Fraudes escamoteadas

03/02/2016 11:44

Pesquisadores que falsificam dados em artigos científicos costumam adotar padrões de escrita para tentar mascarar pistas de má conduta. Essa é a principal conclusão de um estudo realizado por Jeff Hancock e David Markowitz, professores do Departamento de Comunicação da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. No trabalho publicado em novembro no Journal of Language and Social Psychology, eles mostram que há distinções no estilo de escrita em artigos fraudulentos e não fraudulentos. Os autores analisaram 253papers publicados em vários periódicos na área de biomedicina que foram retratados entre 1973 e 2013. Com a utilização de técnicas de linguística computacional, os documentos foram comparados com artigos que não foram alvo de retratação, publicados nas mesmas revistas e no mesmo período, abrangendo assuntos parecidos. Os resultados mostram que os artigos retratados apresentam um nível elevado do que eles chamam de “ofuscamento linguístico”. “Cientistas que falsificam dados têm consciência de que estão cometendo má conduta e não querem ser pegos. Uma estratégia para contornar isso é tentar ofuscar a fraude por meio de palavras ou expressões no texto”, explicou Markowitz aosite da Universidade Stanford. Esse fenômeno já havia sido observado em relatórios financeiros. “Quisemos verificar se o mesmo ocorre em artigos científicos.”

Observou-se, por exemplo, que os artigos fraudulentos apresentam um número maior de jargões técnicos: em média, cerca de 60 termos especializados a mais do que em artigos não fraudulentos. Uma explicação possível é que essas palavras, incomuns na comunicação do cotidiano, ajudam a simular o lastro científico do artigo. Também ocorre uma incidência menor de termos que expressam emoções ou juízo de valor, como “sucesso” ou “melhorar”, nos papers retratados. De acordo com os autores da pesquisa, utilizar menos palavras que soem positivas, como afirmar que os resultados obtidos são “satisfatórios”, serve para não chamar a atenção do leitor em relação aos dados falsificados no artigo. “Nosso trabalho é uma contribuição dentro de um esforço de pesquisa que busca compreender como a linguagem pode revelar dinâmicas sociais e psicológicas, como a fraude”, explica Markowitz. No entanto, ele ressalta a necessidade de mais estudos sobre o assunto para que essa abordagem possa ser utilizada para detectar fraudes.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

Cidades sustentáveis e saudáveis: microcefalia, perigos do controle químico e o desafio do saneamento universal

02/02/2016 18:03

Abrasco emite Nota oficial onde diz não às mesmas medidas ineficazes e perigosas e sim às ações socioambientais transformadoras

A Abrasco manifesta-se através da atuação dos Grupos Temáticos de Saúde e Ambiente; Saúde do Trabalhador; Vigilância Sanitária; Promoção da Saúde e Desenvolvimento Sustentável e ainda Educação Popular em Saúde, sobre a epidemia de microcefalia. O documento pretende aprofundar reflexões, questionamentos e fazer proposições que possam orientar as políticas públicas na intervenção preventiva frente ao surto.

O crescimento exponencial da epidemia de dengue (em 2015, o Ministério da Saúde registrou 1,649,008 casos prováveis desta virose no país e houve um aumento de 82,5% dos óbitos em relação ao ano anterior). A expansão territorial da infestação pelo Aedes aegypti atestam o fracasso da estratégia nacional de controle. Com o surgimento da epidemia do zika vírus, com repercussões ainda mais danosas ao ser humano, urge a revisão de nossa política e do programa de controle da infestação dos Aedes visando impedir a ocorrência de epidemias por arbovírus.

Vários fatores estão envolvidos na causa dessa tragédia sanitária. Trata-se de um fenômeno complexo. Para a Abrasco, a degradação das condições de vida nas cidades, saneamento básico inadequado, particularmente no que se refere à dificuldade de acesso contínuo a água, coleta de lixo precária, esgotamento sanitário, descuido com higiene de espaços públicos e particulares – são os principais responsáveis por esse desastre.

Observa-se que a distribuição espacial por local de moradia das mães dos recém-nascidos com microcefalia (ou suspeitos) é maior nas áreas mais pobres, com urbanização precária e  saneamento ambiental inadequado. Nestas áreas, o provimento de água de forma irregular ou intermitente leva essas populações ao armazenamento domiciliar de água de modo inadequado, condição muito favorável para a reprodução do Aedes aegypti.

Associa-se a isto a debilidade do Sistema Único de Saúde – SUS e do Estado brasileiro para enfrentar este problema. Não há integração entre municípios, estados e União, o que impede a implementação de ações sincronizadas. Defendemos a constituição de estruturas de Vigilância à Saúde, em cada uma das 400 Regiões de Saúde, com unificação de recursos visando planejamento e gestão das ações tanto dos municípios quanto de estados e União.

O enfrentamento destas epidemias necessita de ações que atuem em curto e médio prazo: – Apoio e articulação de pesquisas voltadas para produção de vacinas, com prioridade para o zika vírus; estudos para produzir  conhecimentos da epidemia desta doença, definindo cientificamente seu modo(s) de transmissão, danos ao sistema nervoso, desenvolvimento em escala de testes clínicos, dentre outras inciativas . – Controle da infestação de Aedes, por meio do desenvolvimento de ações imediatas em larga escala de destruição de criadouros e  melhoria das condições sócio-ambientais de nossas cidades. É importante assinalar que estas intervenções urbanas precisam ser realizadas de forma contínua e sistemática, e não como campanhas sanitárias pontuais. O terceiro tipo de ação se refere ao cuidado preventivo e atenção à saúde das pessoas expostas ao risco e infectadas.
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Livro: Alimentação Escolar, construindo interfaces entre saúde, educação e desenvolvimento

02/02/2016 12:21

1_Alimentacao-escolar--construindo-interfaces-entre-saude--educacao-e-desenvolvimento_29Lançamento da obra: Alimentação escolar, construindo interfaces entre saúde, educação e desenvolvimento.

Esta obra é o resultado das aproximações empreendidas por diferentes atores com a alimentação escolar, cada um abordando-a a partir de suas experiências e trajetórias, teóricas e práticas, o que contribui para compor um panorama ampliado da temática. Neste sentido, este esforço coletivo resulta interdisciplinar, visto que o produto que se apresenta é a síntese de um processo de convergência de saberes diversos que possibilitou, em alguma medida, superar as fronteiras que desafiam a compreensão de temas complexos, como o que dá eixo a esta obra.
A alimentação escolar tem um importante papel interdisciplinar e intersetorial, dialogando com várias perspectivas e dimensões. É nessa direção que esta obra é apresentada, buscando explicitar as interfaces que vêm sendo construídas e as que podem ser configuradas e fortalecidas a partir da alimentação escolar, especialmente com os campos da saúde, da educação e do desenvolvimento.

Organização de Carla Rosane Paz Arruda Teo e Rozane Marcia Triches.

Capítulos com participação de membros do NUPPRE:

MARTINELLI, Suellen Secchi; SOARES, Panmela; FABRI, Rafaela Karen; VEIROS, Marcela Boro; CAVALLI, Suzi Barletto. Qualidade da alimentação escolar: método para avaliação da Aquisição de Gêneros Alimentícios (AGA). In: TEO, Carla Rosane Paz Arruda; TRICHES, Rozane Marcia (Org.). Alimentação escolar: construindo interfaces entre saúde, educação e desenvolvimento. Chapecó: Argos, 2016. p. 345-378

ROSSI, Camila Elizandra Rossi; TASCA, Cassiani Gotâma. Adesão e aceitabilidade da alimentação escolar. In: TEO, Carla Rosane Paz Arruda; TRICHES, Rozane Marcia (Org.). Alimentação escolar: construindo interfaces entre saúde, educação e desenvolvimento. Chapecó: Argos, 2016. p. 379-404

Vendas no site da editora ARGOS: www.editoraargos.com.br

Santa Catarina decreta obrigatoriedade da informação de ingredientes para alimentos entregues em domicílio

30/01/2016 00:37

O Governador do Estado de Santa Catarina publicou em dezembro o Decreto nº487 de 01 de dezembro de 2015. Esse regulamenta a Lei nº15.447 de 2011, que dispõe sobre a obrigatoriedade de informar aos consumidores os ingredientes utilizados no preparo dos alimentos entregues em domicílio por restaurantes, bares, lanchonetes, confeitarias, padarias, rotisserias e congêneres. O documento incumbe ainda aos órgãos de proteção e defesa do consumidor estadual ou municipais a fiscalização no seu cumprimento.

Acesse o decreto na integra: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=310894

Qualidade de carne orgânica em relação à convencional

04/10/2015 21:13

VALORES NUTRICIONAIS E QUALITATIVOS DE CARNES BOVINAS (LONGISSIMUS THORACIS) PROVENIENTES DE SISTEMAS DE PRODUÇÃO ORGÂNICA E CONVENCIONAL

Ana Paula Costa Rodrigues Ferraz, Jessica Moraes Malheiros, Renata Maria Galvão de Campos Cintra, Luis Artur Loyola Chardulo

Resumo

O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da produção de animais sob o sistema de manejo orgânico e convencional em relação à qualidade da carne de bovinos machos Nelore (Bos indicus). Foram utilizados oito animais provenientes do sistema de produção orgânica e 15 animais produzidos sob o sistema convencional terminados em confinamento por 90 dias. Após o abate, as carcaças foram resfriadas no período de 24 a 48 horas, e duas amostras do músculo Longissimus thoracis foram coletadas com aproximadamente 2,54 cm de espessura entre a 12a-13a costelas da meia carcaça esquerda de cada bovino. Foram avaliadas características químicas, como lipídeos totais (LT) e índice de fragmentação miofibrilar (MFI). De modo suplementar, avaliaram-se características como força de cisalhamento (FC), área de olho de lombo (AOL), índice de marmorização (IM), espessura de gordura subcutânea (EGS), composição centesimal, perdas totais (PT) e coloração instrumental. Constatou-se que as amostras de procedência orgânica apresentaram melhores características de coloração instrumental, considerada o principal atrativo no momento da compra. O valor médio de força de cisalhamento foi menor para a carne orgânica, sendo positivamente relacionado com a maciez. Diferenças significativas entre os dois grupos também podem ser observadas nas análises de lipídeos totais, espessura de gordura e teor de umidade, que apresentaram valores superiores em relação aos animais terminados em confinamento.

 

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Abertas as inscrições para Reunião do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos na próxima semana

23/06/2015 08:50

O Intituto de Pesquisa em Risco e Sustentabilidade (Iris/UFSC) realiza na próxima segunda-feira, a partir das 13h, a reunião do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT), no auditório do Centro Socioeconômico (CSE). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até domingo pelo formulário disponível no site do evento. O FCCIAT é um espaço permanente, plural e aberto de discussão e formulação de propostas de interesse coletivo, formado por entidades da sociedade civil organizada, Ministério Público e órgãos dos poderes do Estado de Santa Catarina. Tem como objetivo geral proporcionar, em âmbito estadual, o debate das questões relacionadas aos agrotóxicos, produtos afins e transgênicos, de modo a fomentar ações integradas de tutela à saúde do trabalhador, do consumidor, da população e do ambiente ante os males causados pelo uso indevido de ingredientes químicos e da transgenia.
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ABERTAS INSCRICOES DO PREMIO INCENTIVO EM CIENCIA PARA O SUS

19/06/2015 20:32

Estão abertas até três de julho as inscrições para o Premio Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS (Sistema Único de Saúde). O premio visa reconhecer e promover trabalhos tecnico-cientificos desenvolvidos por pesquisadores e profissionais de saúde com temas que atendam as necessidades de saúde no âmbito do SUS e a produção de inovações tecnológicas com potencial de Incorporação em sistemas e serviços de saúde.
A premiação possui quatro categorias: Tese de Doutorado, cujo premio corresponde a R$ 50 mil; Dissertação de Mestrado, que dará R$ 30 mil ao vencedor; Trabalho Cientifica Publicado, R$50 mil; Monografia de Especialização/ Residência, R$ 15 mil.
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Agroecologia apresenta respostas concretas para os desafios contemporâneos

26/03/2015 21:56

Por que interessa à sociedade apoiar a agroecologia? Essa foi a pergunta que norteou o terceiro Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado em maio, na cidade de Juazeiro, Bahia. A questão foi debatida com trabalhadores do campo, técnicos, professores, pesquisadores, extensionistas, estudantes e gestores públicos. O encontro resultou numa Carta Política com reflexões e proposições para implementar uma nova maneira de produzir, distribuir, divulgar e consumir alimentos. O atual sistema alimentar, baseado no princípio do alimento como mercadoria, não considera o território, a cultura e as pessoas do lugar, reforçando desigualdades e injustiça, tanto no campo e na cidade. Com isso, as escolhas alimentares ficam restritas à produção agrícola comercial e industrializada.

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Alimentos regionais brasileiros / Ministério da Saúde

04/03/2015 20:58

Esta nova edição apresenta-se com o propósito de favorecer o conhecimento acerca das mais variadas espécies de frutas, hortaliças, leguminosas, tubérculos, cereais, ervas, entre outros existentes em nosso país, além de estimular o desenvolvimento e a troca de habilidades culinárias, resgatando e valorizando o ato de cozinhar e apreciar os alimentos, seus sabores, aromas e suas apresentações, tornando o ato de comer mais prazeroso.
O material traz – além dos alimentos por região – receitas culinárias, dicas de como cozinhar com mais saúde e uma lista de possíveis substituições para as preparações desenvolvidas, ressaltando nossa diversidade cultural. O resgate, o reconhecimento e a incorporação desses alimentos no cotidiano das práticas alimentares representam importante iniciativa de melhoria do padrão alimentar e nutricional, contribuindo para a garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável e da segurança alimentar e nutricional da população brasileira.
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CONSEA divulga relatório sobre transgênicos

11/02/2015 11:04

Visando debater uma das ameaças que afetam a produção e o consumo de alimentos, o Consea Organizou, em Brasília, a Mesa de Controvérsias sobre Transgênicos, em dois momentos distintos,
11 e 12 de julho de 2013, e 3 de dezembro de 2013.

Com esta publicação, O Consea espera contribuir com a ação cidadã daqueles e daquelas que assumem o compromisso de trabalhar por um modelo de produção e de consumo de alimentos saudáveis e sustentáveis, pela soberania e segurança alimentar e nutricional e pelo Direito Humano
à Alimentação Adequada.

Relatorio_CONSEA

Fraude na ciência

03/02/2015 10:37

Quatro anos depois de revelado o maior caso de fraude já documentado envolvendo cientistas brasileiros, vêm à tona novas acusações de má conduta dirigidas a químicos do país, inclusive um professor que participara do episódio anterior. Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) são acusados de reaproveitar as mesmas imagens em várias publicações, fazendo-as passar por resultados de experimentos feitos com substâncias químicas diferentes. Dois artigos de autoria do grupo já foram anulados pelas revistas em que haviam sido publicados, e outros dois sofreram correções.

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