NUPPRE
  • Agrotóxicos deixam rastro de malformações, câncer e morte pelo interior de São Paulo

    Cidades médias e pequenas do interior do estado de São Paulo, localizadas em meio a grandes extensões de terra com monocultura da cana e banana, entre outras, apresentam taxas de incidência de malformações congênitas e diversos tipos de câncer acima da média estadual.

    Em Ribeirão Corrente, na região de Franca, o índice de malformações é 26 casos para grupos de 100 mil nascidos vivos – mais de três vezes maior que a do estado, que é de 8.2. Em Sandovalina, na região do Pontal do Paranapanema, onde há ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o índice é 21. Na cidade de São Paulo, totalmente urbanizada, a taxa é de 9.5.

    “Em Franca, uma mulher que engravida tem 50% a mais de chances de ter um filho com malformação do que uma moradora de Cubatão, por exemplo. E nem precisa ser agricultura. Está comprovado por estudos que em 70% dos casos de malformação congênita as causas são ambientais”, diz o defensor público Marcelo Novaes, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em Santo André, no ABC Paulista.

    A incidência de câncer também é alta na zona rural. Em Bento de Abreu, na região de Araçatuba, há 18 óbitos por câncer cerebral para cada 100 mil habitantes. A taxa estadual é 6.6. “Essas cidades pequenas são fronteira entre o urbano e rural. Você sai da igreja matriz e já está numa plantação de cana, onde há pulverização aérea ou por tratores”, diz o defensor.

    Ainda segundo ele, as taxa de mortes causadas por câncer de fígado é de 6.94 por 100 mil pessoas no estado, de 7.43 na capital paulista e de 20 em Turmalina, na região de São José do Rio Preto. Quase três vezes mais. “São cidades pequenas, com menos de 20 mil habitantes. Temos uma tragédia no interior paulista. As pessoas estão morrendo pelo veneno. Se antes se fazia excursão para o Paraguai, para compra de muamba, ou para Aparecida, para rezar na catedral, hoje se faz aos centros oncológicos”, compara.

    Novaes se baseia no Observatório de Saúde Ambiental, uma plataforma de dados completos sobre utilização de agrotóxicos no estado, os tipos, as regiões, as culturas onde são empregados, bem como grupos populacionais afetados por doenças reconhecidamente desencadeadas pela exposição a esses produtos. O site interativo, que permite a criação de mapas em que é possível visualizar a distribuição das informações sobre o território paulista, foi desenvolvido por professores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

    “O mapa mostra o rastro de câncer em cidades em torno da via Anhanguera afora. Basta checar”, aponta Novaes, destacando que a Secretaria Estadual de Saúde, porém, nega todas essas evidências.

    Conforme ressaltou ainda, o problema das pequenas cidades de São Paulo se repete no Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Paraná e outros estados com grandes áreas onde o agronegócio se instalou. Por isso, conforme acredita, agrotóxicos não deve ser tema limitado aos ambientalistas, e sim de conselhos tutelares, de defesa dos direitos da pessoa com deficiência, das mulheres e de toda a sociedade. “Precisamos fazer uma análise conjuntural desse projeto assassino que está em gestão em nosso país”, alerta.

    Sistema excludente

    Para Marcelo Novaes, a realidade dos agrotóxicos constitui a espinha dorsal de um “sistema excludente e prospectório da vida e da natureza”. E o avanço de projetos nocivos como o PL do Veneno, o PL 3.200/15, ocorre numa perspectiva não de mudanças, mas de retrocessos. “No arcabouço jurídico, há o direito dos códigos que conversa com os poderosos e o direito da prática que oprime os oprimidos, ou seja, a população. A engenharia disso é o ilegal que para os poderoso passa a ser legal”, diz.

    “É por isso que são autorizados o corte de árvores centenárias, num prejuízo ambiental irreversível, sem um plano de manejo. É por isso que a mineradora Samarco matou um rio, as praias e continua com todo o vazamento; que há falta água em São Paulo enquanto a Sabesp paga dividendos aos acionistas, que o Código Florestal tão discutido com a sociedade está sendo esculachado aqui em São Paulo, fora a privatização de áreas florestais, que permite a extração de madeira. E a população se vê diante da ameaça crescente dos agrotóxicos”, aponta.

    “O ilegal passa a ser legal e há apropriação do bem público pelo privado num processo de mudança das regras do jogo em pleno jogo. É como se, num jogo de xadrez, o cavalo passasse a ser movimentado como se fosse um bispo, uma torre. A gente vai ter de encarar isso.”

    Marcelo Novaes participou da audiência pública promovida ontem (12), em São Paulo, pelo mandato do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP). O parlamentar integra a comissão especial da Câmara que analisa o PL 3.200/2015.

    Fonte: Rede Brasil Atual, por Cida de Oliveira


  • Em Veranópolis, idosas criam cardápio de restaurante com receitas antigas

    O antigo conselho de “ouvir os mais velhos” foi levado ao pé da letra pelo empresário Juliano Brandalise, 31, ao assumir um restaurante quase falido oito anos atrás em Veranópolis (RS).

    O local não poderia ser melhor, mas a comida do empreendimento–que tem quase 80 metros de altura, é giratório e com vista de 360 graus para a Serra do Rio das Antas– não possuía identidade com o lugar.

    A primeira providência de Brandalise, nascido em Veranópolis, foi chamar um grupo de 60 idosas da cidade e discutir com elas a elaboração de um novo cardápio para o restaurante.

    “As nonas nos trouxeram as receitas dos primeiros imigrantes italianos e poloneses, que colonizaram Veranópolis entre o final do século 19 e início do 20”, explica. Entre elas estão a massa à bolonhesa, o espaguete à carbonara e o radicci (almeirão) com bacon.

    “Tem gente que fala: ‘em São Paulo a massa carbonara não é assim’. Explicamos: ‘a nossa é assim porque tem uma história, é uma receita típica e legítima do local.”

    As idosas também ajudaram na decoração do restaurante, com fotos e objetos familiares antigos, além de toalhas de cores vivas. “Não existe toalha branca aqui.” A nova proposta agradou a freguesia e hoje o local é o mais visitado da cidade.

    Para o Alexandre Kalache, especialista em envelhecimento, a experiência mostra a importância de a sociedade valorizar os mais velhos.

    “A sociedade deveria replicar o que o restaurante fez na prática: buscar a voz do idoso, valorizar a sua sabedoria. Quem se beneficiou? O restaurante, que atraiu mais clientes, o município que arrecadou mais impostos. É uma corrente do bem.”

    Fonte: Folha de São Paulo, por Cláudia Collucci


  • Oficina online debate impactos dos agrotóxicos no Brasil

    Atividade da Rede Mobilizadores conta com parceria da Abrasco e será mediada por André Burigo, professor da EPSJV/Fiocruz e membro do GTSA/Abrasco.

    O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Estima-se que cada brasileiro ingira, indiretamente, uma média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a duas garrafas e meia de refrigerante, ou a 14 latas de cerveja. Além disso, utiliza 22 produtos que já foram banidos em outros países, devido à comprovação de seus efeitos nocivos, e convive com a falsificação e o contrabando desses venenos.

    Diante desse cenário, que gera insegurança e medo, a Rede Mobilizadores promove, de 15 a 19 de agosto, a oficina online gratuita “Agrotóxicos: impactos e alternativas”, para debater os principais efeitos desses produtos sobre a saúde da população e do meio ambiente, e os principais obstáculos para redução do uso de venenos em nossa produção agrícola.

    A atividade terá facilitação de André Burigo, pesquisador e professor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), integrante do Grupo de Trabalho Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e um dos organizadores do Dossiê Abrasco sobre Agrotóxicos.  

    Segundo o Dossiê Abrasco, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos. Desses, de acordo com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 28% contêm substâncias não autorizadas.

    O uso crescente de agrotóxicos em nosso país deve-se a dois fatores prioritários: a opção por um modelo de desenvolvimento baseado em latifúndios monocultores voltados para exportação, e uma série de políticas, como a redução e a isenção de impostos que, ao longo do tempo, tem incentivado o uso desses produtos na agricultura. O país oferece mais benefícios ao cultivo baseado no uso de agrotóxicos do que aos cultivos orgânicos. Mas, se houve um incentivo ao uso de venenos na produção agrícola, este não foi acompanhado pelo cuidado em treinar e orientar os produtores rurais quanto à manipulação e aplicação desses produtos, o que tem levado a milhares de casos de contaminação de trabalhadores do campo.

    Além de ter estimulado o uso de agrotóxicos, a política governamental também incentivou os agricultores familiares a trocarem as sementes tradicionais, que eles mesmos selecionavam e plantavam, pela semente híbrida, sob alegação de que era mais produtiva, comprometendo, assim, a sobrevivência econômica e a segurança alimentar dessas populações.

    A proposta é que, durante a oficina, os participantes possam debater os motivos que levaram o Brasil se tornar o maior consumidor de agrotóxicos do planeta; os principais efeitos do uso de venenos na produção de alimentos sobre a saúde da população, dos trabalhadores rurais e do meio ambiente; as dificuldades para se reduzir o uso de agrotóxicos; a viabilidade de se produzir alimentos em grande escala sem uso de produtos químicos tóxicos, entre outros. As oficinas promovidas pela Rede Facilitadores contam com apoio das empresas Banco do Brasil e Furnas .

    Inscrições
    As inscrições para a oficina podem ser feitas de 09 a 19 de agosto. Para se inscrever, é preciso estar cadastrado no site da Rede Mobilizadores. O processo é simples, rápido e gratuito. Faça seu cadastro em: <http://www.mobilizadores.org.br/inscreva-se/>.

    Depois de cadastrado, faça sua inscrição na oficina em: <http://www.mobilizadores.org.br/oficina/agrotoxicos-impactos-e-alternativas/?eixo=meio_ambiente>.
    Mais informações no site  ou pelo telefone: (21) 2528-3352

    Fonte: ABRASCO


  • Dieta da população brasileira está cada vez mais padronizada

    Elton Alisson | Agência FAPESP – O padrão alimentar de populações situadas em locais isolados na Amazônia, no Nordeste e no Centro-Oeste do Brasil e de comunidades de pescadores no litoral norte de São Paulo está cada vez mais semelhante ao de moradores de regiões urbanas do país.

    A dieta de comunidades ribeirinhas na Amazônia brasileira, que antes era composta principalmente por alimentos produzidos localmente, como peixe com farinha de mandioca, por exemplo, passou a ser integrada por alimentos industrializados, como enlatados e frangos congelados produzidos nas regiões Sul e Sudeste do país.

    As constatações foram feitas por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas das Universidades de Brasília (UnB), Federal do Acre (UFAC) e do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), por meio de uma série de estudos realizados nos últimos anos com apoio da FAPESP.

    Alguns dos resultados dos estudos foram publicados nas revistas Ecology of Food and Nutrition e Environment, Development and Sustainability. E foram apresentados durante a “School of Advanced Science on Nitrogen Cycling, Environmental Sustainability and Climate Change”, que ocorre até 10 de agosto em São Pedro, no interior de São Paulo.

    Realizado pelo Cena-USP e o Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), o evento, financiado pela FAPESP, por meio do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), reúne 100 estudantes de graduação e pós-graduação, sendo 50 do Brasil e 50 do exterior, para discutir sobre a distribuição desigual de nitrogênio no mundo e seu impacto na sustentabilidade ambiental em um cenário de mudanças climáticas globais.

    “De uma forma geral, os dados obtidos indicam uma homogeneização do padrão alimentar no Brasil”, disse Gabriela Bielefeld Nardoto, professora da UnB e uma das autoras dos estudos, à Agência FAPESP.

    “Apesar do isolamento, as populações rurais de diferentes regiões do Brasil têm aderido cada vez mais à ‘dieta de supermercado’, composta por alimentos processados e ultraprocessados”, afirmou.

    Composição isotópica

    A pesquisadora começou a estudar em 2002, durante seu doutorado realizado com Bolsa da FAPESP, os padrões alimentares de populações brasileiras usando a composição isotópica de carbono e nitrogênio em amostras de unha, além de uma entrevista (anamnese) em que os participantes são estimulados a recordar o que consumiram nas últimas 24 horas (leia mais em http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/07/01/dieta-na-ponta-dos-dedos)

    Os estudos iniciais, de 2002, indicaram que a proporção de carbono oriunda de plantas do tipo fotossintético C4 (como cana-de-açúcar, milho e pastagens) na dieta de habitantes de cidades como Piracicaba, no interior de São Paulo, e Santarém, no interior do Estado do Pará, era semelhante.

    Já os moradores de pequenas comunidades rurais, distantes cerca de 50 a 80 quilômetros da cidade de Santarém, apresentam padrões alimentares semelhantes entre si, mas totalmente diferentes em relação a moradores da capital do Pará, Belém.

    A fim de investigar se essas diferenças de padrão alimentar entre o meio urbano e as comunidades rurais persistiam em outras regiões da Amazônia, os pesquisadores decidiriam realizar, entre 2007 e 2010, um estudo mais detalhado por meio de umapesquisa apoiada pela FAPESP, coordenada pelo professor Luiz Antonio Martinelli, do Cena-USP.

    No estudo, eles compararam os padrões alimentares de populações urbanas de Manaus e Tefé, no Amazonas, com comunidades ribeirinhas situadas ao longo do rio Solimões, cuja principal fonte de proteína era o pescado.

    Além disso, também investigaram os padrões alimentares em comunidades de caiçaras na região de Ubatuba, ao longo da Rodovia Rio-Santos, e da população de bairros próximos às encostas da Serra do Mar – conhecidos como “sertões” de Ubatuba.

    Os resultados dos estudos com essas diferentes populações sugeriram que há uma homogeneização do padrão alimentar de moradores que vivem em aglomerados rurais e urbanos de diferentes tamanhos.

    Os pesquisadores não encontraram diferenças isotópicas nas unhas dos integrantes de comunidades caiçaras e do “sertão” de Ubatuba em comparação com os moradores das classes C e D de Piracicaba.

    “Essas populações já aderiram totalmente à dieta de supermercado”, afirmou Nardoto. “Os pescadores das comunidades caiçaras, por exemplo, usam parte do dinheiro que conseguem com a venda do pescado para comprar frango congelado no centro de Ubatuba”, contou.

    Já entre os moradores das regiões rurais da Amazônia, os pesquisadores observaram que há um vínculo mais forte com os alimentos produzidos regionalmente.

    No entanto, notaram uma perda da identidade alimentar dessas populações e a penetração de alimentos industrializados, como frango congelado, bolachas, embutidos e refrigerantes, em suas dietas (leia mais em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/07/11/frango-no-solim%C3%B5es/). 

    “Nossa hipótese era a de que as comunidades mais afastadas dos centros urbanos estariam mantendo a dieta do peixe com farinha. Mas não foi isso que observamos ao longo do rio Solimões”, disse Nardoto.

    Quanto mais estruturada a comunidade ribeirinha em termos de acesso à energia elétrica e diesel para abastecimento de barcos para locomoção, mais seu padrão alimentar se assemelhava ao de populações das cidades, que já aderiram totalmente à dieta de supermercado.

    O hábito de se alimentar de peixe com farinha de mandioca, por exemplo, está muito mais restrito hoje ao almoço, exemplificou a pesquisadora.

    “Eles acabaram preservando consciente ou inconscientemente esse hábito no almoço. Já no jantar e no café da manhã passaram a consumir mais alimentos processados e ultraprocessados”, disse.

    A fim de verificar se essa diminuição da diferença do padrão alimentar de populações rurais e urbanas observada em São Paulo se repetia em outras regiões do país, os pesquisadores realizaram um estudo com duas comunidades sertanejas de Mossoró, no Rio Grande do Norte, com moradores da região urbana da cidade e com uma comunidade caiçara na Reserva do Tubarão em Natal, na capital potiguar.

    Os resultados das análises indicaram que a composição isotópica das unhas dos integrantes das comunidades caiçaras era semelhante à das sertanejas e à dos moradores da região urbana de Mossoró.

    “Pensamos que poderia haver uma diferença no padrão alimentar das populações do sertão, da cidade e litorânea, mas a assinatura isotópica deles é a mesma”, disse Nardoto.

    “Esse padrão é muito parecido com o que observamos no Norte, Centro-Oeste e no Estado de São Paulo”, comparou.

    Um estudo recente realizado por Rodrigo de Jesus Silva, da Esalq, com Bolsa de doutorado concedida pela FAPESP, analisou a mudança do padrão alimentar de comunidades remanescentes do quilombo Kalunga, situadas na Chapada dos Veadeiros.

    Ele constatou que as comunidades que têm mais fácil acesso à estrada já adotaram a “dieta do supermercado”.

    Já as comunidades que têm menor acesso à estrada e estão situadas em regiões de difícil acesso apresentam uma dieta mais baseada em alimentos produzidos regionalmente.

    “Essas comunidades foram as únicas dentre as que pesquisamos em que observamos essa continuação do padrão alimentar”, disse Nardoto.

    Simplificação das fontes

    Na avaliação da pesquisadora, a homogeneização do padrão alimentar no Brasil, em razão de fatores como aumento da urbanização e melhoria das condições sociais – que têm levado a mudanças no estilo de vida e à substituição de alimentos produzidos localmente por itens processados –, tem causado uma simplificação das fontes alimentares e uma mudança de uma alimentação C3 para C4.

    A dieta do brasileiro, que até então era baseada em alimentos oriundos de plantas do tipo fotossintético C3, como o arroz e o feijão, tem se tornado cada vez mais composta por alimentos originados de plantas C4, como o milho e a soja, presentes na ração de diversos animais, além da cana-de-açúcar.

    “Os alimentos C4 não fazem mal à saúde. O problema é como são processados, o que faz com que tenham alto teor de gordura, sal e açúcar e contribuam para o aumento da incidência de obesidade e de doenças cardiovasculares”, ponderou.

    Já a perda da identidade alimentar pelas comunidades tradicionais também pode ter impactos na conservação ambiental, apontou.

    “À medida que essas comunidades perdem sua identidade alimentar, também acabam perdendo sua relação com a paisagem local. Se não precisam mais do peixe para se alimentar, o rio deixa de ser uma fonte alimentar e passa a ser somente um meio de transporte”, avaliou.

    O artigo “Food insecurity in urban and rural areas in Central Brazil: transition from locallu produces foods to processed items” (doi: 10.1080/03670244.2016.1188090), de Livia Penna Firme Rodrigues e outros, pode ser lido por assinantes da revista Ecology of Food and Nutrition em www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/03670244.2016.1188090.

    E o artigo “Factors influencing the food transition in riverine communities in the Brazilian Amazon” (doi: 10.1007/s10668-016-9783-x), de Rodrigo de Jesus Silva e outros, pode ser lido na revista Environment, Development and Sustainability emlink.springer.com/article/10.1007/s10668-016-9783-x.

    Fonte: Agência FAPESP


  • O espectro das imagens duplicadas

    A microbiologista Elisabeth Bik, pesquisadora da Escola de Medicina da Universidade Stanford, BoasPraticas_245 (1)aEstados Unidos, passou dois anos analisando imagens de testes western blot, método usado na biologia molecular para identificar proteínas, divulgadas em 20.621 artigos da área biomédica publicados em 40 revistas científicas entre 1995 e 2014. Ela encontrou uma taxa elevada de problemas: havia imagens duplicadas em 782 papers, 3,8% do total. Em 230 artigos, as imagens simplesmente apareciam duas vezes no mesmo manuscrito para ilustrar experimentos diferentes, um sinal, segundo Elisabeth, de que podem ter sido duplicadas por erro, sem má-fé. Nos demais casos, há indícios de manipulação deliberada. Em 356 artigos, algumas imagens duplicadas estavam reposicionadas ou então invertidas. E em 196 papers havia evidências claras de fraude, como a colagem de uma mesma “banda” de um teste de western blot em várias imagens, como se fosse um carimbo cuja estampa se repete.

    Os resultados da análise foram divulgados num texto no bioRxiv, repositório com manuscritos do campo das ciências da vida ainda não publicados em revistas. O trabalho de Elisabeth Bik foi artesanal. Primeiro, ela olhava cada artigo em busca de sinais de duplicações. Quando encontrava uma situação suspeita, submetia as imagens a um software em que podia ajustar o contraste em busca de evidências de manipulação. Sempre que aparecia alguma imagem problemática, dois pesquisadores que trabalharam com Elisabeth, Arturo Casadevall e Ferric Fang, verificavam a suspeita. Na época em que a análise foi feita, nenhum dos artigos com problema havia sido retratado. Elisabeth Bik tomou a decisão de avisar os editores das publicações sobre o que encontrou – foram mais de 700 relatórios enviados a revistas. Também escreveu para 10 instituições em que houve problemas recorrentes, com o registro de ao menos três papers de um mesmo grupo de pesquisa com imagens duplicadas. O saldo dessa iniciativa, segundo ela, foram seis artigos retratados e outros 60 corrigidos.

    O estudo mostra que publicações mais cuidadosas conseguem prevenir a publicação depapers com adulterações. O Journal of Cell Biology, que desde 2002 escaneia as imagens de papers submetidos em busca de duplicações, só teve 0,3% dos artigos questionados. Já no International Journal of Oncology, havia problemas em 12% dospapers. Três países se destacaram entre os artigos suspeitos. Papers de pesquisadores da Índia exibiram probabilidade 1,93 vez maior de conter imagens duplicadas do que seria esperado pela frequência de publicação. Em seguida, aparecem a China, com uma probabilidade 1,89 vez maior, e Taiwan, com 1,20.

    Fonte: Revista Pesquisa FAPESP


  • Boletim Caisan: Julho/2016

    Municípios podem fazer adesão ao Sisan pela internet

    Ferramenta online AdeSAN agiliza processo de inscrição das prefeituras e validação das Caisans e Conseas nacional e estaduais
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    Saiba como ler os rótulos de alimentos industrializados

    As informações nutricionais detalham a quantidade de ingredientes e produtos químicos presentes no alimento.
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    Abertas as inscrições para a IV Mostra de Alimentação e Nutrição do SUS

    Interessados podem inscrever seus trabalhos e fotografias até dia 5 de agosto, pela internet.
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    Ministério da Saúde passa a comprar e oferecer apenas alimentos saudáveis

    O texto cria diretrizes para a promoção da alimentação saudável e adequada nas unidades do Ministério da Saúde de todo o país.
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    Ministério da Saúde passa a comprar e oferecer apenas alimentos saudáveis

    O texto cria diretrizes para a promoção da alimentação saudável e adequada nas unidades do Ministério da Saúde de todo o país.
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  • DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde publica nova edição

    A revista DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde acaba de publicar seu último número (v. 11, n. 2, 2016), disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra.

    Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e outros itens de seu interesse.


  • Notificação dos açúcares de adição em rótulos de alimentos industrializados comercializados no Brasil

    Esta pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) no âmbito do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É resultado da dissertação de mestrado defendida pela nutricionista Tailane Scapin, em julho de 2016, sob a orientação da professora Rossana Pacheco da Costa Proença em parceria com a professora substituta Ana Carolina Fernandes. O estudo foi apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por meio da concessão de bolsa de mestrado à aluna.

    A dissertação está inserida em um projeto amplo sobre rotulagem de alimentos que conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

    A presente pesquisa teve como objetivo investigar como os açúcares de adição são notificados na lista de ingredientes dos rótulos de alimentos industrializados disponíveis para venda em um supermercado pertencente a uma das dez maiores redes de supermercados do Brasil. Os açúcares de adição são açúcares e xaropes adicionados aos alimentos e bebidas durante o processamento industrial, a preparação culinária ou à mesa. Além dos açúcares de adição em si, os alimentos podem apresentar ingredientes passíveis de contê-los (IPAA), definidos como aqueles que, devido à composição conhecida ou à característica doce, podem apresentar açúcares de adição em sua formulação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a limitação no consumo dos açúcares de adição para não mais que 10% das calorias totais diárias em virtude das evidências da relação entre o consumo excessivo desses açúcares de adição e prejuízos à saúde. Contudo, não há declaração quantitativa dos açúcares de adição na informação nutricional dos rótulos, sendo a lista de ingredientes a única forma de identificação da presença desses açúcares nos alimentos industrializados.

    Foram analisados 4539 alimentos industrializados, dos quais 70% apresentavam açúcares de adição ou Ingredientes passíveis de contê-los (IPAA) em sua composição. Houve a identificação de 262 nomenclaturas diferentes para se referir aos açúcares de adição ou IPAA. Os tipos de açúcares de adição mais frequentes foram açúcar, seguido de maltodextrina e xarope de glicose. Os IPAA mais frequentes foram gelatina, chocolate e polpa de tomate.

    Os alimentos incluídos na pesquisa foram divididos segundo os grupos de alimentos propostos pela legislação brasileira, resolução RDC nº 359 de 2003 da ANVISA. Em sete dos oito grupos alimentares constantes na legislação, houve a presença de açúcares de adição em mais da metade dos alimentos que compunham cada grupo. O grupo VII, dos açúcares e produtos com energia proveniente de carboidratos e gorduras, foi o que apresentou maior prevalência de alimentos com açúcares de adição. Conforme esperado, quase a totalidade dos alimentos desse grupo (92%), que inclui biscoitos doces, bolos, geleias e chocolate, apresentou açúcares de adição. Porém, também houve prevalência elevada de alimentos com açúcares de adição em grupos de alimentos de sabor predominantemente salgado, como os grupos II – verduras, hortaliças e conservas vegetais (58%), V – carnes e ovos (60%) e VIII – molhos, temperos prontos, caldos, sopas e pratos preparados (61%). O grupo IV, de leite e derivados, também apresentou elevada prevalência de alimentos contendo açúcares de adição, equivalente a 63,5%.

    Assim, este estudo evidencia que a maioria dos alimentos industrializados disponíveis para venda no Brasil contém açúcares de adição ou IPAA em sua composição, que pode dificultar o seguimento das recomendações de limitação do consumo propostas pela Organização Mundial da Saúde. Além disso, a variedade de nomenclaturas pode levar os consumidores a ingerir os açúcares de adição sem conhecimento, mesmo que consultem a lista de ingredientes. Tal consequência pode ocorrer em, no mínimo, duas situações. A primeira é a utilização de denominações de ingredientes utilizando termos de difícil compreensão, como a maltodextrina, e a identificação como sendo açúcares de adição. A segunda situação é a dificuldade de identificação da presença de ingredientes passíveis de conter açúcares de adição, como, por exemplo, a polpa de tomate. Nesse contexto, sugere-se a revisão da legislação brasileira de rotulagem de alimentos em dois aspectos. Primeiro, tornando obrigatória a declaração quantitativa dos açúcares de adição na tabela de informações nutricional, para facilitar a identificação e a quantificação dos açúcares de adição pelos consumidores. Segundo, estabelecendo regras mais claras quanto à padronização das nomenclaturas dos ingredientes na lista dos rótulos.

    Contatos: Tailane Scapin (tailane.ntr@gmail.com)

    Ana Carolina Fernandes (anacarolinafernandes@gmail.com)

    Rossana Pacheco da Costa Proença (rossana.costa@ufsc.br)

    Documento em PDF: Nota de Imprensa – Dissertação NUPPRE PPGN UFSC Tailane Scapin 2016


  • Informação Nutricional Complementar em rótulos de alimentos industrializados direcionados a crianças

    A Informação Nutricional Complementar (INC) é um tipo de alegação utilizada nos rótulos para destacar propriedades nutricionais específicas dos alimentos, como por exemplo, o acréscimo de vitaminas ou a redução do teor sódio. Entretanto, a INC não significa que o alimento tem boa qualidade nutricional. Autores discutem se a INC tem o potencial de levar os consumidores a perceberem os alimentos como mais saudáveis do que realmente são. Essa possibilidade se torna ainda mais preocupante quando se considera a presença de INC em alimentos industrializados direcionados a crianças. Tais alimentos estão entre os mais consumidos nessa faixa etária, no qual também é crescente a prevalência de sobrepeso e obesidade.

    Diante disso, analisar questões relacionadas à presença de INC nos rótulos de alimentos direcionados a crianças foi o objetivo da tese de doutorado defendida pela nutricionista Vanessa Mello Rodrigues, em julho de 2016, sob orientação da professora do departamento de Nutrição, Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates. A pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) e no Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com parceria da professora Rossana Pacheco da Costa Proença e apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por meio da concessão de bolsa de doutorado.

    A tese foi desenvolvida em três etapas. A fase inicial investigou a disponibilidade de alimentos direcionados a crianças em um supermercado de Florianópolis, identificou as INC nos rótulos e comparou a composição nutricional entre alimentos com e sem INC. Entre os 5620 alimentos que compuseram o banco de dados, cerca de 10% (535) tinham estratégias de marketing direcionadas a crianças (ex. personagens de desenhos animados, passatempos, brindes) e constituíram a amostra. Mais da metade dos alimentos direcionados a crianças (56,1%) pertencia ao grupo que inclui achocolatados, biscoitos doces recheados, balas, refrigerantes e salgadinhos. Aproximadamente metade dos alimentos avaliados (50,5%) apresentava no mínimo uma INC no rótulo. Os alimentos com INC apresentaram composição nutricional semelhante aos alimentos sem INC para a maioria dos itens avaliados, com exceção do sódio. Alimentos com INC apresentaram maior conteúdo de sódio que alimentos sem INC.

    A segunda etapa da pesquisa avaliou a qualidade nutricional dos alimentos com INC nos rótulos direcionados a crianças utilizando duas abordagens diferentes: por perfil nutricional e por nível de processamento. Para avaliação do perfil nutricional foi utilizado o modelo UK Ofcom Nutrient Profiling, que regula a publicidade de alimentos e bebidas direcionados a crianças na televisão do Reino Unido e está sendo implantando nas legislações sobre rotulagem da Irlanda, Austrália e Nova Zelândia. Os alimentos foram classificados em “mais saudáveis” e “menos saudáveis” com base em um escore ponderado relativo ao conteúdo de nutrientes e ingredientes por 100 g de um alimento ou bebida. Para avaliar os alimentos com base no seu nível de processamento, foram utilizadas as recomendações publicadas em novembro de 2014, na 2ª edição do Guia alimentar para a população brasileira. Alimentos in natura e minimamente processados foram considerados “mais saudáveis”, enquanto alimentos processados e ultraprocessados foram classificados como “menos saudáveis”. Após as análises, o modelo baseado no nível de processamento categorizou mais alimentos com INC como „menos saudáveis‟ (96%) do que o modelo por perfil nutricional (74%). Entretanto, independentemente do modelo utilizado, pelo menos 3/4 dos alimentos direcionados a crianças com INC foram classificados como „menos saudáveis‟.

    Destaca-se que Vanessa realizou um estágio de doutorado sanduíche na Universidade de Oxford, Inglaterra, com o grupo coordenado pelo criador do modelo UK/Ofcom Nutrient Profiling, prof. Mike Rayner, buscando discutir a aplicabilidade desse modelo aos alimentos comercializados no Brasil. O estágio foi realizado entre janeiro e setembro de 2015, com bolsa do Programa Ciência Sem Fronteiras do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

    A etapa final do trabalho buscou investigar a percepção de pais sobre alimentos ultraprocessados com INC nos rótulos direcionados a crianças e se essas alegações poderiam influenciar nas suas escolhas. Foram realizadas entrevistas presenciais com pais de crianças entre 7 e 10 anos. Embalagens de alimentos ultraprocessados com estratégias de marketing para crianças e INC nos rótulos foram utilizadas para orientar a condução das entrevistas. De acordo com os resultados, apenas alguns pais referiram que não se influenciariam pelas alegações nos rótulos, por avaliarem que esses destaques não melhoravam a baixa qualidade nutricional dos alimentos. Por outro lado, apesar de reconhecerem os alimentos ultraprocessados direcionados a crianças como pouco saudáveis, a presença da alegação nutricional pareceu funcionar para alguns pais como mais um estímulo para aquisição tais alimentos, juntamente com a praticidade e boa aceitação dos filhos.

    O Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078 de 11 de Setembro de 1990, em seu artigo 37, dispõe que é proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. Define como enganosa, entre outras questões, “qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, capaz de induzir ao erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços”. Além disso, como abusiva, “publicidade discriminatória de qualquer natureza, que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”. Portanto, a pesquisadora ressalta que o destaque de atributos considerados positivos nos rótulos de alimentos avaliados como não saudáveis tanto pelo parâmetro nacional, baseado no nível de processamento, quanto por um parâmetro internacional, baseado no perfil nutricional, constitui publicidade enganosa e abusiva e deve ser proibido.

    A partir dos resultados obtidos na tese, espera-se iniciar a discussão sobre restrições ao uso de INC em alimentos pouco saudáveis. Essas medidas buscam evitar más interpretações que possam promover escolhas pouco saudáveis e contribuir com a proteção à saúde das pessoas, especialmente das crianças, população vulnerável aos efeitos do marketing de alimentos.

    CONTATOS:

    Vanessa Mello Rodrigues (v.mellorodrigues@yahoo.com.br)

    Prof.ª Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates (giovanna.fiates@ufsc.br)

    Prof.ª Rossana Pacheco da Costa Proença (rossana.costa@ufsc.br)

    PPGN/UFSC – http://www.ppgn.ufsc.br/

    NUPPRE – http://nuppre.ufsc.br/

    Documento em PDF: Nota de imprensa tese PPGN NUPPRE UFSC Vanessa Mello Rodrigues 2016


  • Concurso público da UFSC – Vaga para nutricionista

    A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) abriu concurso com 149 vagas para carreira técnico-administrativa em educação.

    As inscrições ficam abertas até as 23h59 do dia 3 de agosto pela internet. Há vagas para Ensino Fundamental, Ensino Médio e profissionais com formação superior, como psicólogos, engenheiros, analista de TI, nutricionista, entre outros.

    Para mais informações clique aqui.


  • Pesquisadoras da UFSC incentivam a prática culinária por meio de oficinas‏

    É comum que nos dias de hoje jovens universitários não tenham o hábito de cozinhar. Condições financeiras, falta de equipamentos e utensílios, de tempo, de habilidades ou insegurança na cozinha são barreiras que impedem os estudantes de preparar suas refeições. Além disso, estudos mostram uma mudança nos hábitos alimentares de jovens que saem da casa dos pais ao entrar na faculdade, pois passam a fazer refeições com baixo valor nutricional, principalmente comidas industrializadas, prejudiciais pelo excesso de açúcar, sódio, gordura e conservantes.

    Oficina no dia 27 de junho no Laboratório de Técnica Dietética, CCS. Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

    Com o objetivo de incentivar a prática culinária e ensinar técnicas de cozinha aos estudantes que moram sozinhos, as doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC, Greyce Luci Bernardo e Manuela Mika Jomori, com orientação da professora Rossana Pacheco da Costa Proença, conduziram oficinas de culinária com alunos da Universidade. O projeto é parte da tese de Greyce que, por meio das oficinas, pretende melhorar as práticas alimentares dos estudantes e avaliar a influência da intervenção no costume de cozinhar e consumir alimentos saudáveis.

    Greyce relata a necessidade de pesquisar mais sobre essa relação. “Existem alguns programas de intervenção com oficinas culinárias, mas que não trabalham com os conceitos da culinária e nutrição. Não existe ainda estudo aprofundado de que a realização dessas oficinas irá trazer efeito com relação à saúde em determinado público, principalmente a longo prazo, como iremos avaliar”. O projeto tem parceria da professora Margareth Condrasky, que há mais de 20 anos coordena o projeto “Cooking with chefs” na Universidade de Clemson, nos Estados Unidos, onde Greyce fez doutorado-sanduíche pela Capes. A tese de Manuela envolve a tradução, adaptação e validação do questionário utilizado para analisar as habilidades culinárias que, aqui no Brasil, foi respondido por 850 alunos ingressantes no segundo semestre de 2015.

    O principal desafio foi adaptar as oficinas à cultura brasileira, uma vez que a comida, o modo de cozinhar e até mesmo as receitas estadunidenses são diferentes. Além disso, a duração das oficinas foi estendida para suprir a necessidade de ensinar aos alunos técnicas básicas de culinária que facilitam o preparo diário das refeições e ajudam a conservação dos alimentos.

    Uma participante relata que as oficinas ajudaram a selecionar melhor os alimentos que consome. “Eu já cozinho faz algum tempo, mas passei a prestar atenção em coisas que eu achava que não tinha tanta necessidade, na escolha dos alimentos, principalmente as saladas e outras opções para complementar minha alimentação”, diz Bruna Cardozo de Campos. Outro participante afirma que as oficinas ajudaram a criar confiança na hora de cozinhar. “Eu estou há seis meses morando sozinho e era um desastre na cozinha. Hoje eu já consigo fazer um bife” – diz Luiz Fernando Martins Pastuch.

    Bruno Rosa Ramos/Estagiário de Jornalismo Científico/Agecom/UFSC

    Fonte: Notícias UFSC


  • Eating healthier in the US restaurants

    Edito 
    (A. Jones-Mueller)
    Extract : ” America is in an exciting era of change focused on health, well-being and “doing good” – and the nation’s restaurants and chefs are playing a leading role by rising to the opportunity of creating enticing menu items with health and taste in mind […]. Increasing produce in restaurant meals has been a longstanding goal of the Healthy Dining and Kids LiveWell programs […].
    [They] provide a proactive foundation for restaurants to demonstrate their culinary creativity and social responsibility regarding public health priorities. […] The following research studies are excellent demonstrations of how researchers can provide convincing evidence for the restaurant industry to continue to add produce to menus – and ultimately improve the health of our nation, the world – and future generations”.

    Article 1 : Choose Health LA Restaurants: a voluntary restaurant recognition program
    (LN. Gase, C. Montes and T. Kuo)
    Extract : ” Results suggest that participation in the Choose Health LA Restaurants program resulted in restaurants making changes to their primary and children’s menus. The majority of restaurants (12 brands) made at least some changes to increase the availability of reduced-size portions and/or modify the items available on their children’s menu. Results support restaurant compliance with program criteria and menu improvements, even though they are voluntary, representing an important first step toward implementing this strategy in the retail environment…”

    Article 2 : Beyond chicken fingers and french fries: new evidence in favor of healthier kids’ menus
    (S. Anzman-Frasca, H. Angstrom, V. Lynskey and C. Economos)
    Extract : ” The result […] was a win-win for customers and the restaurant chain: orders of healthier items increased, and restaurant revenue continued to grow. After the menu changes, nearly half (46%) of children’s entrées ordered were from the healthier kids’ meal options, versus a mere 3% of entrées ordered before the changes. The proportion of kids’ meal orders that included at least one healthy side also increased dramatically—from 26% before the changes to 70% after…”

    Article 3 : Working with restaurant managers and owners to improve children’s menus: A Best Food for Families, Infants, and Toddlers (Best Food FITS) intervention
    (S. Hurd-Crixell, BJ. Friedman and D. Fisher)
    Extract : ” Meals consumed away from home may contribute to childhood obesity, as they often include sugar-sweetened beverages, and lack the lower-calorie, nutrient-rich fruit and vegetables found more frequently in home-cooked meals. While some interventions have attempted to improve restaurant menus, when we began this study in 2010, none had targeted children’s menus. The goal of our study was to seek voluntary assistance of restaurant managers and owners in San Marcos, Texas, to improve children’s menus by removing sugar-sweetened beverages, adding fruit and vegetables, and replacing at least some energy dense entrées. In particular, replacing sugar-sweetened beverages with water may be a promising strategy to reduce obesity risk…”

    Artigos em PDF


  • UFSC é a terceira melhor federal brasileira em ranking de universidades latino-americanas

    O Times Higher Education World University Rankings (THE World University Rankings) publicou o resultado do primeiro Latin America University Rankings, que classifica as 50 melhores universidades latino-americanas. A UFSC ocupa a terceira posição entre as universidades federais brasileiras e a 12ª posição no geral.

    O ranking-piloto da América Latina é baseado nos mesmos critérios do THE World University Rankings, porém com modificações para valorizar as características das universidades da região. Foram utilizados 13 critérios para avaliar as universidades, com indicadores de desempenho individuais, em todas as suas atividades: ensino, pesquisa, transferência de conhecimento e perspectiva internacional.

    As categorias têm os seguintes pesos: “Ensino” (36%), considerando-se o ambiente de ensino; “Pesquisa” (34%), levando-se em conta volume, recursos e reputação; “Citações” (20%), o impacto da pesquisa; “Visão Internacional” (7,5%), que inclui o corpo docente, estudantes e pesquisa; e “Recursos Provenientes das Indústrias” (2,5%), transferência de conhecimento.

    O Brasil foi o país com mais instituições entre os sete que figuram na lista: 23 universidades estão entre as melhores da América Latina – 12 federais, seis estaduais e cinco privadas. O Chile é o segundo mais representado, com 11 instituições, seguido pelo México, com oito. Colômbia, Venezuela, Peru e Costa Rica também apresentam universidades no ranking.

    A UFSC ficou com o primeiro lugar, entre as federais, em “Recursos Provenientes da Indústria”; a segunda posição no Brasil. O THE explica a categoria como sendo a capacidade de ajudar a indústria com inovações, invenções e consultoria, o que se tornou missão fundamental da universidade global contemporânea. Essa categoria procura traduzir a transferência de conhecimento analisando quanto em recursos de pesquisa uma instituição recebe da indústria (em conformidade com as parcerias público-privadas), em proporção ao corpo docente empregado. A categoria aponta quanto as empresas estão dispostas a investir em pesquisa e a capacidade da universidade de atrair investimentos no mercado comercial – indicadores valiosos da qualidade institucional.

    Entre as universidades federais brasileiras, a UFSC ficou em segundo lugar em “Visão Internacional” e terceiro nas categorias “Ensino”, “Pesquisa” e “Citações”. “Os resultados demonstram, de forma inequívoca, a importância das relações da UFSC com o setor produtivo, quando apontam nossa instituição como a segunda neste quesito. Igualmente temos que destacar nosso protagonismo como ambiente de pesquisa, pela qualidade de nossos docentes, técnicos e estudantes. Mais uma vez a UFSC é reconhecida como uma das melhores Universidades do país e da América Latina”, afirma o reitor Luis Carlos Cancellier.

    Fonte: Notícias da UFSC


  • Tocha Olímpica passa pela UFSC neste domingo, 10 de julho de 2016

    A Tocha Olímpica passará pela UFSC neste domingo, dia 10. O evento, organizado pela Secretaria de Esporte da UFSC (Sesp) e a Secretaria Municipal de Turismo de Florianópolis (Setur), conta com uma programação das 11h até 17h, com jogo de futebol e apresentações artístico-culturais.

    conviteTocha


  • Idec lança pesquisa online sobre rotulagem nutricional

    O Idec quer saber a opinião dos consumidores sobre as regras de rotulagem nutricional brasileiras. Para isso, lançou esta semana um formulário de pesquisa online para coletar dados e informar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre as considerações da população. 
    A pesquisa está disponível AQUI. As respostas também serão utilizadas para o desenvolvimento de um trabalho acadêmico sobre o tema. É importante o envolvimento de todos.
    O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e, consequentemente, da ingestão excessiva de calorias, de sódio, gorduras e açúcar têm relação direta com o aumento da obesidade, diabetes, pressão alta e outras doenças crônicas não transmissíveis, que vem acontecendo em muitos países do mundo, inclusive no Brasil.
    “Diante desse cenário, é fundamental tornar a informação nutricional no rótulo dos alimentos mais clara para que o consumidor possa fazer escolhas mais saudáveis”, explica Ana Paula Bortoletto, nutricionista e pesquisadora do Idec.
    Desde 2014, um Grupo de Trabalho da Anvisa se reune com o objetivo de revisar a norma de rotulagem nutricional de alimentos no Brasil. O Idec fez parte deste grupo e, agora, pretende consolidar suas recomendações à agência com a opinião dos consumidores.
    Novas regras de rotulagem no mundo
    A melhoria das regras de rotulagem de alimentos é uma das estratégias da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros órgãos internacionais para facilitar escolhas alimentares mais saudáveis.
    Muitos países já adotam regras para destacar algumas informações nutricionais importantes na parte da frente da embalagem, fazendo com que os dados sejam mais claros e compreensíveis.
    Um desses países é o Chile, onde entra em vigor hoje uma nova norma de rotulagem nutricional frontal. Os novos rótulos chilenos informam em destaque se o produto contém teores altos de açúcar, sódio, gorduras saturadas e calorias.
    No Brasil, não existe nenhuma regra para a rotulagem frontal, mas alguns fabricantes utilizam esse modelo de forma voluntária.

    fonte: Asbran


  • Influence of menu labeling on food choices in real-life settings: a systematic review

    Artigo de revisão sistemática sobre informações nutricionais em restaurantes e escolhas alimentares, com extensa discussão sobre tipos de informação e questionamento sobre o papel da informação de calorias em escolhas alimentares saudáveis.

    Autores: , , , , , 

    Abstract

    Context: Evidence that menu labeling influences food choices in real-life settings is lacking. Reviews usually focus on calorie counts without addressing broader issues related to healthy eating. Objective:This systematic review assessed the influence of diverse menu-labeling formats on food choices in real-life settings. Data Sources: Several databases were searched: Cochrane Library, Scopus, MEDLINE, Web of Science, Food Science and Technology Abstracts, Biological Abstracts, CAB Abstracts, EconLit, SciELO, and LILACS. Study Selection: Articles reporting experiments, quasi-experiments, and observational studies using control or preintervention groups were selected blindly by two reviewers.Data Extraction: Data was extracted using a standard form. Analyses differentiated between foodservice types. The quality of the 38 included studies was assessed blindly by two reviewers. Data Analysis: The results were mixed, but a partial influence of menu labeling on food choices was more frequent than an overall influence or no influence. Menu labeling was more effective in cafeterias than in restaurants. Qualitative information, such as healthy-food symbols and traffic-light labeling, was most effective in promoting healthy eating. In general, the studies were of moderate quality and did not use control groups. Conclusions: Calorie labeling in menus is not effective to promote healthier food choices. Further research in real-life settings with control groups should test diverse qualitative information in menu labeling.

    Para ter acesso ao artigo completo clique: Fernandes et al 2016 Nutrition Reviews


  • When Food + Label = Fable

    No mês passado, os EUA Food and Drug Administration (FDA) anunciou uma revisão da rotulagem da Informação Nutricional para alimentos embalados. A mudança que destaca-se relaciona-se ao negrito e tamanho da fonte da informação sobre calorias. O FDA acredita que a rotulagem clara de calorias é fundamental para ajudar os consumidores a fazer escolhas mais saudáveis. No entanto, a quantidade de calorias de um produto não é realmente o problema para a saúde do consumidor. Na verdade, fazer escolhas baseadas em contagens de calorias dos alimentos embalados poderia levar a escolhas menos saudáveis e piores para saúde de modo geral.

    Para acessar a notícia completa acesse aqui 

    Tradução livre

     


  • Critérios para entrar no clube. Tese investiga metodologia dos rankings de excelência acadêmica para compreender o desempenho das universidades brasileiras

    Uma tese de doutorado defendida em 2015 na Universidade de São Paulo (USP) reuniu um conjunto de dados e argumentos que ajuda a compreender por que o Brasil tem um desempenho relativamente modesto em rankings internacionais de universidades. A pesquisa, feita por Solange Maria dos Santos, coordenadora de produção e publicação da biblioteca eletrônica SciELO, analisou uma década de produção científica brasileira (2003-2012) e esmiuçou a metodologia adotada por seis desses rankings para entender, por exemplo, por que há discrepância no número de instituições brasileiras entre as melhores do mundo – um deles registra apenas duas instituições nesse clube, enquanto outros enxergam até 22. Outra questão abordada envolve um aparente paradoxo: se o Brasil tem bom desempenho em rankings vinculados a certas áreas do conhecimento, como medicina e agronomia, por que isso não se reflete nos rankings gerais?

    Segundo a pesquisadora, parâmetros de seleção adotados pelos rankings limitam a participação de mais universidades do país. “Um dos critérios de corte é o volume da produção indexada em bases internacionais. Por isso, grandes instituições, com indicadores robustos de pesquisa e ensino, têm mais chance de classificação. Os rankings selecionam um número restrito de instituições – na maioria das vezes, as 500 melhores – num universo de mais de 16 mil universidades no mundo”, diz Solange, que defendeu a tese na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e realizou parte da pesquisa na Espanha, na Universidade Carlos III, de Madri.

    Curiosamente, a relevância do volume da produção científica indexada também ajuda a explicar por que há mais universidades brasileiras em rankings hoje do que há 10 anos: o país investiu na profissionalização das revistas nacionais, por meio de iniciativas como a biblioteca eletrônica SciELO, e conseguiu aumentar o número de periódicos do Brasil em bases internacionais em meados dos anos 2000. Na Web of Science, por exemplo, o número de publicações brasileiras indexadas saltou de 26 em 2006 para 103 em 2008. “Um conjunto maior de artigos passou a ser considerado nos indicadores e mais universidades brasileiras tornaram-se visíveis para os rankings”, afirma.

    026-029_Rankings_244-02Isso é perceptível, por exemplo, no ARWU, sigla para Academic Ranking of World Universities (arwu.org), da China. Quando ele foi criado, em 2003, apenas a USP, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Estadual Paulista (Unesp) e a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apareciam entre as 500 melhores do mundo. Em 2007, a classificação passou a incluir a Federal de Minas Gerais (UFMG) e, em 2008, também a Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A classificação do ARWU se baseia em parâmetros mais objetivos, como publicações e citações, número de pesquisadores com artigos altamente citados, existência de ex-alunos e professores que receberam um Prêmio Nobel ou uma Medalha Fields e proporção de professores com dedicação integral à universidade.

    Já o ranking da britânica THE, sigla para Times Higher Education, registra apenas duas brasileiras entre as 500 melhores do mundo (USP e Unicamp). Entre 2008 e 2009, a UFRJ também apareceu na lista, mas não permaneceu. Parte de seus critérios tem um viés subjetivo: um terço dos pontos vem de uma pesquisa de reputação acadêmica feita com pesquisadores em 133 países. A pontuação também leva em conta citações, presença de professores e alunos estrangeiros e orçamento para pesquisa.

    O estudo constatou que mudanças de metodologia nos rankings costumam ser responsáveis por oscilações bruscas no desempenho das universidades. “Eu desconfio quando uma manchete de jornal diz que uma universidade caiu ou subiu 100 posições num ranking. Nenhuma instituição muda tanto de um ano para o outro”, explica. Um caso de mudança de metodologia envolveu o ranking da consultoria Quacquarelli Symonds (QS). A partir de 2010, ela passou a utilizar a base Scopus, da editora Elsevier, que reúne um número maior de revistas latino-americanas que o banco de dados usado anteriormente, o Web of Science, da Thomson Reuters. Como parte dos pontos atribuídos vincula-se a citações dos artigos de docentes, o número de instituições brasileiras entre as mil melhores saltou de seis em 2010 para 22 em 2013. Neste ranking, 40% dos pontos têm origem numa pesquisa de reputação acadêmica e outros 10% em uma avaliação de empregadores da mão de obra formada pelas instituições. Tais pesquisas mudam a base de entrevistados periodicamente, o que gera oscilações nos resultados.

    026-029_Rankings_244-03O fenômeno também foi detectado por uma dissertação de mestrado defendida em 2015 por Carlos Marshal França, professor de administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Ele comparou três rankings universitários de caráter nacional organizados por jornais ibero-americanos: o chileno El Mercurio, o espanhol El Mundo e o brasileiro Folha de S.Paulo – RUF. Observou que cada um tem uma forma de coletar dados. Enquanto o chileno se baseia em fontes de informação públicas e indicadores bibliométricos, o espanhol usa questionários respondidos pelas instituições e por professores. Já o brasileiro mescla dados públicos e entrevistas com professores e profissionais do mercado de trabalho – e tem promovido mudanças para aperfeiçoar a sua metodologia. O chileno apresentou os resultados mais estáveis: eventuais variações de um ano para o outro limitavam-se à perda ou à conquista de uma ou duas posições na escala. No Folha RUF, entre as 20 melhores universidades, houve mudanças de até sete posições de um ano para o outro.

    Interpretação grosseira
    A principal contribuição da tese de Solange é mapear o que cada um dos rankings está medindo, diz Samile Vanz, professora da Faculdade de Biblioteconomia da UFRGS. “Frequentemente, os rankings são interpretados de forma grosseira, sem que se entenda o que indicam”, diz. Para Samile, que atualmente estuda os rankings num estágio de pós-doutorado na mesma universidade espanhola onde Solange Santos realizou parte do doutorado, a produção brasileira continua a ser sub-avaliada. “Estou observando que vários rankings que utilizam como referência a base de dados Web of Science não levam em conta todas as coleções de revistas que estão lá dentro. É comum que selecionem duas ou três coleções principais e deixem de fora, por exemplo, o SciELO Citation Index, coleção na qual está boa parte da produção do país”, diz. Samile destaca que rankings não são instrumentos neutros. “É comum que empresas responsáveis pelos levantamentos vendam serviços associados aos dados e que as instituições listadas os utilizem em suas estratégias de marketing”, diz.

    Segundo Solange Santos, as classificações têm dificuldade de mensurar todas as dimensões da qualidade acadêmica. “Os rankings medem o que é possível medir, não o que gostariam”, afirma. Indicadores objetivos, como produção científica, citações e pesquisadores premiados, podem ser apropriados para comparar instituições de todo o mundo, mas há dificuldades com parâmetros como reputação acadêmica e qualidade da formação dos recursos humanos. “Os rankings ainda não conseguem medir bem a qualidade do ensino, o engajamento regional das universidades e o impacto na sociedade”, exemplifica. Cada ranking tem uma metodologia própria. A classificação da Universidade Nacional de Taiwan, o NTU Ranking, hierarquiza as universidades com base em indicadores de pesquisa, como o índice-h, o número de artigos altamente citados e o de artigos publicados em revistas de alto impacto. O ranking da Universidade de Leiden, da Holanda, utiliza indicadores sobre o número de publicações e citações, com destaque para os que medem ciência de alto impacto e colaborações no exterior e com indústrias.

    026-029_Rankings_244-04A parte mais demorada da pesquisa de Solange foi a análise de 10 anos de produção científica brasileira em bases de dados internacionais, por área do conhecimento. Constatou, em primeiro lugar, que as universidades do país não alcançam posições muito elevadas nos rankings porque, em geral, produzem ciência com baixo impacto. Em 2003, 37,5% das revistas brasileiras estavam no primeiro quartil, grupo que reúne as mais citadas nas respectivas disciplinas. Em 2012, esse percentual havia caído para 28,8%. Já o número de revistas brasileiras no quarto quartil, de menor impacto, cresceu 137% no período. A análise, porém, detectou áreas de excelência. A principal é a Medicina Clínica, graças a uma grande comunidade de pesquisadores que publicou 20,83% de toda a produção científica brasileira entre 2003 e 2012, segundo dados compilados pela pesquisadora. Apenas a USP é responsável por quase um terço dessa produção. No ranking temático da Times Higher Education de 2014, a USP apareceu em 79º lugar em Ciências Clínicas, Pré-Clínicas e da Saúde, e na 92ª posição em Ciências da Vida – no ranking geral, a universidade se classificou no intervalo entre a 201ª e a 225ª colocação.

    Outras três áreas em que a pesquisa brasileira se distingue são Física, Geociências e Ciências Espaciais, que, assim como a Medicina, exibem boa capacidade de publicar em revistas de alto impacto. “Nessas áreas, pesquisadores brasileiros mantêm colaborações internacionais com grupos de alto nível. Mas, como a produção é relativamente pequena, isso não tem força para impulsionar as universidades nos rankings gerais”, diz Solange. Outro destaque são as Ciências Agrárias, com 9,62% da produção nacional, embora não se concentrem em publicações de alto impacto. “A produção em ciências agrárias faz com que universidades dedicadas a essa área, como a Federal de Viçosa, se destaquem em rankings temáticos”, afirma. No ranking por área da QS, algumas universidades brasileiras se destacam em Artes e Humanidades. Em Filosofia, Sociologia e História, USP e Unicamp aparecem entre as 100 melhores do mundo (ver Pesquisa FAPESP nº 186).

    Rogério Mugnaini, professor da ECA-USP, chama atenção para um efeito dos rankings: eles reafirmam a influência de um conjunto de universidades de origem anglo-saxã utilizando critérios que nem sempre fazem sentido para instituições brasileiras. Um exemplo é o peso que alguns deles conferem à existência de cursos ministrados em inglês, algo frequentemente visto no Brasil como um fator de elitização do ensino superior. “As instituições de maior prestígio tendem a reforçar esse instrumento que ratifica sua posição original de domínio”, diz Mugnaini. Ele trabalha no desenvolvimento de indicadores da produção científica brasileira baseados nas referências do Currículo Lattes, que contêm teses, livros e documentos não usualmente indexados (ver Pesquisa FAPESP nº 233). Para Samile Vanz, é preciso aprofundar estudos sobre os rankings e propor formas de medir dimensões que interessem a comunidades científicas distantes dos países centrais. Ela observa, porém, que ignorar os rankings não é uma alternativa. “Eles servem como referência para a circulação de estudantes e pesquisadores estrangeiros e são importantes para a estratégia de internacionalização das nossas universidades”, diz.

    Fonte: Revista Fapesp


  • Os derivados nocivos da sucralose


    Não convém adoçar o cafezinho recém-coado ou a massa do bolo que vai ao forno com sucralose, o edulcorante artificial mais usado no mundo. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) verificaram que, a partir de 98º Celsius, as moléculas do adoçante começam a sofrer uma transformação química e passam a gerar compostos potencialmente tóxicos e capazes de se acumular no organismo (
    Scientific Reports, 15 de abril). Na Unicamp, o farmacêutico Rodrigo Catharino e seus colaboradores Diogo de Oliveira e Maico de Menezes aqueceram amostras de sucralose em banho-maria enquanto usavam equipamentos para medir os compostos que surgiam. Largamente usada pelas pessoas e pelas indústrias alimentícia e de medicamentos, a sucralose tem uma estrutura química semelhante à da sacarose, o açúcar comum. Ambas as moléculas são formadas por  carbono, hidrogênio e oxigênio. A sucralose tem ainda três átomos de cloro, que lhe dão maior poder adoçante e facilitam a modificação de sua estrutura.

    Sucralose: aquecida a mais de 98ºC gera compostos potencialmente tóxicos

    Fonte: Pesquisa Fapesp


  • Quando o plágio não aparenta má-fé

    Uma consulta feita recentemente ao Committee on Publication Ethics (Cope), fórum de editores de revistas científicas sobre ética na pesquisa, evidenciou os desafios de fazer uma avaliação justa em casos suspeitos de plágio. O editor de um periódico científico, cujas identidade e origem não foram reveladas, informou ao Cope que começou a utilizar softwares para detecção de plágio e registrou uma alta incidência de pequenos trechos ou sequências de frases copiados de outros artigos. O problema atinge entre 30% e 50% dos manuscritos submetidos e, em alguns papers, chega a comprometer a originalidade de até um terço do texto.

    Embora pareça assustador, segundo o editor não parece haver má-fé dos autores, uma vez que as sentenças copiadas são curtas e vêm de mais de 60 fontes diferentes – em um dos casos, chegou a mais de 120. “É como se a cópia de um trecho contendo o que se acredita ser uma expressão elegante pudesse compensar a falta de competência linguística do pesquisador”, escreveu o editor, referindo-se a uma grande quantidade de autores que não tem o inglês como língua nativa. “De todo modo, não é satisfatório que um texto contenha um terço de suas passagens inspiradas em outras fontes. Não é o que se possa considerar uma boa prática de escrita científica.”

    O Cope respondeu à consulta recomendando uma análise caso a caso, levando em conta as características do texto reciclado. Uma duplicação na seção de resultados é mais grave do que na introdução ou nos métodos. Frases copiadas num artigo de revisão, composto por avaliações críticas da literatura existente, comprometem mais a sua originalidade do que sentenças duplicadas num paper tradicional, que traz resultados inéditos. Segundo o fórum, o editor deve pedir explicações ao autor caso falte atribuição de autoria em muitos trechos do artigo e tomar atitudes mais drásticas se as ideias defendidas pelo autor pertencerem a outras pessoas.

    “O editor deve seguir checando todos os manuscritos usando softwares antiplágio e rejeitar os artigos com sobreposição de textos moderada ou grande”, sugere o Cope. A instituição a que o autor pertence deve ser alertada se houver, de fato, uma suspeita de má conduta ou se o editor colher evidências de que o pesquisador trabalha num ambiente que não valoriza as boas práticas científicas.“Caso os autores sejam jovens pesquisadores, o editor deve pedir a eles para reescrever as passagens copiadas e submeter de novo o artigo”, recomenda o Cope.

    Fonte: Pesquisa Fapesp


  • FDA confirma obrigatoriedade na declaração dos açúcares de adição no rótulo

    O U.S. Food and Drug Administration finalizou no dia 20 de maio uma nova proposta de rotulagem nutricional. O novo rótulo visa auxiliar os consumidores a fazer escolhas alimentares mais informadas.

    Dentre as modificações destaca-se de modo positivo a inclusão da informação sobre açúcar de adição.

    Para mais informações acesse o site do FDA.

    Nutrition Facts Label - What


  • Fonoaudiologia oferece apoio a universitários com dificuldades em leitura e escrita

    A professora Ana Paula Santana, do curso de Fonoaudiologia, esclarece que somente estudantes universitários que têm dificuldade em leitura e escrita podem participar do projeto de extensão. Os atendimentos são realizados na Clínica de Fonoaudiologia, todas as quartas-feiras, às 17h15. Agendamentos pelo e-mail lais.donida@gmail.com.


  • Pesquisa retorno ao Brasil após período no exterior

    PESQUISA RETORNO AO BRASIL

    O retorno ao Brasil de outro país estrangeiro pode trazer uma série de dificuldades na adaptação ao Brasil. Com o propósito de entender melhor o processo de adaptação no retorno de brasileiros, o Departamento de Psicologia Social, Trabalho e Organizações da Universidade de Brasília está lançando uma pesquisa on-line.

    Se você teve uma vivência fora do Brasil (6 meses mínimo) e retornou ao Brasil (mesmo se fizer muitos anos), por favor, participe da pesquisa. A participação é voluntária, demorará 10-15 minutos de seu tempo, e pode ser feita, inclusive de seu celular e tablet, por meio do link:

    https://pt.surveymonkey.com/r/RetornoBrasil

    Quanto mais brasileiros que tiveram uma vivência fora do Brasil, melhor será o retrato desta adaptação. Pedimos seu apoio para divulgar este convite entre seus contatos e nas redes sociais.


  • Seleção para bolsista de pós-doutorado

    O Laboratório Interdisciplinar de Avaliação Nutricional do INU-UERJ está selecionando bolsista de pós-doutorado.

    Inscrições podem ser realizadas enviando carta de intenções e currículo Lattes resumido para o endereço: selecao.posdoc.ppgans.uerj@gmail.com

    post


  • Concurso para docente no Departamento de Ciência dos Alimentos UFBA

    ESCOLA DE NUTRIÇÃO
    DEPARTAMENTO CIÊNCIA DOS ALIMENTOS
    Área de Conhecimento: Ciência e Tecnologia dos Alimentos
    Classe: A Denominação: Professor Adjunto A RT: DE Vagas: 01
    Titulação: Profissional graduado em Nutrição, ou Farmácia e Bioquímica, ou Engenharia de Alimentos, com título de Doutor na área do tema do Concurso e outras áreas afins.
    Tipo de Prova: Escrita, didática, títulos e defesa de memorial.
    Período de Inscrição: de 02/05/2016 a 30/06/2016.

    Para mais informações acesse o site.


  • NUPPRE comemora 10 anos

    10 anos


  • Boletim Rede @limenta – Conquistas Sociais

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  • Atalho para chegar ao paper

    Uma nova plataforma on-line foi criada para ajudar a encontrar artigos científicos divulgados em acesso aberto ou cópias gratuitas de papers publicados em periódicos comerciais. O DOAI (sigla em inglês para Identificador Digital de Acesso Aberto), disponível no endereço doai.io, é um serviço capaz de rastrear a existência de versões disponíveis na internet de trabalhos científicos. É preciso fornecer o código identificador do artigo desejado, no padrão conhecido como DOI, para que a ferramenta mostre, quando existirem, versões armazenadas em coleções de universidades ou perfis de seus autores. O banco de dados que alimenta o DOAI é o Base, da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, que indexa quase 90 milhões de registros de 4 mil repositórios acadêmicos e outras fontes de acesso aberto no mundo inteiro. “A abrangência é impressionante”, disse Roger Schonfeld, diretor da Ithaca S+R, empresa de comunicação científica, em seu blog no portal The Scholarly Kitchen. “E a busca parece não privilegiar canais oficiais, como grandes repositórios de acesso aberto”, diz ele, que encontrou na plataforma textos de sua autoria indexados no repositório de uma biblioteca da Universidade do Norte do Texas.

    A quantidade de artigos científicos disponíveis na internet é crescente. Estima-se que 40% dos papers sejam publicados atualmente em regime de acesso aberto. Esse quinhão é maior quando se analisa o universo de artigos publicados no passado. Ocorre que um conjunto cada vez maior de manuscritos migra ao longo do tempo do acesso fechado, em que só podem ser vistos por assinantes das revistas que os publicaram, para o acesso aberto, em que são franqueados na internet. Um estudo divulgado em 2013 pela União Europeia mostrou que 50% de todos os artigos publicados entre 2004 e 2011 estavam naquele momento disponíveis gratuitamente.

    Um dos méritos da ferramenta DOAI é difundir os artigos em acesso aberto sem exigir que o usuário compreenda as regras e a terminologia que regem esse modelo. O acesso aberto se divide em duas grandes vertentes. Uma delas é a “via dourada” (golden road), aquela em que os periódicos são abertos e oferecem o acesso gratuito a seu conteúdo. Entre os exemplos dessa estratégia destacam-se as revistas da Public Library of Science (PLoS) ou a coleção de periódicos da biblioteca SciELO Brasil, um programa financiado pela FAPESP. A segunda vertente é conhecida como “via verde” (green road). Nessa modalidade, um autor é autorizado a arquivar no banco de dados de sua instituição ou em seu perfil profissional uma cópia de seus artigos científicos publicados numa revista comercial. Quem quiser ler o artigo sem pagar pode recorrer a esses repositórios – e a maioria deles está no banco de dados do DOAI.

    Há diversas outras variantes. Algumas publicações permitem que os autores depositem cópias de seus artigos em repositórios, mas exigem que a divulgação só seja feita de seis meses a um ano após a publicação, para preservar seus ganhos nesse período inicial. Instituições de apoio, como a Wellcome Trust, fundação britânica de apoio à pesquisa biomédica, e os National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, exigem que os pesquisadores financiados por elas disponibilizem seus artigos em bases de dados de acesso aberto, como o PubMed Central, após um ano da publicação original em revistas científicas de acesso fechado. Outras revistas abrem mão do embargo e divulgam artigos na internet até mesmo antes da publicação do periódico em papel – mas cobram uma taxa adicional do autor para fazer a divulgação livre e antecipada.

    Difusão
    “O sistema de comunicação científica é complexo. O DOAI pode tornar-se uma ferramenta de localização importante, mas ainda é necessário consolidar a plataforma”, diz Abel Packer, diretor do programa SciELO. De acordo com ele, o DOAI ainda não é muito conhecido e é cedo para saber se terá uma aceitação generalizada. “A difusão deve levar um tempo. Se tudo der certo, todos os artigos indexados no SciELO terão código identificador”, diz Packer.

    O DOAI é uma alternativa legal ao site Sci-Hub, criado em 2011 pela programadora e estudante do Casaquistão Alexandra Elbakyan e sediado em São Petersburgo, na Rússia. Trata-se de um repositório on-line com 48 milhões de artigos, na maioria com direitos autorais protegidos, que em fevereiro chegou a registrar 200 mil consultas por dia. O funcionamento do Sci-Hub tem semelhanças com o DOAI, além de uma busca mais abrangente, que não se limita ao código DOI. Seu gigantesco banco de dados oferece artigos que foram baixados por meio do uso de senhas cedidas por assinantes e são disponibilizados livremente. A editora acadêmica Elsevier iniciou em 2015 um processo contra a idealizadora do Sci-Hub numa corte em Nova York por violação de direitos autorais, mas encontra dificuldade em cercear juridicamente uma iniciativa sediada num país distante. “Uma única mulher conseguiu realizar uma colossal disponibilização pública de milhões de artigos antes restritos”, diz Moreno Barros, bibliotecário e doutor em História da Ciência pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Para ele, iniciativas como o DOAI e o Sci-Hub indicam que a comunicação científica está mudando num ritmo lento e que o movimento do Acesso Aberto, lançado em 2002 com o objetivo de franquear o acesso à produção científica, teve resultados limitados. “Coletivamente, o esforço de 14 anos para tirar o conhecimento das mãos das editoras, um artigo de cada vez, resultou por ora   em 40% de novos artigos livres”, afirma Moreno Barros.

    Fonte: Pesquisa Fapesp


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  • Pesquisa: Importância da publicação dos resultados de pesquisas acadêmicas

    Gostaríamos de convidar os estudantes deste curso para participar desta pesquisa que visa identificar a relevância da publicação durante o período de formação acadêmica e profissional dos estudantes.

     Buscamos, por meio deste breve questionário, conhecer quais os principais desafios enfrentados pelos estudantes de graduação e pós-graduação na hora de desenvolver a escrita para apresentação dos resultados de suas pesquisas, seja na construção de artigos, capítulos de livros ou livros de autoria própria ou coletiva.

    Para tanto solicitamos a colaboração da divulgação da pesquisa disponível no link a seguir.

     http://goo.gl/forms/wzKRnJ9tgN

     Agradecemos sua atenção e nos colocamos a disposição.