novembro.

    Entre os cinco cereais com mais açúcar encontrados nos países pesquisados, figura o Kellogg’s Froot Loops vendido no Brasil e no México, com espantosos 40 g de açúcar para cada 100 g do produto. O Brasil também figura na lista dos cinco menos açucarados, com o Kellogg’s Corn Flakes. Confira nas tabelas abaixo, publicadas pelo site da WASH:

    tabela cereais
    tabela cereais menos

    “Enviamos dados de 29 cereais de três grandes empresas, porque o solicitado era que mandássemos informação sobre produtos vendidos também em outros países, para efeito de comparação”, diz a nutricionista, chamando a atenção, ainda, para a ausência de dados sobre o açúcar adicionado aos alimentos nos rótulos de produtos alimentícios no Brasil.

    “Nossa legislação não exige que a rotulagem traga o quanto de açúcar foi adicionado ao produto. O que temos nos rótulos são dados de açúcar total. Mas, em determinados produtos, a matéria prima já traz um pouco de açúcar. Então seria interessante e prudente que nossa legislação exigisse que fosse acrescentada, no rótulo, a informação sobre o açúcar adicionado ao alimento. Apenas alguns poucos produtos trazem essa informação, no geral aqueles direcionados ao consumo infantil.”

    Quanto ao sal, 16 dos cereais pesquisados continham quantidades consideradas adequadas, e 13 já apresentavam teor um pouco acima do recomendado. “Mas esse tipo de produto não é salgado. Mesmo assim, uma boa parcela ainda tem conteúdo um pouco elevado de sal. Agora, definitivamente, o maior problema é o açúcar. Segundo a Organização Mundial de Saúde a recomendação é de que o consumo de açúcar não exceda a 10% da ingestão diária de energia, aproximadamente 50 g por dia, para um adulto”, diz Kristy.

    Sobre a pesquisa WASH

    A pesquisa WASH analisou a composição nutricional (açúcar e sal), cereais matinais em 29 países, a fim de estabelecer comparações internacionais, com foco em 19 produtos encontrados em um grande número de países participantes. Entre as principais descobertas do levantamento constam:

    • Mais metade dos cereais matinais pesquisados (58%) contém altos níveis de açúcar (acima de 22,5 g/100 g) – cerca de seis colheres de chá de açúcar por 100 g;
    • O cereal que encabeça a lista dos cinco mais açucarados é o Kellogg’s Honey Smacks vendido no México, que tem 57 g de açúcar para cada 100 g de produto; o Kellogg’s Froot Loops vendido no Brasil e no México ocupa o terceiro lugar;
    • Nenhum produto pesquisado contém níveis baixos de açúcar;
    • Dos 291 cereais matinais pesquisados, 98 (34%) apresentaram sal acima das metas estabelecidas pelo Reino Unido para 2017.

    Fonte: Forc – Centro de Pesquisa em Alimentos


  • Minidocumentário sobre Rotulagem Nutricional

    Publicado em 15/02/2018 às 10:45

    Minidocumentário produzido pela Francine Lime (Canal do Campo à Mesa) sobre a rotulagem nutricional frontal na América Latina, com participação da Professora Dra. Ana Carolina Fernandes, membro do NUPPRE

    Link para o documentário: https://youtu.be/bLVMocEcsU0


  • Publicado em 07/02/2018 às 14:06


  • Carta aberta Abrasco sobre a Febre Amarela no Brasil

    Publicado em 01/02/2018 às 16:24

    Exatamente há um ano a Associação Brasileira de Saúde Coletiva divulgou a Carta aberta Abrasco sobre a Febre Amarela no Brasil  assinada por mais seis instituições do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira onde apelava para que o Ministério da Saúde, dentro de seu papel constitucional, organizasse e coordenasse o combate à Febre Amarela, mobilizando e integrando ações dos estados, municípios, centros de pesquisa, universidades e meios de comunicação. 12 meses depois, a Abrasco dirigi-se novamente às autoridades sanitárias do Ministério da Saúde, das Secretarias Estaduais e Municipais de saúde e à sociedade brasileira para fazer o alerta: a ameaça da urbanização da Febre Amarela nos obriga a definir políticas de curto e médio prazo para prevenir futuros surtos. Leia a carta na íntegra:

    O aumento do número de casos e de mortes por Febre Amarela registrado nas últimas semanas em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Distrito Federal está preocupando e causando insegurança na sociedade devido à gravidade desta doença e do risco de sua urbanização.

    Sabe-se que uma extensa epizootia, epidemia em macacos suscetíveis a doença, vem acontecendo, simultaneamente, em vários estados brasileiros, em áreas próximas a cidades densamente populosas. Os atuais surtos de Febre Amarela têm sido atribuídos a pessoas picadas por mosquitos que vivem em áreas de mata, a Febre Amarela silvestre.

    A Febre Amarela é uma doença imunoprevenível, ou seja, pode ser evitada desde que se adote medidas de prevenção adequadas, o que inclui elevadas coberturas vacinais e informações e ações de educação em saúde para que as pessoas não adentrem as matas ou permaneçam nas áreas consideradas de risco sem estarem imunizadas.

    Estas ações, que devem ser contínuas e intensificadas quando se detecta epizootias, evitariam a crise pela qual estamos passando com dezenas de mortes até o momento. Em área urbana, a Febre Amarela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que tanto dano causa aos brasileiros, ao transmitir a Zika, a Dengue e o Chikungunya. As dificuldades de controlar este vetor são conhecidas. No ritmo em que vem aumentando o número de casos de Febre Amarela silvestre em humanos, torna-se assustadora a possibilidade de haver uma epidemia urbana da doença, na medida em que mais de 90% das cidades do país encontram-se infestadas por este vetor. Caso haja transmissão pelo Aedes aegypti em áreas urbanas, além das mortes que fatalmente ocorreriam até se detectar o problema e realizar um amplo bloqueio vacinal, o real controle da situação exigiria um enorme esforço e imenso quantitativo de vacinas para se proteger as populações residentes nas áreas urbanas infestadas.

    Atualmente, o controle da doença depende primariamente da imunização da população de risco, a qual, neste momento, vem se estendendo rapidamente para mais municípios. Consideramos que não se pode mais afirmar com segurança que ainda não existe transmissão urbana da doença.

    Preocupadas com a gravidade do atual surto de Febre Amarela silvestre em diversos estados brasileiros, as entidades integrantes do Fórum da Reforma Sanitária Brasileira abaixo assinadas reconhecem a necessidade de unir esforços para contê-lo o mais rapidamente possível.

    A ameaça da urbanização da Febre Amarela nos obriga a definir políticas de curto e médio prazo para prevenir futuros surtos.

    Prioritariamente, faz-se necessária a vacinação seletiva, imediata e abrangente das populações residentes ou que visitam as áreas onde estão ocorrendo casos de Febre Amarela. Isto somente será possível com um reforço da produção e da distribuição de vacinas, bem como da rede de frio. Ademais, deve-se considerar a importância de ampliar o quantitativo de recursos humanos treinados para indicar com segurança (vacinação seletiva) e aplicar o imunógeno em cada posto de vacinação. A disponibilidade de vacinas e a capacidade atual de realizar rapidamente estas ações estão aquém das necessidades das secretarias de saúde dos municípios afetados.

    É urgente que o Ministério da Saúde atualize a lista de todos os municípios considerados de risco à luz do novo momento, tanto para planejar a ampliação e o fortalecimento destas medidas de vacinação para bloquear a ocorrência de casos e, consequentemente, impedir o avanço dos surtos, como para orientar a população que se desloca, por trabalho ou lazer, para estas localidades.

    Cabe também ao Ministério da Saúde tornar pública a disponibilidade de vacinas e os planos de contingência para aumentar nossa capacidade de produção, distribuição e aplicação de vacinas.

    É imperativo que protocolos de atenção clínica aos casos suspeitos sejam prontamente disponibilizados aos profissionais de saúde da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e que sistemas de alerta precoce sejam adotados pelos serviços de vigilância em saúde. É também necessário que se fortaleça a rede de laboratórios para que os diagnósticos dos casos suspeitos sejam realizados oportunamente.

    Estas ações devem ser seguidas de uma análise criteriosa da cobertura vacinal atual e de uma política agressiva de imunização de toda a população em áreas de risco. Desta forma será possível reduzir o risco de uma epidemia urbana de Febre Amarela e deter a sucessão de mortes evitáveis.

    Como política de longo prazo, urge reforçar a capacidade de produção de vacinas mais seguras, ou seja, menos reatogênicas à Febre Amarela.

    Urge vigiar, investigar e adotar todos os meios para que não ocorra transmissão urbana da Febre Amarela no Brasil. Vale enfatizar que o combate à Febre Amarela, além de todas as medicas citadas, depende do investimento em saneamento básico e na preservação do meio ambiente.

    Apelamos para que o Ministério da Saúde, dentro de seu papel constitucional, organize e coordene o combate à Febre Amarela, mobilizando e integrando ações dos estados, municípios, centros de pesquisa, universidades e meios de comunicação.

    Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2018

    Associação Brasileira de Saúde Coletiva


  • Primeira Rede de Ambientes Saudáveis é constituída nas Américas

    Publicado em 01/02/2018 às 16:15

    23 de janeiro de 2018 – Na cidade de Santiago/Chile, foi conformada a primeira Rede de Entornos Saudáveis nas Américas com o objetivo de trabalhar conjuntamente para reduzir o sobrepeso e a obesidade na Região, centrando-se em medidas regulatórias e na promoção e participação cidadã.

    O encontro, liderado pelo Chile, tem a participação da Argentina, do Brasil, do Canadá, da Colômbia, do Equador, do México e de Israel, o último, como convidado. (…)

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1766 ; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

    Nesta edição:

    • Primeira Rede de Ambientes Saudáveis é constituída nas Américas
    • ‘Comer é ato político’, diz Bela Gil pela democratização da alimentação saudável para construir hábitos saudáveis
    • Caisan propõe mudanças nos rótulos dos alimentos
    • Espaço dos estados
    • De olho na evidência: Refrigerantes liberam mais hormônio da fome, confirma estudo
    • Implementando o Guia: Dicas para criar e cultivar uma horta orgânica comunitária
    • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
    • Saiu na mídia

     

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

     

    Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

    Departamento de Atenção Básica

    Secretaria de Atenção à Saúde

    Ministério da Saúde


  • Quinn on Nutrition: Mais sobre feijão e pão

    Publicado em 01/02/2018 às 16:14
    Compartilhando notícia sobre feijão originária da pesquisa de dissertação da Ana Caroliana Fernandes, membro do NUPPRE, em blog nos EUA.

    Last week’s column about the best way to soak beans to retain nutrients brought a response from Ana Carolina Fernandes, Ph.D nutritionist and professor at Federal University of Santa Catarina in Brazil. In 2010, her research team published an article in the International Journal of Food Science & Technology in which they reviewed the nutritional impact of various methods of bean soaking and cooking. (Volume 45, pages 2209-2218 if you’re interested).

    “According to our review,” she wrote, “the best practice is soaking beans overnight in water but discarding the water, without boiling, before discarding it. This method not only decreases gas but increases the bioavailability of some nutrients, since some antinutritional factors are also discarded. In other words, although there is some loss of nutrients, the remaining contents are more digested and absorbed than the nutrients from non-soaked beans.”

    Here’s what I gleaned from her informative article: Some compounds in beans are considered “anti-nutrients” because they can interfere with the absorption of some nutrients. Phytates, for example, may reduce the body’s ability to absorb iron, calcium and other minerals. Fernandes’ review found that dumping the soaking water before cooking was the most effective way to get rid of some of these phytates.

    Other substances in beans called oligosaccharides contribute to the unpleasant flatulence most of us wish to avoid. Soaking before cooking and discarding the soaking water also seems to be an effective way to reduce these oligosaccharides, says Fernandes.

    Beans are a good source of plant protein and cooking method does not seem to affect their protein content, research has found. And it’s interesting that even though some calcium, magnesium and iron can be lost in the soaking water, the minerals that remain may be even more available for the body after cooking. One reason is that some of the substances that interfere with the digestion of these nutrients is tossed out with the soaking water as well.

    My answer to comments from a reader on what he considered to be misleading information about dietary fiber on bread labels brought this response from him:

    “Thanx. As I’m sure you know, adjusting both size of the loaf and thickness of the slice, are common ways in which bakers manipulate nutritional labels. — Terry”

    Dear Terry,

    We certainly do see different sizes of servings on Nutrition Facts labels. That’s because the food labeling law mandates that serving sizes be based on the amounts that people eat. In the case of the bread, the serving is “1 slice” and the size of that one slice varies from product to product.

    Thanks for writing!

    Barbara Quinn is a registered dietitian nutritionist affiliated with the Community Hospital of the Monterey Peninsula. She is the author of Quinn-Essential Nutrition: The Uncomplicated Science of Eating. Email her at barbara@quinnessentialnutrition.com.


  • 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva

    Publicado em 18/01/2018 às 11:22


  • Notícia de Capa: Opine sobre a regulação de suplementos alimentares

    Publicado em 18/01/2018 às 11:20

    A Anvisa está propondo um novo marco regulatório para suplementos alimentares. O primeiro passo foi definir esta categoria de produtos, que apesar de ser amplamente reconhecida pelo consumidor e ser adotada em outros países, não está prevista na legislação sanitária brasileira.

    A definição proposta considera suplementos alimentares todos os produtos de ingestão oral, apresentado em formas farmacêuticas, destinados a suplementar a alimentação de indivíduos saudáveis com nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos, isolados ou combinados. (…)

     

    Para saber mais sobre essa matéria e acessar as demais notícias relacionadas à agenda de alimentação e nutrição no SUS:

    – Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1765; ou

    – Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

     

     

    Nesta edição:

    • Opine sobre a regulação de suplementos alimentares
    • A hora é agora! Aproveite o começo do ano para construir hábitos saudáveis
    • Atividades físicas em grupo geram mais motivação para uma vida mais ativa
    • De olho na evidência: Refrigerantes liberam mais hormônio da fome, confirma estudo
    • Espaço dos estados
    • Implementando o Guia: Dicas simples de alimentação para seguir em 2018 e ser mais saudável
    • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
    • Saiu na mídia

     

    A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

     

    Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

    Departamento de Atenção Básica

    Secretaria de Atenção à Saúde

    Ministério da Saúde


  • Edital de Seleção 2018 – PPGN

    Publicado em 18/01/2018 às 11:19


  • DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde

    Publicado em 18/01/2018 às 11:15
    Caros leitores:
    A revista DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde acaba de publicar seu
    último número, disponível em
    http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra. Convidamos a navegar no
    sumário da revista para acessar os artigos – todos publicados
    simultaneamente em português e inglês ou em espanhol e inglês – e outros
    itens de seu interesse.

    Agradecemos seu contínuo interesse e apoio ao nosso trabalho.


  • Método questionável admitido em público

    Publicado em 15/01/2018 às 17:01

    Nutricionista que fazia recomendações de alimentação saudável para os EUA tem artigos retratados por erros e negligência.

    A revista Frontiers on Psychology anunciou em novembro a retratação de um artigo publicado em 2016 pelo especialista em comportamento e nutriçao Brian Wansink, pesquisador da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. O estudo em questão utilizou dados sobre os hábitos de 355 veteranos da Segunda Guerra Mundial e concluiu que experiências traumáticas podem interferir no modo como os indivíduos compram alimentos: os ex-combatentes que vivenciaram situações muito violentas exibiam menor fidelidade a marcas, enquanto as vítimas de traumas leves seriam mais influenciáveis por propaganda. Depois de receber denúncia sobre possíveis vieses no estudo, a revista reanalisou os dados brutos da pesquisa e concluiu que “não há base empírica para as conclusões do artigo”, segundo a nota de retratação.

    Esse foi o quarto artigo assinado por Wansink cancelado em 2017 e outros sete precisaram sofrer correções – há ainda cerca de 40 sob investigação. Houve até o caso de um artigo retratado duas vezes. Publicado em 2012 no Jama Pediatrics, o paper foi cancelado e republicado com a correção de erros estatísticos, mas em seguida teve uma retratação definitiva quando se constatou que suas premissas estavam totalmente equivocadas. Não se sustentava a conclusão de que crianças de 8 a 11 anos preferem maçãs a cookies se a fruta tiver uma estampa com o personagem Elmo, da Vila Sésamo, porque os dados do estudo haviam sido obtidos com crianças bem mais novas, de 3 a 5 anos.

    Brian Wansink é uma figura popular nos Estados Unidos. Escreveu livros de grandes tiragens, como Mindless eating, de 2007, em que defende o uso de pratos pequenos para ingerir menos calorias. Foi diretor do Centro para Promoção e Políticas de Nutrição do governo norte-americano e coordenou as U.S. Dietary Guidelines para o período de 2007 a 2009, com recomendações para uma alimentação mais saudável atualizadas com base em evidências científicas. Em 2010, foi um dos fundadores de um programa que recebeu US$ 22 milhões de financiamento federal para orientar estratégias de alimentação em mais de 30 mil escolas. Tais estratégias se baseiam, em boa medida, na produção científica do grupo de Wansink.

    As investigações sobre seus artigos foram deflagradas após a publicação de um texto polêmico, divulgado no blog pessoal de Wansink em novembro de 2016, em que ele relatou o uso de métodos questionáveis de tratamento de dados estatísticos. O post, intitulado“A estudante de pós-graduação que nunca diz não”, elogiava a aluna de doutorado turca Ozge Sigirci, estagiária de seu laboratório, pela disposição de investir tempo na reanálise de dados brutos que outros pesquisadores já haviam investigado, tendo encontrado apenas resultados nulos. Wansink contou ter oferecido a ela a chance de retrabalhar os resultados de um levantamento feito em um restaurante italiano, que fornecia um rodízio de pizza na qual o consumidor comia o quanto quisesse.

    “Eu disse à aluna: custou muito tempo e dinheiro para coletar essas informações. Deve haver algo aqui que pode ser salvo, pois se trata de um conjunto de dados legal, rico e único”, escreveu. Ozge Sigirci, que trabalhava de modo voluntário, analisou reiteradamente os dados e levantou tendências que, segundo o pesquisador, permitiram formular hipóteses e renderam quatro artigos submetidos a revistas. Um deles sustentava que homens comem mais quando estão na companhia de mulheres. Outro analisava a relação entre o preço do rodízio e a satisfação dos clientes. Feliz com a aplicação da estudante, Wansink desafiou-a a analisar outro conjunto de dados que havia sido rejeitado por um estagiário de pós-doutorado contratado pelo laboratório – ele não vira perspectiva de extrair dali algum artigo. A aluna reanalisou os dados e, novamente, fez descobertas que renderam artigos.

    O post da Wansink circulou no meio acadêmico e foi duramente criticado. Houve quem condenasse o fato de uma estudante estrangeira trabalhar sem ganhar nada, enquanto alguns pesquisadores identificaram no relato indícios de uma prática conhecida como p-hacking, ou manipulação dos valores de p, uma forma de tratar e selecionar exaustivamente dados estatísticos para extrair alguma tendência de resultados inconclusos. P é uma medida que representa a probabilidade de o efeito observado em um levantamento se dever ao acaso e não aos fatores que estão sendo estudados. Um valor menor ou igual a 0,05 é utilizado como indicador de significância estatística, pois sugere que os resultados são robustos. Também despontaram críticas ao fato de Wansink fatiar uma pesquisa de modo a render vários artigos.

    Momento sensível
    O pesquisador de Cornell descreveu suas práticas controversas em um momento especialmente sensível, no qual a pesquisa em psicologia vive uma crise marcada pela inviabilidade de reproduzir e confirmar conclusões de estudos que renderam resultados curiosos e boas manchetes de jornal. Em 2014, uma força-tarefa de 100 pesquisadores de vários países lançou-se ao desafio de tentar reproduzir um conjunto de 27 artigos da área de psicologia social, e em um terço dos casos não tiveram sucesso (ver Pesquisa FAPESP nº 220). Essa crise foi deflagrada por escândalos como o provocado por Diederick Stapel, professor de psicologia social da Universidade de Tilburg, na Holanda, que teve 30 artigos retratados por manipulação de dados (ver Pesquisa FAPESP nº 190).

    As críticas à postura de Wansink chamaram a atenção de um grupo de pesquisadores holandeses que criou ferramentas para detectar anomalias estatísticas em artigos. A equipe, que reúne Jordan Anaya, biólogo computacional, Nick Brown, estudante de doutorado da Universidade Groninger, e Tim van der Zee, professor da Universidade de Leiden, encontrou 150 inconsistências estatísticas nos quatro artigos resultantes do estudo sobre o rodízio de pizza. Em muitos casos, tabelas reproduziam dados com arredondamentos grosseiros. Tais achados renderam um manuscrito divulgado em um repositório de preprints, com o título “Azia estatística: Uma tentativa de digerir quatro publicações sobre pizza feitas pelo Laboratório de Nutrição e Marcas da Universidade Cornell”. O trio solicitou a Wansink acesso aos dados da pesquisa, mas ele alegou que isso quebraria o anonimato dos participantes. Acionado, o Escritório de Integridade Científica da Universidade Cornell alegou que os dados são mesmo sigilosos. Em sua única manifestação oficial até agora, a universidade informou em maio não ter encontrado evidências de má conduta nos erros dos quatro artigos sobre o rodízio de pizza – mas cogitava avaliar novas denúncias.


  • Institutional Links apoiará projetos de segurança alimentar e pesca artesanal

    Publicado em 15/01/2018 às 16:57

    A FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) e o Conselho Britânico divulgaram os dois projetos catarinenses aprovados na chamada internacional Institutional Links, apoiada pelo Fundo Newton. Participaram da chamada grupos acadêmicos, do setor privado e organizações do terceiro setor, como ONGs, pequenas e médias empresas, centros de transferência de tecnologia e outras organizações sem fins lucrativos.

    Em todo o Brasil foram aprovadas 9 propostas, de 7 estados brasileiros, sendo duas de Santa Catarina. A lista completa dos contemplados pode ser acessada neste link. Foram elegidas como áreas prioritárias para o estado Segurança Alimentar e Tecnologias para o desenvolvimento sustentável de agricultura familiar e pesca artesanal.

    A FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) e o Conselho Britânico divulgaram os dois projetos catarinenses aprovados na chamada internacional Institutional Links, apoiada pelo Fundo Newton. Participaram da chamada grupos acadêmicos, do setor privado e organizações do terceiro setor, como ONGs, pequenas e médias empresas, centros de transferência de tecnologia e outras organizações sem fins lucrativos.

    Em todo o Brasil foram aprovadas 9 propostas, de 7 estados brasileiros, sendo duas de Santa Catarina. A lista completa dos contemplados pode ser acessada neste link. Foram elegidas como áreas prioritárias para o estado Segurança Alimentar e Tecnologias para o desenvolvimento sustentável de agricultura familiar e pesca artesanal.

    O segundo projeto apoiado será um estudo para implementar soluções tecnológicas para o desenvolvimento sustentável de pesca artesanal, proposto pelo professor Joaquim Valverde, do IFC (Instituto Federal Catarinense), em parceria com Ramakrishnan Ramanathan, da Universidade de Bedfordshire. Os objetivos da pesquisa são melhorar a capacidade dos brasileiros em apoiar a sustentabilidade da pesca artesanal, implantar nova tecnologia e treinar stakeholders locais no uso da inovação escolhida, após seis meses de testes.

    Serão elaborados e distribuídos manuais de treinamento na região da pesquisa, e as equipes participarão de seminários de pesquisa no Reino Unido e no Brasil. O projeto está alinhado com as diretrizes propostas pelo Conselho Britânico (ODA), e deverá impactar positivamente a sustentabilidade dessa atividade no Brasil com tecnologia e auxílio aos pescadores artesanais para que possam manter a atividade.

    Fonte: Coordenadoria de Comunicação da FAPESC

     

    Fotos: Pixabay


  • Editora da UFSC relança o ‘homo academicus’ de Pierre Bourdieu

    Publicado em 05/12/2017 às 10:54

    ‘Um livro para queimar’? é o capítulo número um de “homo academicus”, livro que chega agora como uma das últimas novidades da Editora da UFSC e mostra a ousadia acadêmica de seu autor, Pierre Bourdieu.

    Parte da ideia inicial de que analisar cientificamente o mundo universitário significa eleger como objeto uma instituição que é socialmente reconhecida, que goza de toda legitimidade graças ao seu caráter nacional, que é vista como “mágica” e que se pretende objetiva e universal. Na obra, Bourdieu revela conflitos, contradições, crises, desilusões, interesses, relações de força, hierarquia de prestígios, ruptura de equilíbrios.

    Ao compreender o mundo universitário francês como um campo no qual se confrontam múltiplos poderes que correspondem às trajetórias sociais e escolares e também às produções culturais dos seus agentes, ele demonstra que a produção científica está longe de ser o resultado de uma forma de meritocracia que consagra os talentos individuais.

    A originalidade de sua tese, observa a professora Ione Ribeiro Valle, professora da UFSC e coordenadora do Laboratório de Pesquisas Sociológicas Pierre Bourdieu (LAPSB/CNPq), está em mostrar que as tomadas de posição dos intelectuais ou as políticas educacionais, tanto nos períodos de equilíbrio quanto em tempos de crise, são determinadas pelos mecanismos de reprodução de privilégios herdados. ”Bourdieu produz uma sociologia crítica que procura compreender as relações entre cultura, ciência, escola, mídia e reprodução social”.

    Pierre Félix Bourdieu(1930-2002) vem da École Normale Supérieur de Paris e dedica sua vida acadêmica desenvolvendo um trabalho científico de fôlego, regular, cotidiano, sistemático, persistente, sólido, polêmico. É dono de um estilo hermético, linguagem austera, marcas do filósofo, presentes em obras como A ontologia política de Martin Heidegger, de 1988, e Meditações pascalianas, de 1997).

    Para compreender homo academicus, avisa Ione Valle, é preciso lê-lo como marco de uma ruptura radical com os pressupostos tácitos do universo acadêmico no qual as dissensões aparentes mascaram o consenso profundo. É preciso lê-lo imaginando que a escola e a universidade são capazes de distribuir de maneira ampla e plena as aquisições científicas e culturais acumuladas e que o impossível possível, ao mesmo tempo rejeitado e reivindicado, pode prometer – e promover – um futuro para “crianças e povos sem futuro”.

    Mais informações em editora.ufsc.br ou facebook.com/editora.ufsc.

     

    Home academicus

    Pierre Bourdieu

    Editora da UFSC

    310 páginas

    2017 – 310 páginas – 2ª edição

    Preço R$ 42,00


  • Transgênicos estão com os dias contados, diz especialista da CTNBio — Rede Brasil Atual

    Publicado em 05/12/2017 às 10:48

    Professor da Unicamp afirma que a maioria dos fabricantes do setor vai falir porque a tecnologia é cara, tem vida curta e já nasce ultrapassada. “A lei da natureza é mais forte”

    monsanto canada.jpg

    São Paulo – Para o professor e ex-diretor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Mohamed Ezz El-Din Mostafa Habib, o setor de biotecnologia – que basicamente projeta e desenvolve organismos geneticamente modificados, os transgênicos – está em decadência, o que pode alterar significativamente a atual situação, de ampla presença destas tecnologias sobretudo na agricultura.

    A certeza do cientista de 75 anos – egípcio naturalizado brasileiro, que chegou por aquil como refugiado no começo da década de 1970 depois de viver na Europa –, vem da leitura de aspectos econômicos, científicos, sociais e comportamentais em âmbito internacional sobre o setor.

    “A maior empresa de biotecnologia do planeta, a Monsanto, foi comprada pela Bayer. Os jornais chamam de fusão, venda, mas isso significa que a Monsanto faliu. Esses processos de fusão, em que uma empresa compra a outra, são na verdade tentativas de sobrevivência no setor”, afirma Habib.

    Ele lembra que até mesmo a Oxitec, empresa de origem britânica que desenvolveu os mosquitos transgênicos liberados no Brasil, foi comprada por um grupo maior, o Intrexon, dos Estados Unidos, depois de perder apoio da Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde foi criada em uma incubadora de empresas. E que mesmo com a incorporação pelo grupo norte-americano, apresenta dados econômicos insatisfatórios – daí a pressão sobre políticos em diversos países para desovar os estoques dos famigerados mosquitos e atrair novos acionistas.

    E não é só. A maioria das companhias do setor, segundo ele, está mergulhada em dívidas. “Em situação crítica, correm risco de falências. Eles pagam caro para fazer modificações genéticas nas plantas para torná-las resistentes a pragas ou herbicidas e, cinco anos depois, a natureza vence. As pragas e as plantas daninhas tornam-se resistentes. Já são 17 as plantas chamadas invasoras que criaram resistência ao glifosato, coisa que nós já vínhamos alertando há muito tempo. E o que eles fazem? Voltam a repetir o mesmo ciclo: inventam novas moléculas contra as quais os insetos não têm resistência e vão jogando mais veneno na lavoura e na natureza, quando a promessa da transgenia era diminuir o uso de venenos. E logo a natureza reage com a resistência dos insetos e plantas invasoras”.

    A intensidade da adesão à tecnologia dos transgênicos chega a ser desoladora para quem se preocupa com a preservação ambiental e a saúde pública do país. Mais de 83% do milho plantado no Brasil é geneticamente modificado. Da soja, o percentual é ainda maior: 95%. E do algodão, 66%. Sem contar as versões transgênicas do feijão, do eucalipto e da cana, que já foram liberadas para produção e comercialização.

    Há ainda o Aedes aegypti – os chamados mosquitos transgênicos que há mais de dois anos vêm sendo liberados em Piracicaba (SP), mesmo sem comprovar eficácia na redução da população do animal original e selvagem – transmissor de infecções como dengue, chikungunya e zika – além das incertezas sobre ser seguro à saúde e ao meio ambiente. Por essas e outras, a tecnologia desenvolvida pela Oxitec está sendo questionada por entidades estrangeiras, como a britânica GeneWatch, que quer a proibição da soltura desse tipo de Aedes.

    Há também uma infinidade de outros projetos em curso dentro do setor, como da laranja e do fumo geneticamente modificada, em avaliação na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), colegiado criado para assessorar o governo federal em assuntos sobre transgênicos – e não para aprovar tudo sem critério científico algum, como sempre acontece.

    Se ainda fosse pouco, empresas do setor, como as transnacionais Basf, Bayer, Dow, Du Pont, Monsanto e Syngenta, que financiam grande parte das pesquisas e seus pesquisadores, e da maioria dos parlamentares no Brasil, exercem poderoso lobby. A ameaça da vez é o relaxamento na legislação que obriga os fabricantes a incluir o símbolo dos transgênicos no rótulo dos alimentos – O T preto dentro do triângulo amarelo.

    Apesar de não contemplar por completo os interesses da população, essa garantia de um mínimo de informação para que o consumidor possa fazer suas escolhas é uma pedra no sapato dos fabricantes, que não querem ter seus produtos visivelmente associados a uma biotecnologia envolta em riscos e incertezas que virou unanimidade entre os consumidores. Ninguém os quer justamente porque acha algo muito mal explicado.

    Mas, apesar disso tudo, a situação tem tudo para mudar “logo, logo”, segundo Mostafa Habib. O titular da cadeira na CTNBio reservada a especialistas em meio ambiente, onde cumpre seu primeiro mandato, está convicto: “Comecem a se animar, porque isso tudo vai mudar logo, logo”, afirma.

    Lei da natureza

    Segundo Habib, os laboratórios que desenvolvem plantas, sementes e outros tipos de organismos geneticamente modificados têm custos altíssimos. São altos também os riscos aos investidores nas diferentes fases, desde a pesquisa, o desenvolvimento, o uso e depois do uso. E há carências e fragilidades científicas envolvendo o risco inerente à biotecnologia e à biossegurança. Ou seja: não funcionar e ainda causar danos ambientais.

    Além disso, os recursos humanos envolvidos são altamente especializados, caríssimos, apesar de pobres no conhecimento das ciências básicas. Sem contar a disputa entre as empresas. “E apesar dos carteis, há o imenso risco de, ao ser lançado, o produto biotecnológico ser ultrapassado em pouquíssimo tempo, ou mesmo nem servir. Uma semente transgênica desenvolvida para ser resistente a herbicidas, ou as plantas transgênicas que contêm bactérias tóxicas, para matar os insetos que as atacam, têm vida muito curta, abreviada pela grande concorrência e sobretudo pela força da lei da natureza.”

    Uma lei, segundo ele, que determina que em quaisquer contatos constantes entre a população de qualquer ser vivo e um fator que a coloque em risco de vida, vai resultar em um desenvolvimento de resistência a esse fator. “Nessa lei da natureza, as plantas que são atacadas por agrotóxicos passam a ser resistentes a eles, por isso aumentam as quantidades e a toxicidade. Do mesmo modo, as toxinas das plantas transgênicas vão deixando de ser mortais para os insetos alvo.”

    O resultado é uma das consequências da ultra especialização das biotecnologias. Um problema, conforme Habib, porque ao mesmo tempo em que os pesquisadores dominam um conhecimento bastante específico, perdem a visão holística da ciência e de como a vida como um todo funciona.

    “O que acontece com essas indústrias é semelhante ao que acontece com a mídia comercial, que as apoia, inclusive. Elas perderam a credibilidade, e seguem pelo mesmo caminho”, diz, traçando paralelo entre dívidas gigantes com os governos, inclusive pela sonegação de impostos, como no caso da Globo, e escândalos envolvendo manipulações de informações, corrupção de outros crimes praticados por empresas de transgênicos e agrotóxicos, como a Monsanto, por exemplo. “Tudo isso seguido pela desvalorização da marca e das ações em bolsas de valores.”

    MARTINHO CAIRES/AGÊNCIA SOCIAL DE NOTÍCIASmohamed.jpg
    Mohamed Habib: ‘Transgênicos são tecnologias que nascem mortas, fracassadas, repetidoras de erros da revolução verde, mas em nova embalagem’

    A máscara caiu

    “Os anúncios de novas invenções, que prometem uma planta capaz de ser resistente a mais de um herbicida e ainda sintetizar toxinas que combatem pragas, isso tudo é conversa para boi dormir. Não adianta criar inventos com múltiplas ações, que não resolve. Não pensem que, ao se adicionar mais um gene a uma semente de uma espécie vegetal, que tem mais de 40 mil genes, estaremos criando uma outra espécie, que vai durar para sempre. A natureza é mais forte do que a intervenção humana, que tem a pretensão de ser mais fortes do que a natureza.”

    Todos esses fatores, conforme o professor, indicam que a máscara dessas indústrias caiu. “E isso precisa ficar claro para todos nós. Hoje em dia, em vários estados brasileiros, cresce o número de agricultores que está abandonando os transgênicos. E daqueles que nunca usaram essas sementes, agora é que não querem mesmo usar. Está mais do que provado que a transgenia é uma tecnologia que já nasceu morta, fracassada, que repete erros cometidos anteriormente e que não funciona. O que muda é a embalagem, a apresentação. Tanto é um fracasso comprovado que essas empresas vivem à procura de alternativas. O problema é: quem vai pagar esse estrago todo?”

    Ao fracasso da tecnologia em aumentar a produtividade, que leva à sua rejeição entre os agricultores, e os riscos à saúde e ao meio ambiente, que levam manifestantes às ruas na Europa e nos Estados Unidos e Canadá, apontam para o sistema agrícola tão antigo quanto a humanidade. E fortalecem o conhecimento ancestral, dos povos tradicionais, que passa de geração em geração.

    “Nós vamos aprender a cultivar em nossos quintais, como foi feito nas piores crises do Império Romano. Foi o conhecimento tradicional, das técnicas mais antigas, que sustentou a todos, e ainda hoje sustenta famílias de refugiados quando chegam a outros países. Foi assim comigo, quando deixei o Egito, há mais de 50 anos. Não é o trabalho intelectual, especializado, de engenheiro, advogado. Não sobrevivi trabalhando como professor universitário em um país que quando cheguei ainda não sabia falar o idioma, mas sim pelas habilidades manuais”, conta o professor.

    Para Mohamed Habib, nunca é demais dizer que a agricultura com base altamente tecnológica e mecanizada não produz a comida que chega à mesa das pessoas em todo o mundo. “Só serve pra produzir matéria prima e energia. Só. Essas tecnologias não produzem arroz e feijão. Hortaliças? Não. Então, nós vamos sobreviver sim. Eles é que vão desaparecer. A inviabilidade econômica de um produto, para eles, é suficiente para saírem do mercado.”

    E como essas biotecnologias são criadas unicamente para ganhar dinheiro, ele não tem dúvida de que uma crise prolongada pode até antecipar o fim do império dos transgênicos. “Eu não tenho dúvidas de que, com esse cenário de resistência crescente ao transgênicos e agrotóxicos, e a persistência de dificuldades econômicas no Brasil, eles deixarão o barco como fazem os ratos, que abandonam o navio que afunda. Serão os primeiros a ir embora”.

    Fonte: Rede Brasil atual


  • Site mostra que pós-graduação brasileira publica em 485 periódicos predatórios

    Publicado em 05/12/2017 às 10:41

    Pelo menos 485 periódicos acusados de recorrer a más práticas editoriais são usados no Brasil por professores, pesquisadores e pós-graduandos, registra o site Preda Qualis, lançado neste mês por três docentes da USP, Unesp e UFABC. Essas publicações estão na plataforma de dados online Qualis Periódicos, do governo federal, que reúne e classifica cerca de 26,5 mil títulos e serve para orientar pesquisadores, professores e pós-graduandos a escolher de revistas acadêmicas para publicar seus trabalhos.

    O objetivo do Preda Qualis, afirmam os autores da iniciativa, é “contribuir para o aperfeiçoamento dos critérios de avaliação dos programas de pós-gradução e do sistema Qualis”, que integra as atividades de avaliação da pós-graduação brasileira pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.

    Dos 485 periódicos “potencialmente predatórios”, 67% foram classificados nos estratos A e B do Qualis, em vez de serem listados no nível C, destinado a publicações consideradas inadequadas, afirmam os autores da iniciativa, Paulo Inácio Prado, do Instituto de Biociências da USP, Roberto André Kraenkel, do Instituto de Física Teórica da Unesp, e Renato Mendes Coutinho, do Centro de Matemática, Computação e Cognição da UFABC.

    Embora considerem “baixa” a proporção de periódicos predatórios do Qualis – os 485 títulos detectados correspondem a 1,8% dos 26.477 registrados na plataforma –, os criadores do novo site entendem que “há uma grande vulnerabilidade do sistema de avaliação da CAPES à invasão por este tipo de publicação”.

    Ponderações

    Logo no início de sua apresentação, os criadores do Preda Qualis advertem que sua lista de títulos potencialmente predatórios “não é uma palavra final e está em constante revisão, devendo ser usada como subsídio para avaliações caso a caso e a critério dos autores e instituições”. E acrescenta:

    O fato de um artigo ser publicado em uma revista potencialmente predatória não significa que este artigo seja de má qualidade. Um dos prejuízos causados pelos periódicos predatórios é justamente potencialmente afetar a credibilidade de tais artigos.

    Preda Qualis, está aberto para sugestões de leitores, afirmam Prado, Kraenkel e Coutinho, que também pedem para serem informados sobre quaisquer problemas encontrados no site.

    Os periódicos predatórios são revistas editadas por empresas que exploram sem rigor científico o modelo de publicação de artigos acadêmicos em acesso livre, que é mantido por meio da cobrança de taxas de autores ou pelo custeio por parte de instituições científicas.

    Tanto no acesso livre como no modelo tradicional, mantido por assinaturas anuais ou pela cobrança por artigo baixado pela internet, os periódicos considerados “legítimos” demoram meses e até mais de um ano para analisar e aceitar artigos, ou rejeitá-los. Os publishers predatórios não só reduzem a poucas semanas o intervalo entre a apresentação e a aceitação de artigos, mas também são menos seletivos e rigorosos nesse processo.

    “Quanto mais artigos eles aceitam e publicam, mais dinheiro eles fazem. A prática de autores que fazem pagamentos aos periódicos criou muita corrupção na publicação acadêmica”, afirmou para a Folha em 2015 o biblioteconomista Jeffrey Beall, professor da Universidade do Colorado em Denver, que lançou em 2011 sua lista de “potenciais, possíveis ou prováveis publishers predatórios” em seu blog Scholarly Open Accessdesativado em janeiro deste ano.

    ‘Acontecimento auspicioso’

    “Acho essa iniciativa excelente! Espero que seja bem sucedida. O Qualis efetivamente funciona como uma ‘lista branca’. Por isso, é uma grande responsabilidade ter certeza de que exclua periódicos predatórios”, afirmou Jeffrey Beall. “Esses cientistas estão efetivamente defendendo a ciência”, disse ele sobre os criadores do novo site.

    “Acho que os autores estão oferecendo um ótimo serviço, ajudando o Qualis a melhorar”, afirmou Beall referindo-se ao Preda Qualis. “O número [detectado] 485, ou 1,8%, é pequeno, mas não demora para que pouco veneno arruine um poço”, acrescentou.

    Para o geógrafo Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), um dos raros pesquisadores brasileiros a se posicionar frequentemente sobre o problema dos predatórios, o lançamento do Preda Qualis é  um acontecimento auspicioso para a comunidade científica brasileira, pois no oferece uma primeira ferramenta para saber mais sobre esse tipo de publicação acadêmica.

    “Alguns poderão dizer que este não seria o melhor momento para o lançamento deste tipo de ferramenta, na medida em que enfrentamos uma grave crise de financiamento que afeta a capacidade dos pesquisadores brasileiros de seguir publicando nos mesmos níveis da última década. Eu já penso que este é o melhor momento, na medida em que teremos como ter escolhas claras de onde não publicar pesquisas que custam bastante aos contribuintes brasileiros”, afirmou Pedlowski.

    “Ao mesmo tempo, poderemos nos mover da falsa dicotomia entre quantidade e qualidade na publicação de artigos científicos para nos concentrar em publicar nas melhores revistas, sejam elas de editoras tradicionais ou de acesso aberto”, acrescentou.

    “Minha expectativa é que os colegas que estão lançando o Preda Qualis não se desanimem com as eventuais críticas e mesmo oposição ao seu trabalho. É que os desafios que estão sendo postos no enfrentamento ao crescimento exponencial das revistas predatórias não podem esperar mais para serem atacados de frente”, disse o professor da UENF.

    Quase nada a declarar

    Questionada por Direto da Ciência por meio de sua assessoria de imprensa, a Capes laconicamente respondeu com a nota transcrita a seguir em sua íntegra.

    São classificados no estrato C os periódicos predatórios identificados na maioria das áreas para que o título permaneça visível e dessa forma deixamos claramente sinalizado para os programas, que a produção publicada nesse tipo de periódico não será considerada.

    Saiba mais sobre o tema desta reportagem lendo as matérias de Direto da Ciênciacom a tag periódicos predatórios.

    Site: Diretoria da Ciência